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The Walking Dead: The Final Season

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The Walking Dead: The Final Season


The Walking Dead: The Final Season é um jogo de aventura desenvolvido pela Telltale Games baseado no mundo das bandas desenhadas The Walking Dead, criadas e escritas por Robert Kirkman.

Este é um jogo de aventura lançado de forma episódica e que têm um grande foco sobre a história. 
Tal como num filme interactivo onde, de quando em quando, o espectador é inquirido sobre o rumo que as personagens devem tomar, os jogadores têm principalmente o papel de fazer escolhas que afectam o fluxo da história. Além disso, ocasionalmente, os jogadores também têm que pressionar certas teclas dentro de uma janela temporal para que certas acções sejam ou não tomadas.

De notar que no fim de 2018 e depois de apenas dois episódios lançados, a Telltale anunciou o fecho de grande parte do estúdio e o despedimento de grande parte do staff. O destino do jogo ficou no limbo até que, pouco tempo depois, Kirkman anunciou que a sua companhia, Skybound Entertainment, tinha adquirido os direitos e iria lançar os dois últimos episódios. Agora que saiu o terceiro episódio, eu e a Cristina Gomes tivemos oportunidade de o jogar e escrevemos um pouco sobre ele.

Para terem um pouco a noção da nossa perspectiva, nunca tinhamos jogado um jogo deste género, apesar de já estarmos familiarizados com o conceito. Mais, depois de acompanharmos tantas temporadas das séries televisivas também baseadas no mundo de The Walking Dead, já estavamos um pouco fartos de zombies. Além disso, o jogo tem o título The Final Season (do inglês, "Temporada Final"), o que significa que poderia haver uma continuidade da qual não estávamos a par. Enfim, essas eram as nossas preocupações. Ainda assim, demos uma oportunidade a esta nova experiência.

Antes de mais, quero chamar a atenção para o facto de, apesar de estar a usar a primeira pessoa do plural, o jogo ser apenas para um jogador. Eu e a Cristina fomos revesando e jogando à vez, até porque cada episódio tem uma duração de cerca de 2 horas e meia e tentámos terminar o mais cedo possível ao mesmo tempo que limpavamos a casa (a Cristina limpava), cozinhavamos refeições (a Cristina cozinhava) e comiamos ditas refeições (eu tinha que ajudar com algo).

Voltando ao jogo em si. Naturalmente, começámos por jogar o primeiro episódio e a primeira coisa que nos saltou à vista foram as legendas e as vozes em português brasileiro. Pelo menos em Portugal, não é comum jogos, filmes e séries que têm como alvo uma audiência adulta estarem dobrados (ou, se quiserem muito, "dublados"), pelo que achámos isso interessante. Note-se que, até à data da escrita deste artigo, apenas os dois primeiros episódios estão dobrados, o que não deixa de ser um bom esforço. No entanto, como nos damos bem com o inglês e até preferimos as vozes originais, alterámos a configuração para essa língua.

Depois dessa pequena reconfiguração, passámos por uma breve introdução à história de Clementine (Clem, para os amigos), uma jovem adolescente que se vê na posição de tomar conta de uma criança chamada AJ. E se pensam que aturar um miúdo 24 sobre 7 já é um pesadelo, imaginem fazê-lo num mundo pós-apocalíptico cheio de mortos-vivos. Aliás, não precisam de imaginar, podem jogar este jogo.


Essa introdução, apesar de instrutiva, foi uma rápida enchurrada de informação onde fizemos escolhas aparentemente aleatórias e com consequências estranhas. No meu entender, isto deve ser uma forma de os jogadores que acompanharam a saga conseguirem fazer a ligação com as escolhas feitas nos jogos anteriores. Para um novo jogador, pode ser confuso e algo estranho, mas também funciona como um resumo da história que está para trás.

Depois dessa introdução inicial, saltamos para a acção com Clem e AJ. Démos uns tombos antes de entrar em harmonia com a jogabilidade, apesar de haver apenas umas 8 ou 9 teclas relevantes. As primeiras sequências com mortos-vivos foram especialmente difíceis, porque as reacções lentas e falta de jeito facilmente levam à morte da nossa heroína.

Em termos gráficos, o jogo apresenta-nos o estilo à banda desenhada já característico dos jogos da Telltale, que se enquadra bastante bem com o material original. Nesse aspecto não há muito mais a dizer. O jogo não foi exactamente feito para ser uma experiência visual, mas sim para apresentar uma história. E que história! Realmente é pena já termos tantas horas de voo na companhia de "The Walking Dead", porque se não fosse a fadiga, poderiamos ter apreciado mais. Diria que o mais interessante não é só o facto de as escolhas orientarem o futuro da história, mas mais especificamente o facto de as lições de vida que escolhemos dar a AJ realmente terem um efeito na personagem. Por exemplo, logo no início do jogo fizemos Clem ensinar ao AJ que ao entrar num sítio novo deve prestar atenção às saídas e que, caso não haja uma porta, deve estudar as janelas. Mais tarde, já no segundo episódio, ao entrar num quarto, o AJ ainda fazia referência a essa lição. Ou seja, as consequências não são imediatas e podem voltar a ter um efeito muito mais tarde.

No que toca à história que nos foi apresentada, é difícil fazer uma análise precisa, pois escolhas diferentes irão apresentar histórias diferentes e depende muito do jogador, mas de uma forma geral pareceu-nos bastante interessante. Creio que a "espinha dorsal" da história se irá manter para todos os jogadores, por isso posso adiantar que Clem e AJ encontram uma escola em ruínas habitada por outros miúdos sobreviventes. Fez-nos lembrar um pouco o Peter Pan e os meninos perdidos na Terra do Nunca, mas com mortos-vivos. No fim dos três episódios, a Cristina estava um pouco frustrada com os resultados e queria começar de novo. Eu queria começar de novo mais por curiosidade.


Agora, para concluir. Aconselharia o jogo? Depende, claro. Para quem adora jogos de acção, "first-person-shooters" e outros assim mais mexidos, não. Para quem gosta de "The Walking Dead", zombies ou histórias interactivas, diria para dar uma oportunidade. Aliás, os jogos deste género não requerem grande destreza, pelo que também são perfeitos para quem se diz "demasiado azelha para jogos".

O jogo está actualmente disponível na loja online da Epic Games e o quarto e último episódio será lançado no dia 26 de Março, segundo a informação actualmente apresentada no prórpio jogo.
Pedro Cruz
Escrito por:

"Spawned" em Aveiro no ano de 90, apreciador de amostras de imaginação e de criatividade, artesão de coisas, mestre da fina arte da procrastinação e... por hoje já chega, acabo isto amanhã...

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