terça-feira, 8 de agosto de 2017

Curta-Metragem: Trindade

Há uns dias recebi um contacto de um Diogo Simão, completo desconhecido para mim, que se intitulou de realizador da curta-metragem Trindade e me perguntou se existia interesse em opinar o seu trabalho. Bem, como podem ver por este blogue, os filmes que constam na categoria de opinião de cinema, vão ao encontro das maiores estreias que me levam ao cinema. Não é este o caso, mas a minha curiosidade ao ver as informações sobre o trabalho levou-me a aceitar e a criar aqui um espaço novo no blogue, onde talvez possam vir a surgir mais opiniões do género.


Trindade é uma curta-metragem totalmente nacional, filmada em Faro, com realização a cargo de Diogo Simão. Neste filme de 18 minutos encontramo-nos perante três personagens completamente distintos à frente da lareira do Hotel Trindade, onde conversam de assuntos diversos e algo "vampíricos" de tal modo importantes que podem vir a alterar todo a história da humanidade que conhecemos.


O que três vampiros podem estar a conversar numa circunstância destas? Foi a primeira pergunta que me veio à cabeça e talvez um dos grandes motivos para me deixar curioso o suficiente para aceitar prontamente visionar este trabalho. E é aqui que se demonstra um fantástico sentido crítico ao que nos rodeia. A forma como Diogo Simão transformou uma conversa vampírica em assuntos humanos e de nos deixar a pensar. Soube principalmente pegar em algo que temos como tão certo e normal nas nossas vidas, criando um todo universo completamente diferente, mas que encaixa perfeitamente sobre si mesmo. Obviamente que não vou estar a referir exatamente o que quero dizer, pois esta curta-metragem desenvolve grandes surpresas que merecem ser visionadas.

No que toca aos personagens, todos eles estão muito bem caracterizados e interessantes. Temos J, um vampiro milenar que vagueia pelo mundo em busca de o tornar um pouco melhor. Um vampiro um pouco diferente daquilo que estamos habituados. Um personagem de carácter bom, que usa o seu "dom" para o bem e para ajudar a melhorar o pior que a humanidade demonstra. No meio está Pedro, que não se preocupa com nada. Quer apenas viver a sua imortalidade fumando todo o tipo de estupefacientes e a conhecer belas mulheres. É uma personagem central que de uma forma um pouco louca torna a trindade numa só. Para mim o mais interessante dos três, com uma participação tão direta como indireta que demonstra o meio termo. Fantástica. E por último temos Valentina, que se demonstra completamente fria, sem qualquer tipo de preocupações para com a humanidade e que conhece intimamente Pedro, a pontos de lhe contar certos segredos tão importantes, que podem mudar todo o rumo da história. Uma personagem belíssima, muito ciente das suas convicções, mas que se nota amargurada pelo passado. Uma backstory muito forte e de nos deixar de boca aberta. Três vampiros incríveis interpretados de forma muito interessante.

Um filme sobre vampiros, com vampiros, mas com uma imagem quente. Um aspeto diferente para um filme com esta temática. Uma realização simples, mas que foca no essencial. Não gostei dos ligeiros movimentos que a camera está sempre a fazer, pelo menos em algumas cenas preferia algo mais fixo, assim como alguns momentos em que a focagem não me pareceu bem no ponto. O clímax da história está muito bem filmado. Planos muito interessantes e a focar no mais importante. Gostei bastante do momento final. Aquele travelling final está fantástico. Tudo isto aliado a uma banda-sonora muito bem composta para o ambiente em que se insere e de destacar para o músico João Sousa que desenvolveu esta banda-sonora original.

Se estão curiosos para ver este trabalho, ainda vão ter que aguardar um pouco. Trindade estará presente em diversos festivais e ainda não está disponível ao público, apesar da sua antestreia já ter acontecido há alguns meses. É um trabalho a ter em atenção e que podem seguir através da sua página de Facebook, ou podem mesmo estar atentos aqui ao blogue Café Mais Geek, que vos trará todas as novidades referentes a esta curta-metragem. Antes de terminar apenas quero deixar os meus parabéns por esta produção nacional, que realmente demonstra as potencialidades que o nosso país esconde na área cinematográfica. Espero poder apresentar mais trabalhos deste jovem realizador por muito mais tempo e que possa vir a ter o devido reconhecimento nacional e quem sabe internacional. Ainda não posso deixar de agradecer ao Diogo Simão pela oportunidade em visualizar e criticar este trabalho.

Nota: 8.5/10
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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