Venom



Quando todo a publicidade de um filme deixa qualquer pessoa sem qualquer entusiasmo para ver um filme acabamos a nem sequer nos dirigir ao cinema ou então as nossas expectativas vão completamente no fundo do poço. Acho que foi exatamente isso que senti quando me dirigi aos cinemas para o visionamento de Venom, uma dose de expectativa extremamente baixa. Mas por vezes isso até é uma forma de sairmos surpreendidos. Venom não faz a estreia deste vilão/anti-herói no cinema, mas é a primeira vez que se torna protagonista de uma história só sua. Com Tom Hardy a protagonizar com o papel de Eddie Brock, bem conhecido pelos fãs de Venom, mas aqui tem um especial espaço para o lado bom. Do outro lado temos Riz Ahmed que interpreta Carlton Drake, que depois de apanhado por um simbiótico acaba como Riot. Como última personagem central temos ainda Anne Weying, que é interpretada por Michelle Williams, também bem conhecida do mundo do cinema. Mas o nome que estás por trás de toda esta adaptação é Ruben Fleischer, que é um realizador com um belo reportório onde se inserem filmes como Zombieland, Força Anti-Crime e Entrega Armadilhada, sendo estes vários filmes de que gosto bastante e onde o realizador mostrou a sua capacidade em criar estilos bem diferentes. Mas vamos ao que interessa.

Em Venom começamos por conhecer a forma como os simbióticos chegam ao planeta. Uma exploração espacial, que ao chegar à Terra algo corre mal e a nave acaba quase completamente destruída. Depois de uma enorme operação de resgate por parte do grupo Life Foundation ficamos a saber que as amostras sobreviveram e um tinha escapado. Depois de várias coisas terem corrido mal passamos a conhecer Eddie Brock e o seu trabalho em jornalismo de investigação. Este trabalho irá levá-lo até à organização onde se encontram os simbióticos e a partir daqui já é possível perceber uma grande parte do que vai acontecer.


Contamos com uma introdução interessante, onde são apresentados vários elementos da história de Venom, conseguindo oferecer muito conteúdo para os fãs dos comics, onde as referências são imensas. Acho especialmente que o filme funciona como uma boa introdução ao personagem, sem ficar apenas por aqui, oferecendo uma experiência completa, mas que peca muito pelos notórios cortes que parecem ter sido feitos no final da produção. O ritmo nem sempre é o mesmo e se inicialmente somos introduzidos de forma calma e bem explicada, conforme avançamos na trama as coisas começam a ficar estranhamente aceleradas, mesmo quando não deviam.

Mas um filme destes só funciona com grandes efeitos especiais e neste campo não falham. A Sony sabe bem que um filme de alto orçamento com maus efeitos pode ser a morte efetiva de uma saga - é só ver a história do bigode de Super Homem no filme Liga da Justiça -, por isso é fácil entender que o trabalho nesta área foi feito de forma exemplar. Com um Venom muito bem desenhado e que realmente surpreende. E o que realmente me surpreendeu muito foi a forma como foi dada uma personalidade ao próprio simbiótico, algo que sinceramente não esperava que o fizessem, mas que na minha opinião funcionou bem. Oferece bons momentos, quer de típico vilão, quer de humor. Por outro lado e talvez tenha acontecido devido aos acontecimentos finais estarem acelerados, a ideologia do personagem muda de um momento para o outro, ficando estranho. Acho que haveria formas muito mais interessantes de dar a conhecer as motivações do simbiótico negro. Da forma como foi feito ficou apressado e quase sem nexo, fazendo perder muitos pontos a este filme.

Como bom filme da Marvel e apesar de estar longe do MCU, tivemos direito a duas cenas pós-créditos. A primeira e mais importante introduz uma possível sequela e foi talvez a parte do filme onde fiquei realmente em pulgas. Foi um momento muito bom, explicando algumas coisas que já ninguém se lembrava do início do próprio filme e ao mesmo tempo dando o arranque de mais uma história. Já a segunda cena foi mais um clip ao próximo filme Sony do universo. Para quem não sabe, em dezembro será lançado um filme de animação que vai explorar os multiversos de Homem-Aranha. Na cena final podem então observar Miles Morales ainda em notória aprendizagem para se tornar o novo Homem-Aranha. Foi um momento divertido e que me deixou bastante ansioso para ver esta nova animação.

Venom é um trabalho coerente, que não se perde muito, mas que tem vários problemas. É um filme que está carregado de censura e mesmo que isso não destrua por completo a experiência e ofereça mesmo a oportunidade de chegar a mais público, fica a faltar uma versão completa e sem qualquer censura. Quem sabe no lançamento em blu-ray não teremos acesso a tal edição. Com tudo dito este é um título razoável, que procura estabelecer uma extensão ao universo da Sony e que talvez tenha sido uma forma inteligente da empresa conseguir alcançar as massas e assim ter capacidade para avançar com novas produções. O filme ainda estreou há poucos dias, mas parece estar a agradar ao público geral, o que em termos financeiros é um ponto a favor. Aconselhamos a dar uma oportunidade, porque quem sabe vão sair surpreendidos. Não é um mau filme, mas também está longe de ser excelente.
5.5
Venom
Assim Assim
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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