Crónicas de um Jogador

The Punisher

Megadrive

The Punisher


Chegado a Coimbra, fui ter com um grande amigo meu que se intitula comerciante de artigos usados, de jogos e livros, tudo o que possa de direito ter valor para ganhar a vida! Diz-me ele com calma que, já que ando a escrever uns artigos, tem um jogo na sua colecção particular que custa quatrocentas libras, mais ou menos quatrocentos e cinquenta euros. Como sendo ele comerciante logo desconfiei, não pela profissão mas sim por ele (normalmente inflaciona o seu artigo para uma boa venda), porém após uma pesquisa rápida vi que ele estava cheio de razão. Em passo apressado desci as escadas até à sua casa e vi aquela relíquia, era o The Punisher!

Depressa fui levado no tempo, nas primeiras imagens que vi no ecrã, o porte directo do jogo em Arcada. No famosíssimo restaurante “o Côta”, existia uma salinha com flippers e máquinas de Arcada, as quais eu triturava com a inocência de criança. O meu querido avô lá dava as moedinhas de cinquenta escudos que me permitiam ter o prazer de andar a bater nas maléficas figuras que apareciam no ecrã.

Sob a égide da Capcom, Frank Castle, anti-herói da Marvel, exerce justiça através de assassinatos, extorsão, violência e tudo o que for necessário para derrubar criminosos e líderes do crime. Exactamente como na arcada, é-nos apresentado a sua história, antigo membro das forças especiais, vê a sua família assassinada pela Máfia, por terem presenciado uma execução que não deveria ter testemunhas… assim nasce o Punisher! Nesta trama em específico a batalha deste justiceiro é contra o Kigpin, grande vilão da Marvel que enfrentou heróis como o SpiderMan e o Daredevil.

O jogo em si é um side scrolling beat’em up, ou seja, andar à porrada com todos os canastrões que nos aparecem à frente! Neste sentido vale tudo, pistolas, facas, shurikens e katanas, lança-chamas e machados da época medieval (se não são parecem), contra inimigos que são no mínimo estranhos. Fruto da época, é óbvio que temos aqueles mafiosos e trafulhas bem ornados com calças à militar, cavas, calções e óculos “à Spitfire” (sempre achei piada a esta expressão). Na sua variedade e alguma classe, (alguns meninos de fato e gravata), achei curioso com os robots que tinha como inimigos, armações metálicas humanóides que poderia jurar que tinham saído do exército do Terminator! Aliás, este jogo está cheio de robots! Existe até um boss, épico e magnânimo parecido com um centauro, exceptuando a parte cavalo, pois no boss essa parte é a de um tanque! Também tem outras curiosidades, como poder-mos escolher passar o jogo em dificuldade fácil! Por um momento fiquei espantado, mas ao passar o jogo descobri que a dificuldade normal em si já não é nada simpática. A atenção ao detalhe na origem deste “herói” está latente no jogo. É delicioso ver aqueles “Blam” a aparecerem quando desferi-mos um pontapé ou um soco em qualquer vilão, referência directa às onomatopeias dos comics. Além destes detalhes, existe a possibilidade de jogar com duas pessoas onde a personagem secundária é o Nick Fury!!!

Este jogo tem tudo, sair da arcada para a MegaDrive, e conseguir reproduzir tão bem o original é único. O divertimento foi uma constante e a nostalgia também. Custou-me acabá-lo de jogar... As minhas mãos tremiam com tanto button smashing e os olhos embargados pela saudade que as memórias de infância traziam. Foi solene a forma como voltou a ser arrumado na sua capa, envolvida pela respectiva sleeve, para um até já, brevemente!
Armando Mateus
Escrito por:

Gamer dedicado, leitor apaixonado e escritor nos tempos livres. Fascinado por um todo produzido pela Sociedade: a Cultura, o símbolo dos velhos e dos novos tempos!

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