Bumblebee


Graças ao lançamento deste filme acabei por dar uma olhada nas minhas antigas opiniões aos vários filmes da saga desde que escrevo sobre cinema. O primeiro nesta jornada é Transformers 3 ainda com Shia LaBeouf no papel de protagonista, algo que viria a mudar logo no seguinte capítulo quando Mark Wahlberg entra no elenco e muda completamente o rumo do universo. Parecia que a cada novo filme não era mais que uma demonstração de bonecos para vender, tendo em conta que tudo isto é baseado na clássica série de bonecos com o mesmo nome. No mais recente filme, parecia que havia ares para uma grande mudança, com Michael Bay fora da realização e uma história mais focada e interessante, mas não passou de uma ideia mal concretizada, deixando ainda assim algumas bases para um universo expandido que poderia dar novos frutos e é aí que entra Bumblebee.

Bumblebee é uma completa lufada de ar fresco nesta série e por mais cliché que esta frase possa parecer é a verdade, pelo menos para mim. A questão é que aqui souberam como construir uma narrativa profunda o suficiente para um filme destes sem sobrecarregar em aspetos pouco importantes. Temos uma relação entre a protagonista e Bee que realmente funciona e mostram uma química incrível, que vai além de uma espécie de nerd que se quer mostrar aos outros. O filme apresenta um tom que está muito na moda e os anos 80 encaixam de forma perfeita, criando um ambiente bem interessante. De tudo e algo que me tem deixado superentusiasmado nos mais recentes filmes que pegam nos anos 80 como base é a banda sonora. Cresci nos 90 a ouvir as cassetes da minha mãe e do meu tio que contavam com bandas como Police, Queen, AC/DC, Scorpions, entre tantas outras que marcaram estas datas. Graças a isso tornei-me um fã do rock dos 70/80 e agora sempre que aparece um filme que junta uma banda sonora repleta de sons que me puxam a nostalgia fica logo na minha lista de filmes a ver e rever. Bumblebee é mais um belo caso desses e faz isso tão bem como outras grandes produções.

Finalmente criou-se uma base que realmente merece ser continuada e é uma pena que Bumblebee se encontre a sofrer na bilheteira graças a atual descrença que o público tem nesta saga. Desde o primeiro filme desta saga que os criadores se foram focando nas coisas erradas e deixou de ser um filme para fãs, passando a querer apelar ao público mais geral. Apesar de um belo arranque que mostrou a aceitação dos fãs pelos novos designs, depressa se começou a desmoronar e neste mais recente capítulo voltamos à glória que todos esperavam. Finalmente, temos um filme onde passaram do ultra extremo-realismo, com todo aquele flare e sabor metálico estranho, para um estilo que representa tão bem o cartoon clássico como o realismo dos filmes atuais. É um título carregado de boas energias e grandes efeitos especiais que nos oferece uma visão clássica dos nossos alien-robots favoritos sem alcançar o ridículo que por vezes o antigo desenho animado se propunha. Este sim é uma grande forma de alcançar todo o público, agarrando as modas atuais, com uma história cativante e um ambiente que agradará todos os fãs deste universo.

Transformers soube certamente reinventar-se e espero sinceramente que consiga alcançar resultados bons o suficiente para continuar nestes termos. Uma saga que tem caído em ideias insossas e cada vez mais se tornou banal pode ter aqui a sua luz ao fundo do túnel. Encaixando uma nova história sem esquecer os antigos filmes, mas apresentando-se quase como uma forma de recomeço, por isso não vejam este apenas como uma prequela ou vão encontrar imensas incoerências com os restantes filmes. Apesar de ser um monte de efeitos especiais metálicos, Bee está realmente incrível e consegue que qualquer um se apaixone por este meio idiota e divertido robot. Bumblebee é, incrivelmente, um bom filme que merece a vossa atenção e se ainda não foram ao cinema aproveitem que ainda está disponível.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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