CARTAS A UM JOVEM ESCRITOR : Os conselhos do vencedor do National Book Award Colum McCann


Os conselhos essenciais de Colum McCann para quem quer dedicar-se à escrita

A boa escrita combina arte e verosimilhança. Isto aplica-se à ficção, à não ficção, à dramaturgia e à poesia, até mesmo ao jornalismo. É um exercício de equilíbrio constante entre a verdade e a invenção. A verdade tem de ser moldada. E é preciso muito trabalho para se lá chegar.

Cartas a um jovem escritor
Tradução de Eugénia Antunes
196 Págs. l 14,00€
Disponível a partir de 15 de Novembro

Escrever bem não depende apenas do talento, o esforço também conta e o treino é fundamental. Cartas a um Jovem Escritor é um livro pequeno em tamanho, mas enorme na quantidade de sugestões e conselhos para quem pretende escrever melhor ou até tornar-se escritor.

Colum McCann considera que nisto de escrever não existem regras; ou, então, se existem, servem apenas para serem quebradas. Conforme-se com estas contradições. Deve estar preparado para segurar duas ou mais ideias opostas na palma das mãos em simultâneo.

Para McCann a primeira frase deverá abrir a sua caixa torácica. Deverá entrar-lhe pelo peito adentro e virar-lhe o coração de pantanas. Deverá insinuar que o mundo nunca mais será o mesmo. Para quem simplesmente não consegue começar a escrever, o conselho do escritor é o seguinte: não permita que o terror da página em branco envolva a sua mente em celofane. A desculpa de que sofre de bloqueio de escritor é demasiado fácil.

(…) Deixe estar o rabo na cadeira. O rabo na cadeira. O rabo na cadeira. Continue a olhar para a página em branco.
E como surgem as ideias? Só tem de estar recetivo ao mundo. É esse o truque. Tem de estar à escuta. E tem de estar alerta. Tem de estar aberto à inspiração. A ideia geral pode vir do jornal, pode surgir de uma frase escutada no metro, pode ser a história que estava guardada no sótão da família. Pode ter nascido de uma fotografia ou de outro livro, pode tê-lo arrebatado por uma qualquer razão desconhecida. Pode ter sido o desejo de confrontar um assunto mais vasto: a devastação do meio ambiente, as causas primordiais que levam pessoas a pilotar aviões contra edifícios, as horríveis notícias sobre as eleições. Tanto faz. Nenhuma história é melhor do que outra. Tudo o que sabemos é que precisa de ser contada ao mundo e que há que começar a investigá-la.

Mais: é possível criar personagens a partir do pó. Por vezes, pegamos numa personagem do nosso círculo próximo e construímos uma nova pessoa por cima daquele espantalho. Outras vezes, pegamos em figuras bem conhecidas da história e damos-lhe novas formas. Seja como for, temos a responsabilidade de lhes dar vida por meio da escrita. Devemos tanto à nossa imaginação quanto devemos à história.

Para quem teme a construção dos diálogos, não há que ter receios. Para o autor, o diálogo escrito não tem obrigatoriamente de seguir regras gramaticais. Desarrume as frases como lhe der na gana. Tem liberdade para deambular. Liberdade para explorar.

Se já tem o livro todo sublinhado, ou com post-its, então saiba que ainda vamos a meio. Procurar a Estrutura, Onde Devo Escrever, Curso de Escrita Criativa: Fazer ou Não Fazer?, Devo Ler Enquanto Escrevo?, Porquê Contar Histórias?, Sinta-se Exausto Quando Terminar, entre outros capítulos, incluem igualmente dezenas de preciosos conselhos, sempre neste registo muito claro e objetivo, para quem gosta de escrever, quer escrever melhor ou ambiciona escrever um livro.
Cristiana Ramos
Escrito por:

Dividida entre o mundo da Ciência e o mundo Geek. Viciada em livros e em roer as unhas. Espectadora assídua no cinema, especialmente se aparecer um certo Deus com cabelos loiros. Adora filmes de terror. Louca por cães (quase de uma maneira doentia), mas eles são tão fofos! Romântica incurável (apesar de não admitir).  Fã de Friends, GoT e Big Bang Theory. 

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