Yao


Yao (Lionel Louis Basse) é um rapaz de 13 anos. Adora livros e sonha com aventuras. Quando Seydou Tall (Omar Sy), um ator famoso francês viaja até ao Dakar para promover o seu novo livro, Yao não hesita e foge de casa para conhecer o seu ídolo. A partir da sua pequena aldeia no norte do Senegal, palmilha os 387 quilómetros até ao Dakar só para lhe pedir um autógrafo. Seydou, comovido, decide levar o rapaz de volta a casa. Homem e criança, começam então uma aventura pelas paisagens infindáveis do deserto senegalês. Seydou, apesar de ter as suas origens no Senegal , pouco ou nada sabe sobre o país dos seus antepassados e o que seria apenas uma simples viagem, cedo se transforma num regresso às raízes. Uma verdadeira aventura que inclui de tudo. Taxistas desbocados e vendedores burlões. Mulheres sedutoras, música ritmada e inebriante, poeira na estrada e novos amigos. 

Cria-se uma relação especial como pai e filho e através dos olhos do jovem Yao, Seydou vê África como o seu lar. No fim, mesmo que cada um regresse ao seu lugar, Yao com os seus pais e Seydou com o seu filho em França, ficam para sempre amigos.

Existe algo de muito único no cinema francês. Tem a sua própria identidade e surpreende sempre pela positiva. Uma pena que normalmente seja abafado por blockbusters mais sonantes (e americanos). Gostava de ver mais filmes assim chegarem às nossas salas de cinema. Faz falta mais alma, faz falta mais poesia.

Produzido por Philippe Godeau (“Mr Nobody” 2009), chega a 3 de Outubro aos cinemas, esta lição sobre aceitar a lentidão do deserto. Sobre o que realmente importa na vida: viver no momento. Viajamos até às vastas paisagens do Senegal e até ao mar, que o jovem Yao vê pela primeira vez. Compara-o a um lago sem fim, que parece ferver como se um lume o aquecesse.
Catarina Loureiro
Escrito por:

Autora. Artista. Cismadora.

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