Acabei de Acabar

Mortal Kombat 11

Playstation 4

Mortal Kombat 11


A saga Mortal Kombat apresentou sérias mudanças desde o décimo título. O motor gráfico atualizado da equipa e o desenvolvimento a par com jogos como Injustice oferecem uma experiência similar no estilo de combate entre os dois títulos. Este Mortal Kombat 11 é uma clara evolução disso mesmo e entre as grandes surpresas está o regresso à plataforma da Nintendo. Apesar disso a versão que vamos aqui esmiuçar é mesmo a da PlayStation 4. Mortal Kombat é uma série que já vem desde os anos noventa e passou por alguns momentos interessantes da história dos videojogos principalmente pela sua violência explícita. Apesar de ser um jogo altamente adorado pelos fãs, houve uma fase em que se parecia ter perdido na generalidade dos jogos de combate, mas atualmente podemos dizer que se encontra de boa saúde. 

Vou deixar já de parte um aspeto que achei dos menos positivos. O jogo em si não tem uma grande evolução em relação ao anterior. Alguns melhoramentos aqui e ali, mas se estão habituados a jogar Mortal Kombat X então vai ser fácil entrarem neste novo capítulo. O estilo de combate é bem conhecido não só do título anterior, mas também de Injustice 2. A NetherRealm Studios é a equipa que desde 2011 está a desenvolver ambos os títulos e assim é fácil reconhecer o seu estilo facilmente. Algo que tem vindo a evoluir de forma satisfatória e posso afirmar que estão cada vez a acertar mais naquilo que está saga deve ser. Com um combate bem desenvolvido, onde os momentos espetaculares de violência extrema encaixam cada vez melhor na fluidez da ação. Isso aliado a uma campanha cinematográfica e extras que oferecem uma maior variedade ao jogo acabam por melhorar a experiência.

A história que a campanha apresenta segue os passos do jogo anterior e os acontecimentos são uma continuação direta, por isso se gostaram da campanha do X vão agora conhecer um pouco mais desta história. Tal como no Injustice onde a campanha se desenrola numa pequena história que nos envolve como num filme ou naquele caso uma banda desenhada e o jogador é chamado à ação sempre que necessário, é um formato que acho bem interessante para este estilo de jogos. Não requerem uma campanha de 50 horas, mas sim um enredo simples e direto que nos ajude a relacionar com as personagens. A ideia aqui da editora acaba por ser uma forma de corrigir alguns problemas nos enredos anteriores, criando uma história que envolve o tempo e assim personagens clássicas que os fãs mais antigos da saga vão com certeza ter uma carga nostálgica. 

Mais importante que tudo é mesmo o sistema de combate e como este se desempenha no novo jogo. Sem dúvida que a editora melhorou o seu trabalho nos últimos anos e voltamos a ter aqui muito daquilo que queremos de um Mortal Kombat. Esta é uma saga que começou com um esquema de controlos bem simples em comparação com a concorrência, mas ao longo dos anos foi perdendo a sua identidade. Felizmente neste jogo voltamos às origens, com um esquema de controlos que se ajusta à experiência de cada um. A complexidade não é grande e o tutorial faz um grande trabalho a apresentar tudo o que podemos fazer durante os combates. Perfeito para quem nunca jogou outro título da saga e ainda assim oferece uma variadíssima série de combinações que permite aos mais experientes criar situações de combate incríveis. 

Uma das novidades deste título é o Fatal Blow onde é possível realizar um ataque extremamente violento e altamente cinematográfico quando nos encontramos com a barra de vida no mínimo. Funciona como um último recurso em caso de desespero e funciona muito bem. Não é um jogo difícil de se aprender e rapidamente conseguimos dominar os combates, tendo em conta sempre o nível de dificuldade. Como já referi anteriormente o seu estilo de combate está refinado e encaixa no perfil do jogador independentemente da sua experiência. Esta técnica irá com certeza ajudar muitos dos menos experientes, mas atenção que apenas é possível uma utilização por combate, mesmo entre várias rondas, por isso é preciso utilizar com cautela e no momento certo.

Mortal Kombat 11 é um bom novo título desta saga. Em vários aspectos regressa às suas origens e oferece uma experiência como os fãs há muito pediam. A NetherRealm Studios tem melhorado o seu trabalho nesta saga e a cada título apresenta novidades que vão oferecer experiências ainda mais interessantes. Aqui surge também um completo sistema de personalização que permite que cada jogador desenvolva o seu personagem dependendo da estratégia de combate que prefira utilizar. Possibilitando a escolha de combinações e ataques que cada um ache mais interessante. O nível deste modo já é bem conhecido para os jogadores de Injustice 2, onde nos é possível personalizar todo o aspecto do personagem, assim como todo o seu estilo de combate, apresentando assim uma grande variedade de conteúdos para manter qualquer um dentro deste jogo.

Para uma mais extensa experiência temos aqui uma série de modos de jogo além da história. Um modo arcade que nos leva a um conjunto de combates em estilo clássico, onde temos de eliminar um a um até ao último inimigo que irá desbloquear o final da personagem que estamos a usar. Temos também o tradicional modo multijogador onde podemos enfrentar um amigo ou jogar contra o CPU, assim como vários modos online. Há ainda a possibilidade de colocar alguns lutadores em confronto com outros, até três no máximo, em que todos são controlados pela CPU. Isto permite não só colocar lutadores originais, mas também personalizados, permitindo assim quase realizar um teste onde o jogador apenas observa o seu lutador, ganhando ainda assim experiência. Por fim chegamos à Krypta, que é talvez o modo mais frustrante deste jogo.

De forma a conseguir desbloquear novos conteúdos de personalização, itens e até alguns fatality secretos, temos de avançar pela Krypta. Um modo apresentado no último jogo que recebe agora alguma reformulação e demonstra algumas melhorias, mas continua com um problema muito preciso. Micro transações! Não é obrigatório gastar dinheiro extra para desbloquear tudo, mas é necessário um conjunto absurdo de moedas para conseguir desbloquear cada um dos baús que são encontrados neste modo. Como exemplo pode-se explicar desta forma: no final do modo história conquistamos cerca de 100 mil moedas que apenas ajudam a abrir em torno de 15 baús, o que é praticamente nulo no meio de toda a Krypta. Assim o jogo obriga os jogadores a perder centenas de horas nos vários modos de jogo para conseguir garantir tudo o que este jogo oferece. O pior de tudo é para quem não tem problema em gastar dinheiro acaba com todo o conteúdo no espaço de algumas horas, tornando todo o jogo meio desequilibrado. 

Mortal Kombat 11 é um excelente jogo de luta e se deixarmos de lado esta história da Krypta podemos dizer que é um dos títulos mais interessantes da saga, principalmente nas mais recentes entradas. É interessante ver como o estúdio tem vindo a trabalhar os seus dois principais jogos de combate com modos que se vão intercalando, aproveitando assim o que de melhor fazem de um lado para utilizar no outro jogo. Se são fãs de Mortal Kombat este é sem dúvida o título a adquirir, tendo em conta que está disponível em todas as plataformas incluindo a Nintendo Switch. Se nunca jogaram, mas têm curiosidade penso que é um grande título para começar, com um estilo de controlos bem simples e que qualquer um se vai adaptar rapidamente. Um jogo de combate a considerar e que merece bem mais vendas das que está a conquistar até ao momento.
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Sem comentários:

Enviar um comentário