Golden Time


Tada Banri acaba de entrar em uma universidade de direito em Tóquio, mas já no primeiro dia chega atrasado. Ao ir para o seu campus universitário, encontra a pessoa por quem se iria apaixonar. Golden Time logo me despertou interesse, pois não é aquele anime de romance normal apresentando a sua história de forma linear. Ao invés de uma introdução normal, é apresentado um monólogo, logo no início, da personagem principal, de que vai começar a viver uma vida independente, no seu próprio apartamento em Tóquio, mas de uma forma oca, sem conteúdo. Mas conforme o anime vai se desenrolando, percebemos que o protagonista é uma pessoa sem história, não possuindo lembranças da sua vida até então. Logo quando Banri estava numa situação complicada, admite, pela primeira vez, que foi vítima de um acidente muito grave e que isso provocou amnésia, e tudo o que havia vivido até ao acidente, tinha desaparecido das suas memórias. E com isto, existe logo uma antítese que caracteriza tanto o anime.

As pessoas querem o passado, não o meu presente.

De um lado vemos uma pessoa que conta a sua história de uma forma recente, já maior de idade, mas sem infância, sem adolescência. Uma pessoa nova no mundo, com vontade de aprender tudo, com vontade de se integrar na sociedade. Mas ela mostra que se sente desconfortável com os seus antecedentes, não contando o factor que lhe tinha provocado a amnésia a quem conhecia, e odiando o facto de não se lembrar das pessoas que pertenciam ao seu passado. Então vamos percebendo, que é, uma pessoa à beira do colapso, cheio de incertezas e medos. Do outro lado, sabemos que existe um outro Tada Banri, que existe aquela pessoa que vivera antes do acidente, onde esta possuía diferentes sentimentos, diferentes memórias e relações. E de facto, esta outra alma vai aparecendo à medida que o tempo vai passando, até chegar ao ponto de existir duas pessoas a partilharem o mesmo corpo a amarem diferentes mulheres.

Gostei deste anime pois toca em conceitos e emoções muito importantes no início da vida adulta, neste caso, de um estudante do ensino superior. Para além de querer se dar bem com os estudos, existe um querer de não perder aquelas amizades de infância, juntamente com aquelas novas que se formam. Desde já, com a necessidade de uma pessoa querer se fundir com outras, de não querer estar sozinha, o depender de outras. Toda a gente quer se dar bem, havendo esforço para que nada corra mal. Kaga Kouko, futura namorada de Banri, é o exemplo perfeito disso.

Toda a gente é frágil, podendo se quebrar a qualquer momento. Com o decorrer dos episódios, fui sentindo que a felicidade que estava presente era presa por um fio, como que estivesse sempre a sentir presságios, que algo de mau acontecesse. Que nem tudo é destinado só por causa da nossa boa vontade, e que todas as nossas ações têm consequências. Que tudo pode parecer bem, mas do nada o pior pode aparecer, como é exemplo do protagonista, pessoa que esqueceu de uma vida inteira que viveu, de todas as suas memórias, sentindo que aqueles que pertenceram à sua vida, não passam, de meras pessoas estranhas.

Resumindo, achei interessante a forma como que este anime me deixou a pensar. Apesar de ser um romance com alguma comédia, não deixou de transmitir uma mensagem poderosa à realidade que é a vida. Sofrendo constantemente, sem sabendo para onde se virar, Tada Banri mostra que o importante é seguir em frente.
Rui Brandão
Escrito por:

Nascido no norte, mais precisamente no Porto. Desde novo que sempre gostei de jogar videojogos, principalmente de computador. Gosto muito de ver animes, mas também acompanho séries e filmes.

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