Vingadores: Endgame


O fim da linha chegou e aquilo que foram dez anos de imenso entretenimento, animação, ação, aventura, entre muitas outras sensações chegou agora ao fim. Demorei alguns dias até escrever sobre este filme, mas queria ter certeza que as minhas ideias estavam bem assentes no que deveria dizer. Este filme marca o final de uma era no cinema dedicado a super-heróis, mas principalmente marca mais uma mudança. Quando tudo isto começou em 2008, com Homem de Ferro, nada faria antever o que reservava o futuro. Os filmes de super-heróis sempre tiveram uma má reputação, por vários motivos, desde a sua qualidade sempre meio duvidosa, à exceção de algumas pérolas do cinema, que foram surgindo, quer por colocar um mundo geek num seio artístico que apenas zela pelo clássico drama. Aliás, basta olhar para os maiores prémios que são entregues todos os anos para entender exatamente isso e em 2008 era ainda mais perceptível, mas Homem de Ferro tornou-se um sucesso da crítica e da bilheteira, mesmo com alguns a deitar o filme abaixo, conseguiu superar todas e quaisquer expectativas, mostrando assim que os super-heróis tinham um lugar no cinema e principalmente mostrou à Marvel, que apostar numa produção em “casa” foi o mais acertado, avançando por aí fora com 22 filmes até agora e assim pela primeira vez na história se criou um arco de história no cinema, bem ao estilo da banda desenhada.

Mas vamos falar sobre o que realmente interessa. Endgame é o filme de 2019, talvez o mais aguardado de todo o ano e superou todas as expectativas em termos de bilheteira. Bateu todos os recordes, quer lá fora, quer em Portugal, onde foi o filme mais visto de sempre no dia de estreia e também no primeiro fim de semana. As expectativas eram enormes e nem sempre isso é o mais positivo para um filme destes, mas apesar de tudo na sua grande maioria não desiludiu. Três horas de filme que passaram num salto, principalmente a sequência inicial e final. O filme apresenta uma narrativa que conclui os arcos de todos os heróis que já tão bem conhecemos, deixando sempre algo em aberto no que toca a alguns nomes. Captain Marvel, Black Panther, Spider-Man, Ant-Man e Guardians of the Galaxy são os que mais ficam coisas por contar, mas de uma forma que funciona como continuidade para o futuro do Universo Marvel. Iron Man, Captain America, Hulk, Thor, Black Widow e Hawkeye, que são os verdadeiros originais de toda esta saga, têm aqui o seu arco terminado, uns em sentido de despedida, outros numa sequência que oferece a possibilidade de voltarem ao grande ecrã.


Os irmãos Russo deixaram bem claro a sua intenção ao longo da produção de Guerra do Infinito e Endgame que seriam dois filmes distintos que se complementariam e finalmente deixavam concluído todo o universo que veio a ser construído desde 2008 e foi isso mesmo que ficou feito. O trabalho dos realizadores foi incrível e conseguir superar o filme anterior, quando este já tinha uma qualidade bem acima da média, é simplesmente de louvar. Não tenho nada a referir quanto ao elenco, porque sejamos sinceros, não há um único elemento novo nesta equipa e já todos sabemos muito bem como estes grandes nomes trabalham. A pequena prestação de Tom Holland, ou a única fala de Groot estão incríveis, mostrando momentos que com certeza vão ficar icónicos. São vários os planos que se destacam no meio desta epopeia do mundo geek pelo cinema. Tentando não dar spoilers aquele momento que tenho de destacar e que me deixou completamente em êxtase, onde saltei da cadeira, disse "oh God" várias vezes e não conseguia imaginar de outra forma foi quando Capitão América luta com Thanos. Que cena tão épica que ali aconteceu e tão bem filmada que foi. Durante todos os momentos há algo a acontecer de muito importante e logo na partida somos deparados com o inesperado. Apesar de na sua maioria já estar a contar com o que iria acontecer ainda houve muito conteúdo que nem sequer imaginava que fosse acontecer.

Os efeitos especiais não falham nem podia. Com um orçamento pouco acima dos 350 milhões de dólares esta é mais uma super produção hollywoodesca que tem de apresentar tudo o que de melhor se faz por lá e sem dúvida que o consegue. Momentos muito bem montados, encaixando os personagens numa história que tinha tudo para correr mal, mas que não se esbarra no ridículo, deixando apenas alguns momentos por explicar que esperamos vir a oferecer novos conteúdos para o futuro. Tudo isto culminando numa batalha épica, carregada de ação com situações dignas de qualquer história de super-heróis. São momentos como estes ou filmes como este que demonstram tão bem com um mundo fantástico de heróis e vilões consegue ser transformado de banda desenhada para o cinema. Os quadros que compõem qualquer boa história d'Os Vingadores, foram aqui recriados em ambientes realmente incríveis.

Vingadores: Endgame não está livre de problemas tendo alguns momentos que tornaram toda a história algo confusa de se entender, mas que facilmente podem ser explicados em futuros projetos. Talvez o enredo tivesse ido por outro caminho e ter contornado tudo de outra forma, mostrando que acabaram por ir pelo caminho que todos esperávamos, a não ser que vos tenha escapado alguma coisa nos últimos filmes, o mundo quântico tem aqui uma importância incrível, mas fica aquém da explicação que podia ser dada, assim como a nanotecnologia usada por Stark nos momentos mais críticos deste título, que demonstram que o caminho que Thanos tomou foi o mais sem nexo. Há certos momentos que retiram um pouco da mística do universo, mas também há alguns como é o caso das cenas de Thor que quase ridicularizam tudo. Sem ser um grande problema tudo vai funcionando e ao final das contas é um serão incrível que passamos. 

Endgame supera o seu antecessor e apesar de ser nitidamente uma conclusão é capaz de deixar qualquer um com aquela sensação de quero mais. Nada é deixado ao acaso e as portas foram abertas para termos novo conteúdo daqui para a frente, mesmo com muitos heróis a não retornar, teremos imenso conteúdo para explorar nos próximos anos, ainda para mais quando X-Men já invadiu a Disney. A Marvel neste momento tem tudo para expandir este universo ainda mais e por aqui estamos todos muito curiosos para saber qual vai ser o próximo passo. Eu adoro estes filmes, mesmo antes de todos estes universos já rejubilava no cinema com os super-heróis e claro que os livros de banda desenhada sempre me acompanharam, por isso não é difícil compreender que saí da sala de cinema com um sentimento de satisfação que acontece em poucos filmes.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Sem comentários:

Enviar um comentário