Acabei de Acabar

The Division 2

Xbox One

The Division 2


Demorei algum tempo a escrever este artigo, mas queria ter a certeza que criava uma ligação com o jogo bem maior do que aconteceu quanto à versão de teste. Não me vou repetir muito quanto a este estilo de jogos e o meu apreço por eles, para isso podem ler as minhas primeiras impressões aqui. Agora chegou a altura de escrever um pouco sobre a versão final de The Division 2. A Ubisoft é o típico jogo em que temos de superar uma série de missões secundárias para conseguir ter algum nível e assim conseguir “desbloquear” a fase final do jogo. Como eu me sinto frustrado quando sou obrigado a fazer missões que nada importam para o resto a fim de conseguir terminar o jogo. 

Um pouco como Far Cry tem vindo a fazer em algumas das suas sequências, onde a campanha se vai desbloqueando à medida que fazemos coisas que nos ajudam a subir de nível, aqui é algo dentro desse estilo. Fica aqui uma nota inicial que será muito importante para todos os que ainda ponderam adquirir este jogo. Se nunca vos interessou jogar o primeiro título, então este não é de todo um jogo para vocês. Antes de continuar tenho também de agradecer à Xbox Portugal e Ubisoft Espanha pela disponibilização deste título para análise.

Com isto tudo tirado para trás, tenho de referir que este jogo apresenta uma campanha bem mais forte e interessante que o seu antecessor. Longe de se focar numa narrativa profunda, este é acima de tudo um jogo de tiros onde o jogador enfrenta uma violenta e completamente destruída cidade de Washington D.C. Apesar de tudo o facto de não ter uma narrativa muito pesada, acaba por ser um jogo bom para durar uma série de meses e manter os utilizadores interessados apenas em fazer uma campanha divertida e com tempo. 

As missões secundárias apesar de tudo acabam por ser minimamente interessantes e por muito que não goste dos jogos que inserem esta ferramenta de prolongamento da campanha, tenho de dizer que muitas são divertidas e acabamos por ir fazendo apenas porque vamos avançando naquela direção. Talvez esse seja uma ideia chave, as missões secundárias devem ser um complemento do que vamos explorando na trama principal e não obrigar o jogador a ter de explorar meio mundo que não tem qualquer interesse apenas para ir resgatar uma galinha perdida, levando a um total de mais 2 horas de jogo sem qualquer nexo.

The Division 2 não se esquece dos seus fãs e melhora em muito a experiência que envolve o primeiro capítulo. A Ubisoft tem uma ideia para este jogo deveras interessante e penso que com uma campanha realmente forte poderia se tornar um dos títulos mais interessantes do catálogo da empresa. Talvez seja o meu lado mais interessado em boas narrativas que esteja a falar, mas na minha perspetiva, um bom jogo faz-se com 10 ou 15 horas de uma história concreta e bem contada, do que de um jogo de 200 horas que não conta praticamente nada. Contudo, este é o título feito para as tais 200 horas de exploração da cidade e de construirmos a história quase à medida que pretendemos, apesar de nunca perder alguma linearidade. Tenho sempre aquele sentimento de qualquer coisa estar em falta e isso acabou por afectar em certo ponto a minha experiência.

O título esmera-se pela sua qualidade gráfica e a Ubisoft tem feito trabalhos incríveis nesta vertente, principalmente depois de há uns anos atrás ter levado demasiadas críticas à custa de apresentações falsas dos seus jogos, algo que atualmente já dificilmente acontece. Assim não é difícil compreender a forma como a empresa tem vindo a trabalhar para nos apresentar a melhor imagem possível e este jogo não peca em nada. Relembro que quando escrevi sobre a beta deste jogo ainda existiam alguns problemas, como falhas em várias texturas. Sem dúvida que esses assuntos acabaram resolvidos e mesmo num jogo com tanto para explorar acaba por ser mínimo o conjunto de erros que ainda vamos encontrando pelo caminho.

The Division 2 é um jogo com um potencial enorme e que acaba por se perder num mar de títulos que atualmente tentam impingir ao jogador um serviço ao invés de uma experiência única e de algumas horas muito bem passadas. Com os orçamentos a rondar cada vez mais e mais dinheiro, começa a ser cada vez mais importante para as editoras que os jogadores passem o maior tempo possível com o seu título e principalmente que paguem muito mais ao longo da sua experiência do que apenas o valor original de mercado. Apesar de compreender essa ideia, acaba por criar dependências ao serviço digital que antes não existia. Definitivamente estamos noutros tempos e este jogo é uma marca perfeita destas novas experiências dos videojogos e apenas tenho a apontar algo que será muito importante para quem quiser ter a experiência de The Division 2 daqui por alguns anos: o mais certo é não conseguirem. Além de necessitar de uma ligação constante ao online, muito do seu conteúdo é adquirido após o seu lançamento, assim será díficil estarem disponíveis por muito tempo, visto que as infraestruturas seguramente vão passar para outros títulos no futuro. 
8.5
The Division 2
Muito Bom
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

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