Acabei de Acabar

Shadow of the Tomb Raider

Playstation 4

Shadow of the Tomb Raider


Shadow of the Tomb Raider, jogo da Square Enix, com desenvolvimento a cargo da Eidos Montréal com apoio da Crystal Dynamics, entrega aos fãs de Lara Croft, a arqueóloga mais aventureira que o mundo dos videojogos já conheceu, um novo capítulo da saga que começou já em 2013 com Tomb Raider, seguindo-se depois em 2015 com a sequela Rise of the Tomb Raider. Estes jogos deram uma nova vida a uma série que andava pelas ruas da amargura e conseguiram trazer novamente Lara Croft ao mundo dos sucessos.

Lara está mais adulta e precisa agora de enfrentar as consequências de toda a história dos dois primeiros jogos de forma a conseguir evitar um apocalipse. Muitas novidades no sistema de combate, mas um gameplay que se mantém fiel aos anteriores, este jogo foca-se principalmente numa narrativa forte. Shadow of the Tomb Raider chega à Playstation 4, Xbox One e PC em simultâneo no próximo dia 14 de setembro. Haverá três edições, a normal, a Croft Edition e claro uma edição de colecionador com uma estátua da protagonista. Mas vamos ao que interessa.

Podemos garantir que em Shadow of the Tomb Raider vão se deparar com uma aventura digna. A experiência incrivelmente cinematográfica que nos é transmitida ao longo deste jogo é de tirar o chapéu aos responsáveis por esta obra. Se em 2013 conseguiram oferecer uma experiência como há muito era pedida, conseguindo aliar o universo de Lara Croft ao estilo de jogo muito amado criado em Uncharted então neste terceiro capítulo esmeraram-se por completo.

É interessante que este género de jogos oferece uma experiência visual tão grande que consegue deixar qualquer um deslumbrado a cada passo que damos com a nossa personagem. Os ângulos da câmara aliados aos seus movimentos suaves, demonstrando paisagens de cortar a respiração são dos pontos mais fortes no que toca ao aspeto gráfico deste jogo. Está belíssimo e é difícil encontrar momentos onde não ficamos realmente agarrados à imagem. Claro que isto não seria possível sem o tom escolhido.


Se no segundo jogo tínhamos todo um tom frio devido aos locais onde esse se passava, aqui vamos exatamente para o oposto. Quando a nossa aventura se passa entre a América central e a América do sul é normal e muito bem realizado que as tonalidades sejam mais quentes e de acordo com o espaço envolvente. Mesmo quando nos encontramos no interior de cavernas nada é demasiado escuro ou demasiado irrealista. E todos os momentos onde andamos debaixo de água? Há vários momentos subaquáticos ao longo deste jogo e se ao início foi um pouco estranho e até mesmo claustrofóbico o certo é que depois de habituar as coisas começam a mudar de figura e começamos a apreciar todo aquele ambiente cheio de vida.

As sequências subaquáticas ganham muito pelos controlos precisos com que controlamos Lara. Muito bem construídos e deixam sempre uma sensação de medo. Sim, estou a dizer bem. Em vários destes momentos senti um tremendo desespero em encontrar locais para respirar. Acelerar o personagem, ver que o caminho estava a estreitar cada vez mais, arrepender por ter tomado o caminho mais longo só para explorar uma coisa que afinal de contas valeu a nossa morte... Não é frustrante, mas vai arrepiar qualquer um quando começarem a sentir o personagem a ficar sem ar e parece que nunca mais chegamos a um local seguro. Sem dúvida que são dos momentos mais aflitivos.

A forma como jogamos aqui é bastante idêntica aos anteriores, por isso os fãs não vão achar nenhuma estranheza, mas há algumas coisas que mudaram ou foram melhoradas. Os combates são um dos pontos aqui muito bem trabalhados. Não são tantos, pois este jogo é mais focado em oferecer grandes experiências de puzzles do que de situações de tiroteio, mas nas que existem os controlos são fáceis de manusear e mesmo para quem não está muito habituado em mirar com comandos de consolas vai se sentir confortável nestes momentos.

Algo excelente destes pontos em que temos de eliminar uma frota de inimigos é mesmo a possibilidade de fazermos tudo pelo silêncio e ir eliminando um a um sem alertar ninguém. O facto de oferecer esta possibilidade acaba por tornar tudo mais dinâmico e principalmente pessoal. Garantimos que cada pessoa vai ter uma experiência bem diferente durante a sua jornada, podendo atacar tudo e todos sem qualquer cerimónia ou sendo um pouco mais prudente, aguardar, perceber os movimentos dos inimigos e só depois dar cabo de todos.

Neste jogo a equipa de desenvolvimento criou uma experiência única para cada jogador, tornando um caminho linear em tantas possibilidades de avançar que acabamos por esquecer por completo que não há um grande espaço de exploração. Mas isto é só uma pequena parte do jogo. Em grande parte do tempo, Lara encontra-se sozinha tentando desvendar uma forma de passar ao próximo desafio. São puzzles inventivos e alguns carregados de tensão que nos levam a uma aventura bem ao estilo de Indiana Jones. Podem acreditar que não vão faltar momentos em que se vão sentir na pele de reais exploradores.

No jogo temos uma completa árvore de capacidades que vamos evoluindo para que todos as ações se  tornem mais fáceis de executar. A construção desta arvore é bem simples e lógica. Para quem não gosta nada deste tipo de opções e quer apenas fazer uma aventura acreditem que não vos vai fazer perder muito tempo e no próprio desenrolar do jogo vão evoluindo características automaticamente. Estas possibilitam aumentar capacidades em três áreas distintas. Por um lado temos o combate, a exploração e a coleção de objetos. Além disto, a única coisa que precisamos de ir evoluindo é as nossas armas que de tempos a tempos vai disponibilizar melhoramentos possíveis. Tudo isto vai auxiliar em muito o avanço na história, principalmente quando alcançamos momentos mais finais onde começamos a encontrar zonas e combates realmente desafiantes.


A história, que seguida diretamente demora em torno das 15 horas, pode ser acrescida de mais 10 horas de aventuras graças aos túmulos secundários que vão surgindo pelo caminho. Esses normalmente necessitam de algum tipo de ferramenta que podemos ainda não ter e criam uma ideia de exploração e mesmo de re-jogabilidade maior ao jogo. Aqui a história funciona como uma conclusão a esta trilogia, ou a este capítulo de Lara, se assim preferirem. E se funciona bem assim? Muito bem mesmo. Conseguimos perceber perfeitamente a evolução que a personagem teve ao longo dos três jogos e ainda levam o jogador a uma experiência na infância de Lara, mostrando a sua vida antes de se tornar uma caçadora de túmulos com apurado instinto de sobrevivência. Uma história bem construida, dentro do que se pode esperar para um jogo desta saga e com um final que deixa tanto de conclusão como de preparação para futuros títulos.

Infelizmente este jogo não consegue ser a total obra de arte que merecia ser. Tem alguns problemas. Nada que destrua a experiência, muito pelo contrário, a experiência está intacta do inicio ao fim e como já tiveram oportunidade de entender é sem dúvida única. Acho que posso seguramente dizer que está está entre os melhores jogos de toda a saga Tomb Raider. Mas como disse tem alguns problemas e muito à custa de na sua grande maioria apenas dar uma ideia de liberdade, quando na verdade temos um caminho bem direto e linear. Não estamos a dizer que precisava de ser um jogo em mundo aberto como muitos fazem, mas pelo menos que houvesse uma maior liberdade de exploração e de resolução de puzzles. Se no que toca aos combates nos dão uma completa liberdade de avançarmos da forma que queremos, já no avanço da história é sempre por um caminho fixo. Falta aquela sensação de exploração e captura de tesouros que o jogo original de 1996 oferecia ao utilizador. Acho que podemos dizer que este é o ponto onde realmente parece faltar algo a este jogo.

Shadow of the Tomb Raider prometeu e cumpriu, apresentando um título com uma boa dose de horas de divertimento e entretenimento sem se exceder em demasia. Uma história cativante e que nos apresenta tudo o que faltava apresentar sobre o desenvolvimento de Lara como uma heroína aventureira e caçadora de túmulos. Não é um jogo perfeito, mas é um obrigatório para todos os que gostam do género e acreditem quando vos digo que se os primeiros dois jogos foram uma experiência única para vocês, então este aqui é a combinação de tudo que era bom com extras que vão melhorar em muito o vosso jogo.

Já está disponível para a Playstation 4, Xbox One e PC.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Sem comentários:

Enviar um comentário