Acabei de Acabar

Devil May Cry 5

Playstation 4

Devil May Cry 5


A minha primeira experiência com um jogo Devil May Cry já remonta há alguns anos, quando tinha a minha PlayStation 2 e era comum a oferta de discos naquelas revistas especializadas que hoje parece coisa do passado. Nessa altura surgiu num disco qualquer um pedaço de jogo que viria a marcar uma geração. A Capcom vinha de uma época de títulos carregados de qualidade na PlayStation e obviamente queria manter tudo isso nas consolas de nova geração. Foi ao longo do desenvolvimento de um dos títulos mais aguardados da empresa, Resident Evil 4, que surge a ideia do desenvolvimento de Devil May Cry e quando os fãs da Sony viram a Capcom virar a franquia Resident Evil para as consolas da Nintendo, esta nova ideia cheia de estilo e ação frenética vinha acalmar um pouco os ânimos dos mais chateados. Foi talvez este que me levou a mais tarde perceber como adoro o estilo que aqui se criou e agora, em 2019, ver o quinto capítulo a recuperar toda a glória da saga que parecia estar perdida num poço sem fundo é sem dúvida de louvar.

O anúncio deste quinto videojogo Devil May Cry foi recebido em enorme ovação, principalmente por se perceber logo de início que a empresa parecia seguir o caminho que os fãs realmente queriam. Ainda para mais após o lançamento do grande sucesso que foi Resident Evil 7, que parecia ter ressuscitado a franquia, era agora a vez de Dante e companheiros voltarem à verdadeira glória. Estamos aqui perante um dos melhores sistemas de combate na série e mesmo no mundo dos videojogos, contando com todo o conjunto de conteúdos que faz deste um verdadeiro Devil May Cry, mas mais que isso, é o reerguer que já há muito merecia.


A história está incrível e o seu desenrolar é feito num ritmo muito bom, contando com vários ambientes distintos e que tão bem se complementam. O início é digno de qualquer final de uma história, arrancando com um momento de batalha final onde estamos destinados a ser derrotados, mas que serve para nos apresentar aos três personagens que nos vão acompanhar ao longo dos vinte capítulos que envolvem este jogo. Dante, Nero e o recém chegado V, oferecem três perspectivas de uma história que se desenrola em alguns meses, enquanto explica todas as circunstâncias que levaram o demoníaco Urizen ao poder e assim conectando o final da história com o seu momento inicial. Tanto a história que envolve Urizen, como a de V são incrivelmente misteriosas e isso faz-nos ficar ainda mais agarrados aos acontecimentos, querendo saber mais e mais. Ao longo da jornada, sempre que tomei controlo de V sentia o nível de desconfiança que o próprio Nero demonstra ter, levando sempre a pensar de onde raio ele apareceu e o porque de tanto secretismo em torno de todas as conversas que tem. Apesar da história ser coerente e ainda fechar algumas ideias deixadas em aberto em antigos títulos da série, ficam ainda alguns pontos acerca do misterioso V que me faz querer mais conteúdo.

E é no conteúdo jogável que este jogo mais se destaca, contando com uma aventura incrivelmente bem construída e que aliada a um altamente melhorado em relação ao resto da saga. O sistema de combate é muito simples, mas tem a capacidade de se tornar extremamente complexo. Este sistema de conter apenas três botões de ataque ajuda a uma maior compreensão entre os mais inexperientes, mas por outro lado, o nível de liberdade oferecido cria uma série de combinações únicas a cada combate e mesmo a cada jogador. A ideia é que todas as pessoas que queiram experimentar este título e não queiram sair frustradas porque o ranking a cada combate é abaixo de mau, tem essa possibilidade, com o suporte de um auxiliar que cria os combos mais espetaculares apenas carregando e quase destruindo o botão de ataque normal. Por outro lado, quem procura uma dose de desafio à séria, irá também ter uma boa surpresa com a possibilidade de a cada botão premido criar uma luta altamente estrondosa e no final sermos premiados com o ranking mais alto. Eu adoro este tipo de jogos, mas sinto que sou algo azelha a conseguir as melhores combinações e aqui notei isso, principalmente com Nero no início, apesar de V ter sido mais natural e conseguir melhores e mais altas pontuações em cada combate. Durante o desenrolar da aventura também vamos melhorando as nossas capacidades e quando voltamos a Nero ou mesmo a Dante será tudo mais natural e fácil de manobrar.


Neste aspeto contam também a apresentação dada às batalhas. Desde as mais simples até aos principais inimigos, tudo tem um ambiente incrível e definitivamente espetacular. Dependendo do personagem, torna tudo mais único à sua maneira, contando que V tem um estilo completamente diferente de Nero e ambos diferem também de Dante, criando três estilos bem distintos ao longo da jornada. Contamos assim com ritmos diferentes que se combinam para oferecer momentos incríveis para todos os gostos. V tem um ritmo mais lento e os seus combates são baseados em invocações de três familiares que auxiliam a eliminar os inimigos, ficando o combate corpo a corpo quase deixado de lado neste personagem. Por outro lado, Dante é mais frenético, como aliás estamos habituados aos anteriores jogos da saga, sendo este o único personagem deste título que os fãs vão estar mais familiarizados, tendo em conta que o seu estilo de jogo está praticamente inalterado desde Devil May Cry 4. Por último, temos Nero que nos apresenta aos Devil Breakers, que são próteses que substituem o braço perdido logo no início do jogo, oferecendo novos estilos de combate e mesmo de exploração. Todos os três oferecem grandes momentos, sendo talvez a aventura de V aquela que poderá não agradar a todos os fãs da saga, pela diferente forma de combate e controlos que requerem algum nível de habituação.

Voltando aos Devil Breakers que para mim oferecem tanto de bom como de mau a este jogo. Ao longo da aventura temos oito à nossa disposição e podemos garantir que são suficientes para realizar toda as cerca de 12 horas de jogo, mas a Capcom decidiu que as micro transações eram uma mais valia para este jogo. Num título focado na sua história é triste ver a extrema necessidade das editoras em insistir neste tipo de transações apenas para fazer mais uns euros. Neste caso, a oferta não justifica a sua compra, tendo em conta que tudo pode ser vivenciado da mesma forma sem os Devil Breakers extras, mas claro que para quem estiver cansado dos existentes no jogo, podem contar com mais uma série de movimentos novos que irão oferecer ainda mais variedade aos vossos combates. Além disso ainda é possível usar dinheiro real para adquirir Red Orbs, que são a moeda do jogo. Estas permitem melhoramentos nos personagens, quer nas suas formas de combate, de proteção e claro, de armas. Apesar de esta possibilidade existir, permitindo aos jogadores melhorarem as suas habilidades muito mais rápido, não há qualquer tipo de necessidade em fazê-lo. Ao longo de toda a jornada, estes extras pagos não servem para muito mais do que oferecer algum conteúdo extra ou uma linha mais fácil e direta de evolução. Por aqui não aconselhamos a sua aquisição, pelo menos no que toca às Red Orbs. O próprio jogo oferece conteúdo suficiente para se fazer a aventura com o maior nível de estilo.

Devil May Cry 5 é um jogo muito bem desenhado, quer a nível de ambientes, história ou dos seus personagens. Faz regressar esta saga à glória de outros tempos oferecendo controlos modernos e um estilo incrível. Apesar destes títulos serem geralmente considerados difíceis pela maioria do público, em DMC5 vão poder encontrar um jogo adaptado a todo o público e que oferece níveis de ajuda para os que menos habituados à saga, fazendo com que mesmo esses jogadores consigam fazer combinações incríveis. A música está também muito boa e encaixa de forma perfeita, quer nos combates, quer na exploração. De forma a terminar apenas me resta dizer que este é um título linear, com um nível de exploração simples que irá agradar a muitos fãs e ao mesmo tempo oferecer uma experiência excelente a todos os que pela primeira vez peguem em Devil May Cry.
8.5
Devil May Cry 5
Muito Bom
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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