Acabei de Acabar

Erica

Playstation 4

Erica


Erica é um thriller jogável, sendo projectado por imagens reais, ou seja, um Full Motion Video (FMV) e, como seria de esperar, a história muda dependendo das nossas escolhas. A história é centrada em Erica Manson, que viu o seu pai a ser assassinado quando ainda era criança, e o assassino num foi descoberto. Passado alguns anos, Erica depara-se com uma caixa ensanguentada no seu apartamento e por conselho da polícia, muda-se para uma clínica fundada pelo seu pai e logo percebe que a verdade é muito mais profunda do que ela imaginara. De alguma forma, todas as personagens que vamos conhecendo é mais suspeito do que o anterior. Todos os segredos, segundas intenções e a memória defeituosa de Erica causam uma jogabilidade muito intrigante do tipo "Não confie em ninguém, nem em ti mesmo".

Erica utiliza algumas técnicas subtis, mas eficazes, inspiradas em filmes para contar a sua história enigmática, como a combinação de ação e limpeza de tela accionada pela interacção do touchpad. Para progredir em cada cena, o jogador escolhe as opções de diálogo e realiza várias acções de aventura. O jogo vai e volta no tempo entre a infância de Erica com o pai e a sua vida no presente. Em geral, os elementos do filme são integrados com tanto cuidado que é uma mistura genuína e principalmente calculada entre os dois mundos. Erica está no meio do jogo e do filme.


Embora não seja focado para vários jogadores como outros títulos do PlayLink, existe uma aplicação para telemóvel que os jogadores podem usar para realizar as principais interações do jogo. 

A cinematografia de Erica não é surpreendente quando se olha para um filme, mas é bastante impressionante para um jogo de FMV. Os cenários, embora simples, também foram criados muito bem, fundamentando o que de outra forma é uma história paranormal sobre o ocultismo.


A escrita de Erica é ótima quando comparada a muitos jogos, embora ainda recaia sobre alguns clichés de terror e drama que muitos serão capazes de reconhecer. Por fim, a única falha real na escrita deste FMV é as constantes repetições, fazendo com que o jogo seja bastante linear, apesar da ilusão de escolha durante todo o jogo. Existem linhas alternativas de diálogo, e até cenas inteiras, que podem ser inseridas ou não, dependendo das escolhas do jogador, mas a história segue os mesmos trilhos na maioria das vezes, independentemente do rumo que os jogadores escolhem. Na realidade, são apenas algumas escolhas binárias no último terço do jogo que influenciará o final de Erica. As escolhas abundantes ao longo da aventura servem apenas para dar aos jogadores mais contexto quando as coisas finalmente vêm à tona. 


Erica tem vários finais e suas escolhas também determinam o relacionamento de Erica com os personagens secundários. No entanto, o jogo dura apenas 2-3 horas e, portanto, o desenvolvimento que se tem com os personagens é muito finito.  

Também é importante notar que as legendas do jogo contêm alguns erros gramaticais e de espaçamento perceptíveis, embora, esperamos, eles possam ser corrigidos com o tempo.

Austin Wintory, o compositor por trás de óptimas bandas sonoras para videojogos como Flow e Journey, lidera a soundtrack de Erica e apresenta-a de forma consistente. Embora o design do som seja sinistro, ambiental e agourento durante o jogo, a banda sonora de Austin e o excelente tema principal servem como a espinha dorsal que sustenta o jogo do ponto de vista de áudio.

Se gostaste de outros títulos da Quantum Dream e queres apenas uma história rápida, podes divertir-te com o jogo Erica. Embora não seja tão interessante quanto títulos como Fahrenheit, Detroit: Become Human ou Heavy Rain, o jogo é agradável pelo seu baixo preço. 
Cristiana Ramos
Escrito por:

Dividida entre o mundo da Ciência e o mundo Geek. Viciada em livros e viagens. Espectadora assídua no cinema, especialmente se aparecer um certo Deus com cabelos loiros. Adora filmes de terror. Louca por cães, mas eles são tão fofos! Romântica incurável (apesar de não admitir). Fã de Friends e Big Bang Theory.

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