Uma nova Comic Con Portugal


Como já todos devem saber entre os dias 6 e 9 de setembro de 2018 ocorreu a quinta edição da Comic Con Portugal e desta vez muita coisa mudou, muita mesmo. Antes de mais ocorreu em Lisboa ao invés do Porto. Em segundo foi a primeira convenção do género a ser feita maioritariamente ao ar livre. Por fim a organização do espaço estava absolutamente diferente do que estamos habituados a ver.

Estivemos presentes dois dias nesta edição. Sábado e Domingo. Como de costume o Sábado é sempre o dia mais confuso. Com muita gente, segundo a organização batendo mesmo o recorde do número de pessoas em um dia, com cerca de 40.000 a marcar presença. Já os restantes dias, os números reduziram para cerca de metade no alcançado no Sábado, sendo o Domingo aquele que registou mais pessoas com cerca de 25.000. Atenção que estes números não são, como é óbvio, exatos e são os que a organização veio a informar durante o fim de semana.

O espaço apresentado este ano criava uma maior facilidade na movimentação entre pavilhões e stands. Devido ao formato, este aspeto é talvez dos mais positivos com uma grande liberdade de movimentação em todo o evento, criando apenas mais confusão na zona da restauração à hora de almoço. Falando já da restauração, esta foi a maior de sempre e estava deslocada em toda a largura do evento. Em contraste com o resto, as mesas estavam extremamente juntas e era difícil de nos deslocarmos entre elas, havendo mesmo locais onde as pessoas tinham obrigatoriamente de se levantar para que outras conseguissem sair ou entrar. No restante espaço exterior, apenas se encontrava mais confusão junto de algumas bancas e stands de atividades, especialmente na zona Cinema & TV. O calor acabou por ser um dos grandes problemas do fim de semana. Como um evento para todas as idades, este devia facilitar o acesso à água, visto que era proibido entrar com garrafas de água fechadas. Além disso achamos que tal como em muitos festivais de música, à entrada podia ser oferecido um chapéu para proteger do Sol, ao invés de uma fita porta-chaves ou outro tipo de ofertas que acabam por ser meros acessórios sem sentido. O espaço não tem praticamente nenhuma sombra e o interior dos pavilhões é o único espaço onde podemos escapar ao Sol. A zona de Cinema & TV era o local onde menos sombra existia e onde maiores filas existiam devido a ser o local de maiores atividades. Um problema que verificamos ao longo do fim de semana foi que houve vários problemas devido ao vento. No Domingo, o local da Cinemundo ficou praticamente destruído, assim como muitos stands externos tiveram vários problemas. Houve lonas enormes da Comic Con, que se encontravam à entrada de tendas como Hasbro, 501st Legion, Lego, etc, que foram arrancados do chão, tendo mesmo um deles acertado num membro da nossa equipa, que felizmente o ferro passou apenas de raspão e não magoou.

Os espaços internos já são outra história. Nem todos estavam com igual organização. Primeiro, existiram tendas que em certas horas se tornavam insuportáveis devido ao calor, como por exemplo a tenda da Nostalgia. O ar condicionado era insuficiente e ficava tudo muito abafado. Além disso muitas tendas não tinham capacidade para o número de bancas que lá se encontravam. Um caso desses foi a tenda Pop Asia e a tenda Artists' Alley. Em ambas era extremamente complicado de nos movimentar e na segunda que referimos tinha uma organização sem qualquer sentido, principalmente em uma das pontas. Já as tendas maiores tinham uma maior área de mobilidade e o calor conseguia-se suportar. Com áreas muito maiores de circulação do ar acabavam por ser tendas como a de Gaming onde se conseguia estar melhor. Devido às infinitas queixas por parte dos cosplayers em relação ao espaço do evento, a organização criou aquilo que para nós foi das coisas mais bem pensadas. Uma tenda dedicada para o cosplay com zonas próprias para que conseguissem vestir-se ou retocar os fatos e maquilhagens. Um espaço bem pensado e que pensamos ter sido do agrado dos cosplayers presentes no evento. Por último referir que os auditórios era mais um dos pontos positivos. Os principais eram grandes o suficiente e com uma estrutura e organização definida como é habitual neste tipo de eventos. 

Queremos ainda deixar uma nota para a organização do evento de forma geral. Houve vários momentos em que a organização do evento nos deixou bastante reticentes. Desde uma má gestão dos espaços até à desorganização total no que toca ao que acontece em cada local. Houve mudanças de locais sem qualquer aviso prévio. Podemos mesmo dizer que foi por um completo acaso que conseguimos ver os Galardões BD. Alterações de horário com avisos em cima da hora ou mesmo sem qualquer aviso. Acontecimentos que não tinham informação em lado algum, levando a que estivessem completamente vazios ou perto disso. Houve uma série de acontecimentos que demonstraram, apesar de já ter sido há 7 anos que começaram a construir o primeiro evento, algum amadorismo por parte da organização. Compreendemos que este evento foi organizado em menos tempo, num espaço de 6 meses criaram algo que na primeira edição demorou 2 anos a ser organizado, mas como costumamos dizer se não tinham capacidade para organizar tudo em condições neste espaço de tempo, tinham realizado o evento na data habitual ou em caso mais extremo passavam mesmo este ano em branco.

Sabemos perfeitamente que é sempre mais fácil debitar aqui críticas do que propriamente organizar em condições um evento destas dimensões, mas também achamos que se há coisas que estão mal devem ser referidas para que num próximo evento possa haver melhorias. Se o evento naquele espaço trouxe as suas vantagens, principalmente em espaço do local, também teve as suas desvantagens e poderia ter sido bem pior, se a chuva que ameaçou no Sábado de manhã tivesse continuado ao longo do dia. É preciso perceber muito bem o que se fez mal e esperamos que no próximo ano possamos ter um evento ainda melhor. Já que mudou para o Passeio Marítimo de Algés e se vai ficar por lá mais algum tempo, então que fique melhor a modos que consigamos tirar a melhor experiência desta nossa Comic Con Portugal!

Queremos terminar agradecendo a um grupo de pessoas que nos proporcionou um grande fim de semana. De forma alguma queremos numerar ou destacar algum destes e todos tiveram o seu contributo para que esta fosse uma grande Comic Con. Queremos por isso agradecer a todos os nossos seguidores que nos foram acompanhando ao longo do fim de semana. Sem vocês não valia a pena tudo o que fazemos. A seguir queremos dizer que foi um prazer finalmente conhecer algumas caras que há muito nos seguem e que nós também vamos seguindo os seus trabalhos. A Lotas do canal Na Mira, o Fábio do canal Playing Season e o Telmo do site Meus Jogos. Queremos ainda dar um especial agradecimento a toda a equipa do Séries da TV. Por nos ter proporcionado um momento diferente com o TV Cine e Séries, por nos ter guardado a mochila durante maior parte do Domingo e claro por todas as informações que nos foram proporcionando ao longo do fim de semana. Já trabalho com esta equipa há imensos anos e por isso nunca é demais agradecer todo o apoio que nos deram estes dias. Ao Miguel Jorge, que novamente fizemos questão de estar com ele e conversar um pouco sobre vários temas. Na sua banca era possível encontrar o terceiro volume de Apocryphus, que em breve teremos uma opinião aqui no blog, assim como outros trabalhos deste fantástico artista. O José da G Floy Studio - Portugal, que tem vindo a ser muito importante no nosso projeto, com um apoio que nunca nos vamos cansar de agradecer. Não tivemos oportunidade de conhecer o Nuno da MEBO Games, devido a excelentes noticias diga-se desde já e mais uma vez muitos parabéns, mas tivemos com o Rodrigo que foi também excelente, assim como todos os que se encontravam na banca da MEBO. E depois de na edição do ano passado conhecermos o Jorge e o Gonçalo da Nintendo Portugal, este ano tivemos a oportunidade de passar uma boa dose de tempo na secção da gigante dos videojogos, numa conversa muito divertida e interessante. Um grande momento de Sábado que sem dúvida não iremos esquecer. À Margarida da Saída de Emergência, que graças ao seu trabalho tivemos os nossos volumes de Monstress autogrados pelas autoras. E já vai longa esta lista, mas não podiamos deixar esta nota em branco, pois para nós são estes momentos que fazem valer a pena tudo o que aqui fazemos. Muito obrigado.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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