Entrevista a Diogo Simão - Realizador de "Trindade"


Quando recebemos o convite para visualizar e opinar acerca da curta-metragem Trindade criamos logo uma série de curiosidades que gostaríamos de ver respondidas. Nada melhor que uma série de perguntas feitas ao realizador da curta para ficarmos a conhecer um pouco mais dele próprio assim como de Trindade.

Não quero estar desde aqui a dar algum spoiler sem querer, por isso vamos passar de imediato às questões colocadas, mas quero sim deixar um especial agradecimento ao Diogo pelo tempo que tirou para se dar a conhecer ao público do Café Mais Geek.


Diogo, sei que desde cedo começaste a trabalhar na área do cinema e teatro, mas quando achas que se despoletou a paixão pela sétima arte?

Acho que para todos os que trabalham, ou almejam trabalhar, em cinema há sempre um ou dois filmes que nos abrem os olhos e nos fazem pensar “é isto que quero fazer”. Para mim foi o Fight Club do David Fincher e a trilogia The Lord of the Rings do Peter Jackson. O primeiro abriu-me os olhos para o que o cinema podia ser enquanto meio de exploração do ser humano; o segundo mostrou-me até onde a imaginação nos pode levar e que é possível inspirar outras pessoas. E até hoje é-me impossível olhar para o meu trabalho sem sentir o ADN dessas duas inspirações.

Se tivesses a oportunidade de escolher um e apenas um realizador internacional para trabalhar em conjunto, quem escolhidas? E porque?

Martin Scorcese. O homem é uma biblioteca de conhecimento técnico, crítico e histórico. Trabalhou, e trabalha, com lendas em todos os campos da 7ª arte, tendo-se dedicado à preservação de património cinematográfico durante a sua vida inteira. Explora sempre temas interessantíssimos e mantem vivos certos ensinamentos aos quais muito poucos filmmakers dão importância. Trabalhar em conjunto é demasiado radical, mas observá-lo de perto e ao seu processo já seria uma aprendizagem maior que qualquer ano de escola.

Acho que a curta-metragem Trindade dispensa apresentações no nosso espaço, tendo em conta a opinião que já foi escrita. Mas temos curiosidade em saber a forma como Trindade surgiu. De onde é que veio esta ideia?

A ideia surgiu da vontade de 3 pessoas em trabalharem em conjunto: eu, a Mariana Ramos e o Adriano Ferreira. Queríamos fazer uma curta de baixo orçamento e na qual conseguíssemos mostrar aquilo que sabíamos fazer. O projecto acabou por crescer bem mais do que qualquer um de nós estaria à espera e quando olhámos à volta tínhamos uma equipa de 20 pessoas, todas extremamente profissionais, preparadas e com a mesma vontade que nós. 


Percebemos que há algumas mensagens muito interessantes neste trabalho. Isto foi algo que foi previamente pensado ou foi surgindo durante a construção da curta?

As personagens foram a primeira coisa a surgir. Sem um grande orçamento ou tempo para estarmos com floreados técnicos esforçamo-nos para que fossem interessantes e profundamente diferentes. Eu acredito que deve tudo partir das personagens e das suas motivações pessoais. Criar corpos para transmitirem “mensagens” ou “temáticas” pré-concebidas é um processo diferente e no qual não me revi para este projecto.

Sempre achei o Algarve muito propício a trabalhos destes, já com vários reconhecimentos na zona e Trindade pode vir a ser mais uma marca da ficção algarvia e nacional. Como pensas que te vais sentir se este trabalho alcançar um grande plano a nível nacional e internacional?

O Algarve tem um potencial imenso para produções cinematográficas. Para além de termos um número de horas de sol ridiculamente elevado, a cidade, a praia, o campo e a montanha estão todos separados por poucos quilómetros, sendo algo que eu e a minha equipa estamos a aproveitar na nossa próxima produção. Nos últimos 5 anos o número de produções e produtoras na região tem aumentado de forma dramática, o que é muito bom sinal para os profissionais que cá estão e para o desenvolvimento da indústria fora das grandes metrópoles. Quanto aos níveis de sucesso do Trindade, para mim, sucesso a sério era que este filme fizesse a diferença na vida de alguém para melhor. Em termos de prémios e crítica, se contribuírem para que eu consiga continuar a fazer o que gosto com pessoas de quem gosto, melhor ainda.


Alguma dica de quando Trindade estará disponível ao público? Ou em que festivais os nossos leitores vão poder acompanhar o vosso trabalho?

Ainda não temos confirmações da estreia nacional ou internacional. Mas posso desde já adiantar que gostaria imenso de ter o Trindade a passar pelas várias cidades Shortcutz do país... Para saberem quando vamos estar próximos de vocês é só ficarem atentos ao nosso Facebook, @trindadeshort

Sei que ainda há muito trabalho de divulgação pela frente, no que toca a Trindade, mas há por aí algum plano do que poderá surgir depois? A ideia é continuar a realizar?

Lá está: se eu conseguir continuar a fazer o que gosto com pessoas de quem gosto, não me interessa muito o contexto. No que concerne à realização tenho uma curta-metragem mais experimental em pós produção, alguns projectos de videoclips em mãos e 80% da minha próxima curta de ficção gravada, que terá a sua ante-estreia em novembro deste ano. Entretanto vou ser co-protagonista do novo filme da realizadora Ana Monteiro, estrear uma peça de teatro em inglês em Faro e esperar resposta para alguns projectos em Lisboa.


E é assim que ficámos a conhecer um pouco mais deste trabalho e também do seu criador e realizador. Esperemos que tenham gostado e principalmente tenha surgido o bichinho para saberem mais acerca dos trabalhos deste jovem realizador. Por aqui no Café Mais Geek vamos continuar a acompanhar o seu trabalho e desejamos votos de muito sucesso.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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