Pokémon - Um regresso ao passado


Finais da década de noventa, estava eu descansadinho em mais uma aula da escola primária quando algo acontece, um aluno novo chega à turma! Um miúdo baixo, gordo e de feições rudes, mas muito simpático entra nas nossas vidas, com as novidades do novo mundo que ele deixou, a América! David “a bolacha americana” Gomes (eramos tão mauzinhos na primária!) vem com cartas com bichos esquisitos desenhados, e já trazia um GameBoy Color com um jogo que nunca vi! Se não foi pela mesma altura que estreou o Anime de Pokémon em Portugal, foi pouco depois de o Gomes ter chegado, porque acho que foi mesmo este o primeiro contacto que tive com os Pocket Monsters!

Lembro-me que achei estranhos aqueles cartuchos para GameBoy, um azul e outro vermelho, com um boneco a andar e a apanhar aquelas criaturas, sem razão aparente! Não estava familiarizado com aquele tipo de videojogo, mas depressa fui afectado pela magia!

Com o Anime eu acompanhava a aventura do Ash, Misty e Brock logo de manhã, antes de ir para as aulas, acompanhado com uma caneca de leite com chocolate no Centro de Acolhimento. Pouco depois tive o meu primeiro jogo Pokémon, o Amarelo! Esta versão, a terceira da série da primeira geração tinha as suas particularidades, mas com a mesma filosofa!

Depressa chorei por um cabo Link, trocar Pokémons era uma prioridade para ser um Pokémon Master! O facto de a consola ser GameBoy Clássico, Pocket ou Color não interessava, a compatibilidade do jogo nestas plataformas permitia a sua popularidade, mais ainda a obrigatoriedade de trocas para ter certos Pokémons para evolução! Como me chateei com o João Paulo por ele não me ter devolvido um Graveler que evoluiu numa troca para Golem, mas depois também não lhe ensinei o segredo da clonagem anos mais tarde! 

A malta combinava sítios estratégicos para troca, como os eventos de doação de sangue! Os papás iam fazer o seu dever à sociedade, e nós, pequenos colecionadores e treinadores, ficávamos sentados nas escadas da Câmara Municipal a trocar os bichinhos e impressões! Foi assim que aprendi algumas curiosidades e tentei aplicar alguns mitos! Muitas tentativas frustradas de fazer o truque do Mew, em Vermillion e Cerulean City, no entanto o do Missigno aplicou-se que nem um mimo! Mar de Kanto, entre Pewter City e Cinnabar Island, existe um pedacinho de mar onde se pode apanhar o mais esquisito de todos os Pokémons! Um erro de programação, que se transforma em um qualquer monstro do Dex em combate, excedendo o “tap” de nível cem, aparecendo ao nível de cento e vinte por exemplo! Se passasse de nível voltava ao nível um, perdendo o seu primeiro vigor, restando o velho truque só permitido na versão azul e vermelha.

Deve ter sido um dos pontos altos para as empresas de produção de pilhas, se calhar só comparado com o “Boom” de vendas de telemóveis que o Pokémon Go permitiu no princípio da febre! Muitas vezes durante o Inverno a minha avó me punha a mantinha por cima, com um café com leite e uma torrada com manteiga a acompanhar a mimice de infância. Esse grande momento sempre acompanhado pelas tentativas complicadas de apanhar o Mewtwo, e dinheirinho nas tão essenciais pilhas!

Antes da saída do Pokémon Gold e Silver, (agora em inglês pois envelheci e tornei-me poliglota na escola!), “fanaram” um dos cartuchos do Gomes! O americano não lidou bem com a ratice de um qualquer miúdo português que anos mais tarde lhe devolveu o jogo… estragado…

Estes dois jogos da segunda geração foram importantes, pois comprei o meu GameBoy Advance. Sou um orgulhoso proprietário dos dois, o que me permitiu atingir a boa marca dos duzentos e quarenta e sete Pokémons no Dex do Silver! Com os mapas de Kanto e Johto só num cartucho, este tornou-se dos melhores jogos de sempre da Saga, para mim o melhor! Com mais Pokémons Lendários e Míticos, a magia não parava, estando a febre no seu auge!

Na Escola os intervalos eram passados nas cartas Pokémon e nas batalhas de Tazos destes monstros! Grandes e vastas colecções foram feitas nestas alturas, onde até Imans de Pokémons foram lançados para ver se tinham sucesso! 

De todos os jogos só no Amarelo consegui completar o Dex, com os cento e cinquenta e um a que tinha direito! A retrocompatibilidade das trocas entre os jogos da segunda geração com os da primeira, e o truque da clonagem fizeram com que na altura fosse um Master no jogo! Conhecendo as equipas à priori dos meus colegas, aparecia com seis Mew ou Mewtwo nível cem (ou outro Pokémon qualquer), e ficava a rir-me após séries intermináveis de vitórias, enquanto ouvia brados e choros de injustiça!

Aqueles que viveram estes tempos, e os que vieram depois, tratam estes bichos como se fossem reais, figuras com alma presentes nas nossas vidas. Os jogos e aventuras passadas são das mais famosas no mundo dos jogos de vídeo, não atingidas por outras séries semelhantes. São memórias de conforto, amizade e família que este jogo conseguiu criar através de uma ideia inovadora na altura: a interacção entre jogadores! Apesar das limitações tecnológicas conseguiram-se coisas fantásticas, como obrigar pais a irem ao café para depois nós, os filhos, podermos jogar todos juntos! Depois era um emaranhado de cabos a ligar consolas e uma algazarra tremenda! 

Muitas histórias ficam por contar ainda, mas são exatamente por estas memórias e pelo que criaram que vos pergunto… Let’s Go?
Armando Mateus
Escrito por:

Gamer dedicado, leitor apaixonado e escritor nos tempos livres. Fascinado por um todo produzido pela Sociedade: a Cultura, o símbolo dos velhos e dos novos tempos!

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