Godzilla II: Rei dos Monstros



O Rei dos monstros está de regresso ao cinema e de forma muito graciosa praticamente destrói esta saga por completo, mas já lá vamos. A nova saga, iniciada em 2014 e com o filme Kong a intrometer-se pelo meio numa tentativa de desenvolver daqui um universo de monstros, continua a sua jornada, talvez com demasiados anos de espera. A saga está a desenvolver-se a um ritmo extremamente demorado e isso talvez seja um dos indicadores da perca de qualidade. Não esperava de todo que esta sequela conseguisse ir tão abaixo do que já foi apresentado. Apesar de tudo, ambos os filmes: Godzilla de 2014 e Kong de 2017 não contém enredos ou ideias extremamente complexas e mesmo com uma série de problemas conseguem ser versões modernas bem desenvolvidas dos seus clássicos. Quando a Godzilla II: Rei dos Monstros fico na dúvida se é uma homenagem aos filmes clássicos como é transmitido pela equipa de desenvolvimento ou se é uma desgraça autêntica para todo o universo destes filmes.

A busca em estabelecer aqui um planeta de monstros foi o ponto fulcral deste filme e com isso acabou por haver algumas falhas em outros aspetos importantes do filme. Vamos por partes. A história não é a mais interessante que já se viu e logo à partida começamos com um ingrediente fora do sítio que acaba por se refletir nas restantes áreas do desenvolvimento. Sem uma história muito boa, acabamos com personagens sem grande interesse, com ideias e momentos que me fazem realmente questionar o motivo da sua existência naquele mundo. Um filme de Godzilla ou de qualquer um destes monstros do cinema são geralmente focados no monstro e não em personagens humanas. Só da parte destes seres gigantes existe conteúdo mais que suficiente para o desenvolvimento de histórias suficientemente interessantes, mas aqui parece continuar a haver a necessidade de dar foco em demasia aos humanos que vão aparecendo. Se isto já era um problema no primeiro filme, então aqui as cenas existentes com humanos são mais irritantes que qualquer outra coisa.

Assim chego a um dos maiores problemas deste filme: os erros. É impressionante como uma produção desta dimensão onde apenas é esperada a melhor qualidade acaba com uma série de problemas que são inadmissíveis. A montagem do filme apresenta um nível baixíssimo de qualidade, com cortes para certos planos que não têm nenhum nexo. Graças a uns efeitos especiais acima da qualidade do resto do filme conseguimos ter sequências incríveis e com momentos que se espera, mas que depois acabam destronados por cenas que surgem onde não eram necessárias. Além disso, são todos os pequenos erros, que irei expor alguns, que me fazem seriamente duvidar do julgamento das pessoas responsáveis pelo lançamento deste título. Não sei se foi pelo tempo de produção deste capítulo, mas algo que fica logo na ideia é que parece ter sido construído às secções onde ao longo dos 5 anos de produção foi mudando de mãos sem terem conhecimento do trabalho feito anteriormente. 

Há situações como o caso do Godzilla estar em pleno oceano onde a água não ultrapassa o nível dos seus joelhos e estarmos em plena cidade e a água estar no mesmo nível, mas pior que tudo é ele mergulhar nestas águas que parecem estar todas a um nível baixíssimo de profundidade. Algo está aqui muito errado. Ou então momentos como quando alguém explica alguma situação estar sempre preparada uma linda apresentação de vídeos que surgem nos ecrãs em frente aos personagens. Ou uma decisão feita pela tripulação de um submarino que segundos após decide ser contradita apenas porque sim. Podia passar esta opinião apenas a referir estes pequenos problemas existentes do primeiro ao último minuto, mas vou deixar em aberto algumas situações para descobrirem sozinhos. Uma espécie de caça ao erro, mas desta vez num longo filme de ficção.

Godzilla II: Rei dos Monstros está longe de ser um bom filme, mas podia ser muito mais interessante caso todos os pequenos erros não existissem. A procura por explorar tudo o que o universo tem sobrepôs-se ao restante filme e a insistência em destacar o lado humano ao invés das batalhas monstruosas que todos vão para ver acaba por estragar mais que outra coisa. Esta era uma saga que tinha altas expectativas e mesmo com tudo o que está para trás continuo ansioso por ver a grande batalha entre Godzilla e Kong, mas sem dúvida que este capítulo novo vem destronar um pouco mais as esperanças desse grande título que se avizinha. Mais uma vez, o tempo de produção parece ser um grande problema nestes filmes e espera-se que pelo menos possam resolver muitos dos problemas até aqui encontrados. Seguramente não é um filme que consiga aconselhar, mas é mais um capítulo e se conseguirem colocar de lado todos os pequenos problemas, pode ser que consigam uma experiência minimamente agradável.
4
Godzilla II: Rei dos Monstros
Insuficiente
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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