A Possessão de Hannah Grace


Quando vou ver um filme de terror ao cinema, geralmente já sei aquilo que me espera, pois não é um género que mereça o valor do bilhete português, pelo menos na grande maioria das vezes. Não querendo deixar este género completamente excluído, por vezes lá vamos a uma sessão mais assustadora, ou não. Este foi uma escolha da Cristiana e tendo em conta o pouco que sabia sobre este título sabia à partida que poderia sair bastante desiludido, assim as expectativas eram zero. Realizado por Diederik Van Rooijen, que conta com alguns anos de trabalho, mas nenhum grande destaque, com protagonismo da atriz Shay Mitchell, que tem as suas maiores presenças na televisão. Já Hannah Grace é Kirby Johnson, conhecida como contorcionista e que aproveita tão bem esta sua habilidade para dar uma dose de realismo à sua personagem. A história é bastante simples: uma ex-polícia começa um novo trabalho no turno da noite da morgue e quando o corpo de Hannah Grace chega as coisas começam a ficar estranhas. Com uma imensidão de sub-histórias que acabam por ser absurdamente secundárias, a história vai-se desenrolando durante pouco mais de uma hora.

Falando na história, esta apresenta dois lados. Por um lado temos toda a história da possessão e dos exorcismos executados a Hannah Grace, aparecendo assim alguns personagens que vão tendo ligeira importância ao longo do filme. Por outro lado, temos toda a história da protagonista e dos seus problemas com o álcool e os comprimidos. Apesar de não muito bem explicadas, as duas histórias lá se vão encaixando e não ficando de todo mal, há certos momentos que estão longe de ter qualquer interesse. O mais interessante no meio de tudo isto é que após ter saído da sala de cinema comecei a pensar como toda aquela história até teria algum potencial se não fosse vendida como uma história de exorcismos e possessões. A forma como tudo está construído parece que haveria alguma ideia de focar em toda a mensagem da dependência do álcool e medicações, mas perde-se tudo no meio de momentos que tentam ser terror e mal conseguem fazer sentido. Todo a parte do exorcismo poderia ser removida e toda a situação do demónio podia ser uma luta da protagonista contra os seus problemas. Ficaria extremamente mais interessante e teria uma mensagem muito mais poderosa. Assim e da forma como foi vendida, esta história vai passar ao lado de muitos e não tem capacidade de mostrar aquilo que realmente poderia ter sido. Sinceramente, sinto que todos os momentos que remontam ao exorcismo parecem ter sido colocados à última da hora e em certo ponto pouca coisa ali faz grande sentido.

É um filme de terror medíocre, que não consegue assustar, nem apresentar uma história concisa o suficiente para valer o seu visionamento. Como já referi, parece haver todo um enredo que foi mal aproveitado e colocado num filme que não é o certo. Os personagens fazem o seu trabalho e sem grandes brilhantismo, mas não são de todo péssimos. Um elenco altamente desconhecido que faz o seu trabalho e nos proporciona com personagens cheias de potencial. Destaque para a Kirby Johnson, atriz, modelo e contorcionista, que faz o papel da diabólica e possuída Hannah Grace, que leva o seu papel ao mais alto do realismo, reproduzindo todos os movimentos por ela própria. Dentro de um género onde os efeitos especiais são e sempre foram importantes para dar o máximo de realismo às cenas mais violentas, Johnson faz com que tudo seja ainda mais natural, ou sobrenatural neste caso, deixando qualquer um arrepiado com as posições e deslocações que dá ao seu corpo para representar esta personagem.

A Possessão de Hannah Grace conta com uma realização que oferece alguns momentos realmente interessantes, mas outros completamente banais. Uma história que podia ter um potencial incrível, mas fica-se por um capítulo que nem consegue alcançar padrões dignos do género. Num todo temos um filme que luta para alcançar o razoável e mesmo adorando este género tenho algumas dúvidas que alguma vez volte a rever este título. Este foi o primeiro de terror a ser visto em 2019 e ainda há muito ano e cinema pela frente por isso que venham muitos mais e principalmente que tenhamos melhores experiências daqui para à frente. Lembrando que ainda temos um reboot de Grunge a caminho. Por enquanto ficamos com Hannah Grace e a sua aparente assustadora possessão, que está longe de ser um grande arranque de ano para este género.
4.5
A Possessão de Hannah Grace
Insuficiente
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto. Considero-me um geek, um devorador de Filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de Videojogos e adoro o mundo Nintendo. Ver uma série? Só consigo em maratonas... acho que preciso de ajuda... Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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