Green Book


"Green Book", a comédia dramática realizada por Peter Farrelly e escrita por Nick Vallelonga e Brian Currie, chegou aos cinemas portugueses.

Estrelado por Viggo Mortensen (trilogia "O Senhor dos Anéis", "Hidalgo") e Mahershala Ali ("True Detective", "Marvel's Luke Cage"), "Green Book" é baseado na história verídica de dois amigos improváveis: Tony Vallelonga, um italo-americano da classe trabalhadora, e Dr. Don Shirley, um pianista clássico afro-americano. Vou deixar-vos adivinhar que actor interpreta qual.

Como é que os mundos deles colidem? Bem, Dr. Shirley decide fazer uma "tour" pelo sul dos Estados Unidos da América (estamos a falar dos anos 60, já agora) e precisa de um motorista/segurança. Entra Tony "Lip" Vallelonga e todos os seus conhecimentos da vida nas ruas.

Então, mas qual é o problema? Qual é o desafio? Onde está a aventura? Bem, eles vão viajar de carro por uma zona terrivelmente racista, Don tem um nariz um pouco empinado e Tony tem falta de boas maneiras. A relação entre os dois é agravada pelo facto de, pela primeira vez, Tony se ver "por baixo" de uma pessoa de cor. E chega, porque aí está tudo o que é preciso não só para uma boa comédia dramática, mas para uma que facilmente será capaz de tocar bem lá no fundo.

Sem querer dar muitos mais detalhes, até porque é um bom filme para se ir descobrindo, posso dizer que os actores fizeram um excelente trabalho. Digo isso porque, para mim, parte do que faz um bom actor é a capacidade de me fazer focar na personagem que está a interpretar e em nenhuma outra e Mortensen em nenhum momento me fez pensar no seu papel mais famoso: Aragorn, da trilogia d'"O Senhor dos Anéis".

Tudo isso é muito giro, mas com 2 horas e 10 minutos, algumas pessoas podem querer fazer uma pausa a meio. Por outro lado, a história é captivante e a interacção entre as duas personagens é magnetizante o suficiente para, na minha opinião, merecer uma ida à casa-de-banho antes de pegar nas pipocas e apagar as luzes.

O "Green Book" está nomeado para 5 Óscares: Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Guião, Melhor Actor Principal (Viggo Mortenson) e Melhor Actor Secundário (Mahershala Ali). Creio que isso fala o suficiente quanto à qualidade do filme, se bem que "Lincoln" também estava nomeado e adormeci múltiplas vezes a meio. Porém, o que "Lincoln" não tinha era a comédia subtil mas incisiva que o "Green Book" implementa tão bem.

Repararam que o último nome da personagem (Vallelonga) é o mesmo de um dos escritores? Muito bem, isso é porque Tony era o pai de Nick Vallelonga. Acreditar que esta é mesmo uma história que terá acontecido também é um factor importante na apreciação do filme.

Concluindo, o filme é cómico, mas não deixa de abordar temas importantes. Porém, também não é o tipo de drama que deixa um sabor amargo na boca. Diria até que poderá ser um bom filme para ver ao domingo à tarde com a família e não duvido que irá estar na televisão nacional quando chegar o Natal.
Pedro Cruz
Escrito por:

"Spawned" em Aveiro no ano de 90, apreciador de amostras de imaginação e de criatividade, artesão de coisas, mestre da fina arte da procrastinação e... por hoje já chega, acabo isto amanhã...

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