Acabei de Acabar

Sekiro: Shadows Die Twice

Playstation 4

Sekiro: Shadows Die Twice


Nunca existiu grande interesse da minha parte na saga Souls da From Software, não pela sua extrema dificuldade que tornam qualquer canto num desafio quase impossível, mas porque simplesmente nunca me chamou à atenção. Experimentei um pouco do Deamon Souls e do primeiro Dark Souls, assim como do terceiro capítulo da saga, mas como já referi nenhum deles me fez agarrar. A dificuldade incutida pela editora nos seus jogos já é uma imagem de marca e independentemente do título que é lançado sabemos à priori que será muito complicado de sobreviver mais de alguns minutos seguidos. Bloodborne foi um dos títulos que, talvez pela sua diferente temática, mais me cultivou interesse, mas nunca tendo oportunidade de experimentar não tenho muito para opinar. Sekiro: Shadows Die Twice já é outra história apresentando um ambiente que me entusiasmou desde o primeiro anúncio. A temática e a sua época são muito curiosas e sempre tive um grande fascínio pela cultura japonesa que envolve os samurais e claro, os shinobis, ou ninjas como são conhecidos normalmente. Não será de estranhar que a expectativa sobre este título tenha evoluído cada vez mais e quando tive finalmente possibilidade de o experimentar começou o verdadeiro desafio.

Este é um título da From Software e como é mais que óbvio apenas mantive o personagem vivo uns meros minutos, ainda mal tinha iniciado o tutorial. Em minha defesa, ainda me estava a habituar aos controlos e por algum motivo parece-me ver um botão no ecrã que seria para me segurar na borda de um penhasco e ao carregar no botão errado, acabei por saltar pelo mesmo. Depois da segunda vez, fui altamente chacinado pelo primeiro contacto com o sistema de combate. Mas foi uma questão de entender os timings e perceber que se as coisas forem feitas com alguma calma consegue-se superar o desafio. Relembrando que estava ao mesmo tempo a jogar Devil May Cry 5, que já podem ler a opinião no Café Mais Geek e como se costuma dizer na gíria, decidi combater à campeão, sendo facilmente eliminado. Voltando ao anterior ponto, após aprender a controlar os tempos de ataque e defesa e de compreender os diferentes inimigos surge um novo impedimento, com um pequeno desafio extra que em quase nada me valeu as ideias de tempos e de defesas e mais uma vez morri. Nem 30 minutos de jogo e já tinha visto o ecrã de morte uma série de vezes e o jogo ainda parece massacrar mais o jogador com aquele ecrã que simplesmente diz: Death. Voltando ao jogo lá consegui finalmente gerir a minha forma de jogar a habituar o meu combate ao que o jogo exigia. Mas apesar de tudo isso, o jogo desafiava-se continuamente de formas extremas e quando se pensa ter tudo desvendado, eis que surge um novo inimigo para nos eliminar de forma quase instantânea.


Para quem está acostumado a ler os meus textos de opinião sabe que não gosto de dar quaisquer tipo de spoilers ao enredo do jogo e por isso vou tentar não contar muito para que não estrague a experiência a ninguém. De qualquer forma, eu ainda não tive oportunidade de terminar o jogo completamente, por vários motivos, mas o principal é porque este será um jogo que me irá dar várias dores de cabeça e tenho desfrutado cada momento. Apesar disso, penso que já tenho horas suficientes deixadas nesta aventura e com muitas mortes pelo meio, sinto que tenho já uma opinião formada acerca do jogo. De qualquer forma irei atualizar este artigo quando finalmente alcançar os créditos finais. Não querendo estar a adiar está já atrasada opinião, segue então uma série de pontos que poderão ser do vosso interesse. Em questões de história ainda não tenho opinião 100% formada como é de calcular, mas devo dizer que até ao momento está a ser uma aventura incrível e realmente digna da época em que se passa.

O jogo apresenta um ambiente altamente fiel e realmente transporta o jogador para o antigo Japão, tendo sempre em conta a ficção inserida pelo meio, mas até essa parece encaixar tão bem tudo o resto. Logo à partida somos colocados perante um desafio que faz o personagem perder o seu braço - onde é que já vi isto? - e assim ganhar uma prótese bastante interessante que nos irá auxiliar a uma exploração vertical muito bem elaborada. Há certos momentos onde passamos que na altura parecia ter locais que deveriam ser acessíveis, mas não temos forma de lá chegar e de repente tudo começa a fazer mais sentido. A jogabilidade que tem todo o DNA de Dark Souls vai oferecer uma dose de desafio incrível, como aliás já devem ter percebido, mas ao contrário do que sentia em Dark Souls - frustração na grande maioria do tempo - aqui foi substituída por um sentimento de desafio cumprido e à medida que se avança na aventura notamos cada vez mais que tudo o que aprendemos para trás nos vai auxiliando nos desafios subsequentes. Cada golpe defendido e cada ataque com sucesso cria uma sensação de motivação para arriscar cada vez mais. É gratificante e funciona muito bem.


Ainda quero voltar a referir o grafismo que está simplesmente fabuloso. Em alguns momentos é mais incrível que noutros, mas no geral estamos perante uma obra fantástica a nível de arte apresentando certas paisagens de cortar a respiração com toda a cor bem ligada à época a resplandecer no ecrã. Joguem isto com o HDR ligado e vai ser ainda mais incrível. O jogo está realmente muito bonito e para dar um exemplo, que aliás podem ver na imagem acima exatamente esse momento, aqui somos deparados com o perigo e este pode se prever bastante sangrento, mas no entanto estamos perante este cor de rosa que inunda todo o ecrã. São momentos como estes que fazem deste Sekiro: Shadows Die Twice um título que me envolve e me leva a querer continuar apesar de todas as dificuldades. Tudo isto aliado a incríveis batalhas que vão desde o mais simples e relativamente fácil até chefes incrivelmente poderosos que vão criar uma vontade súbita de destruir o comando, mas calma que eles são bem caros.

Sekiro: Shadows Die Twice apresenta uma série de novidades, tal como a possibilidade de regressar do mundo dos mortos logo após sermos destronados, mas esta funcionalidade que parece vir em auxílio dos mais fracos acaba por ser um grande ponto de estratégia. Ao morrer, perdemos uma grande percentagem da barra de experiência que tanto custa a fazer subir, mas caso usemos essa habilidade essa barra não desce, mas estamos sujeitos à continuação do combate instantâneamente sem ter sequer tempo de pensar numa melhor estratégia vitoriosa. Assim esta habilidade precisa de ser utilizada de forma cautelosa e devemos sempre ponderar se é suficientemente eficaz para o momento em que estamos.


Este é um título incrível, cheio de grandes momentos na história, com um ambiente lindíssimo e alguns momentos que realmente fizeram disparar todos os píxeis de minha TV. É difícil e muito desafiante, mas não ao nível de frustração dos antigos Souls, apresentando um estilo que parece ser mais compensatório. E a sua banda sonora leva ainda mais longe a sua temática. Tudo aliado cria um ambiente digno de qualquer filme de samurais, mas mais bem feito que a grande maioria dos filmes do género. Estou ansioso por bater o final do jogo, mas enquanto esse momento não chega não queria deixar aqui as minhas ideias acerca deste título. Por agora é tudo e espero que em breve possa deixar aqui algumas ideias mais concretas em relação à história. Até lá não se esqueçam de desfrutar de Sekiro e partilhar as vossas opiniões com o Café Mais Geek.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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