O Primeiro Homem Na Lua


O Primeiro Homem na Lua não é uma ficção por si só, por isso fica já à partida o aviso para isso mesmo. Este filme é uma biografia ficcional, que conta a história de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar  solo lunar em 1969. Aqui somos transportados para toda os primórdios deste senhor, onde ainda pouco tinha a ver com a NASA, mas já se submetia a testes de viagens para lá da atmosfera. Não há muito a dizer sobre a história para aqueles que já conhecem a vida dele, pois o filme apenas torna tudo num ambiente ficcional, não fugindo à realidade daquilo que realmente aconteceu. A ida para a NASA, os testes que os candidatos passaram, todo o trabalho e horas sem dormir, perder os colegas de um dia para o outro, até finalmente conseguir consagrar a sua derradeira viagem, que o levou a milhares de milhares de quilómetros da terra e a ser o primeiro humano a pisar solo extraterrestre.

Não há muito mais a referir da história, mas de indicar aqui que é um filme pesado de se ver. Não é para todo o público e é preciso mesmo ter um fascínio por esta aventura para se aguentar o tempo de filme. A história de Armstrong resume-se basicamente à viagem de Apollo 11 e traduzir isso para um filme levou a enviar os espectadores numa viagem ao mais profundo das emoções. O filme carrega muito pelas frustrações e por tudo o que aquele homem teve de passar até finalmente ir numa viagem. É de realmente deixar qualquer um boqueaberto, mas por outro lado mostra também que estando dentro da elite de candidatos foi a Armstrong que se tornou o nome principal daquele vôo e tal como outros podia nunca ter chegado ao seu destino final. O reconhecimento deste homem e deste nome é realmente uma obra do acaso e o filme, talvez sem essa intenção, acaba por mostrar isso mesmo.

Aqui temos um tipo de realização que usa e abusa do estilo documentário com planos muito semelhantes aos que encontramos nesse género, talvez numa tentativa de tornar tudo mais real e em cima disso ainda leva com um granulado existente em todo o filme, dando um belo envelhecimento a todas as cenas presentes. É um estilo que pareceu estranho a início, mas conforme foi avançando lá se entranhou e acaba por dar todo outro ar a esta película. Um aspeto que no final das contas acabei por apreciar bastante. No fundo é um filme que está bem trabalhado nas várias questões técnicas que o definem. Quer a realização, a edição, os efeitos e a fotografia estão no ponto para formar uma película bem completa e com um formato de certa forma peculiar para estas biopics.

Este não é o filme mais extraordinário de sempre, mesmo dentro do género não chega lá ao topo. Tecnicamente é realmente muito bom e tudo funciona bem, com um trabalho que nos apresenta uma qualidade digna, mas as suas falhas acabam por recair na sua história, que parece se ter perdido em algo que não seria bem o que o público esperaria neste filme. Não conheço toda a vida de Neil Armstrong, mas ficamos com a sensação que havia tão pouca história para contar sobre este homem que acabaram a focar tudo nas emoções de Neil. Acho que haveria forma mais interessante para contar esta história do que a forma como foi feito. Ao final das contas ficamos com um filme que podia ser realmente excelente, mas que acaba apenas bom.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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