Fahrenheit 451


O que é um livro para vocês? Um escape ao mundo rotineiro? Uma maneira de navegar por universos diferentes, viver aventuras e enfrentar medos? O que há de tão fascinante nas realidades paralelas que encerram? Qual é o seu significado? Porque é que são tão importantes? Será que são um mapa do pensamento do mundo?

“Fahrenheit 451” (233 ˚C, temperatura a que ardiam os livros) conta-nos a história de um mundo em que a profissão de bombeiro está maleficiada. Em vez de apagarem os fogos, são os incineradores de nada mais do que os próprios livros, e desta forma de conhecimento e de pensamento individual e livre…. Livros como a Bíblia eram vistos como perigosos, Shakespeare poderia levar a revoluções.

Neste livro a história é-nos contada pela perspetiva de Guy Montag, ele também bombeiro, que um dia, por acaso, conhece Clarisse, uma rapariga estranha e fora do normal para o estado da sociedade. Ela que olhava para as estrelas e via formas, não perdera ainda aquele presente que é a imaginação, e deixava-a a borbulhar sem se importar de dizer o que pensava. É a única com  coragem de perguntar a Montag porque queima ele os livros quando no passado os bombeiros, pelo contrário, arriscavam as vidas para proteger património, cultura, vidas. E o que são livros senão tudo isto? Clarisse tão de repente aparece com outra ousadia como desaparece, deixando para trás o bichinho em Montag fazendo-o começar a ler e perder a crença num mundo sem livros.

Ontem à noite pensei em todo o querosene que usei nos últimos dez anos. E pensei em livros. E apercebi-me de que por detrás de cada um desses livros está um homem. Um homem que teve de pensar neles. Um homem que teve de fixá-los em papel durante muito tempo. E nunca antes me tinha ocorrido isso. Um homem levou uma vinda inteira a anotar os seus pensamentos, a observar o mundo e a vida, e depois chego eu e em dois minutos, zás!, tudo acabado.

Não é caso escasso a proibição de certos livros em certos regimes ou de instituições cujo objetivo é combater a “heresia”, Inquisição. Todos estes marcos na História Mundial mostram o medo de como os livros podem ser as acendalhas para revoluções, como fontes de conhecimento, imaginação, pensamento e esperança de poder um dia escapar à realidade vivida. Este livro retrata uma sociedade sem livros, sem pensamento. Montag é casado com uma total estranha que não o vê e que passa os dias a falar com pessoas que ela “conhece” num ecrã gigante e que a única coisa que quer é a parte material e quando a vê ameaçada é capaz de expor a nova realidade literária do marido ao seu chefe, Beatty. Montag vê-se um fugitivo, um marginalizado, alienado de uma sociedade vazia em que a única salvação é esta mesma decair para sestyle="display: none;"nder a chama do pensamento, podendo encerrar um passado fantasmagórico e sugerir um novo futuro. Das cinzas, uma fénix que renasça.

E quando a guerra acabar, um dia destes, um ano destes, poderemos voltar a escrever livros, e todas essas pessoas serão chamadas, uma a uma, para recitar o que decoraram, e voltaremos a imprimir tudo isso de novo, até que venha uma nova idade das trevas, e lá teremos de repetir a coisa. Mas é isso que a humanidade tem de maravilhoso: por mais desencorajamento e terríveis que sejam as circunstâncias, nunca deixa de voltar a tentar, porque sabe se há coisas que são importantes e merecedoras do risco da tentativa.

Apesar deste livro ter saído nos EUA em 1953, é possível fazer o paralelismo para a sociedade atual, em que o Fahrenheit 451 retrata não só o uso de livros como a espada e a pena na luta contra a censura, como também, a perda do interesse pela leitura e da sua substituição pela televisão e redes sociais que tornam pessoas fantasmas e cidades em mausoléus. Livros dão-nos asas para viajar e fugir a uma realidade atormentadora, por isso lembrem-se cada livro que leram guardem na memória, porque cada pedaço dese livro é um pensamento, é o mundo à espera de ser descoberto, é um rastilho para uma ideia, uma acendalha para revolução, é uma declaração de liberdade e o mais importante é um sussurro honesto de imaginação e de genialidade.
Andreia Cunha
Escrito por:

Estudante na bela cidade de estudantes e amante geek de livros e, principalmente, séries e filmes. Adoro tudo o que seja de universo de ficção científica e fantasia, porque não há nada melhor para fugir à realidade.

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