Joker


Vamos já deixar um ponto bem definido no início deste texto: Para mim Heath Ledger fez um trabalho único na história do cinema. Pegar num personagem tão bem estabelecido e transformá-lo de forma tão espetacular não é de todo um trabalho fácil e está ao alcance de poucos. Muitos foram os personagens incríveis que o cinema nos oferece, mas o Joker de Ledger vai ficar para sempre na história. Até hoje, o filme The Dark Knight mantém-se no meu top 4 e não me parece que vá sair tão cedo. No entanto, Joaquin Phoenix conseguiu concretizar o inesperado. Não falo em ter destronado a personagem de Ledger, mas há sua maneira conseguiu representar este personagem de forma tão incrível como aconteceu em 2008.

Joker é um dos vilões mais icónicos da banda desenhada e tem agora três das melhores representações em cinema. Cada uma à sua maneira e com os seus pontos altos. Cada uma com características únicas e absolutamente dentro das ideias que cada um dos realizadores transparece para o grande ecrã. Tim Burton apresentou-nos a um Joker clássico, com Jack Nicholson a interpretar tão bem quanto se possa imaginar. Christopher Nolan oferece uma pegada mais realista, com um estilo único onde Ledger abrilhantou todo o segundo filme da trilogia. Apenas podemos imaginar aquilo que viria a ser o terceiro capítulo, onde Joker regressaria ainda mais louco. E agora Todd Phillips, realizador de filmes tão loucos como o clássico Road Trip, ou Starsky & Hutch e até mesmo a trilogia The Hangover, consegue pegar em Joaquin Phoenix e com uma realização mágica transformar este filme em mais uma obra prima na lista das adaptações de banda desenhada.

Por vezes a realização é incrível, mas o elenco não acompanha e por vezes é o inverso, mas aqui tudo se equilibra na perfeição. São raros os momentos em que podemos sair de uma sala de cinema com aquele pensamento de que magia aconteceu, mas este foi sem dúvida um deles. Apesar de toda a controvérsia que o envolve não há que negar a qualidade inerente a toda esta produção. Desde o estilo, às interpretações, até à própria música, tudo parece encaixar de forma tão perfeita que acho quase impossível não adorar este filme.

Diferente da loucura que Ledger trouxe para o personagem, aqui contornamos uma origem que pode ser tão real como a realidade. Relembro que em todos os momentos, a DC sempre manteve a origem de Joker como um enorme segredo. Por várias vezes foi contada uma história diferente e este novo filme é muito vagamente inspirado por uma das histórias de origem mais famosas. No final das contas acaba por ser uma história muito única e original, tentando mesmo a todo o custo afastar-se de tudo o que já conhecemos. Esta é a história que facilmente consigo aceitar como origem. Digo ainda mais, consigo perfeitamente olhar para esta história como uma homenagem ao Joker de Ledger.

Ainda regresso a Todd Phillips que de há uns anos para cá parece ter encontrado o seu estilo, marcando um ritmo e uma conexão entre a câmara e os personagens que se mostram sem dúvida únicas. Este estilo clássico que se entranha em Joker, desde a época em que a história acontece até todo o ambiente gráfico consegue transportar qualquer um para aquela época. Não é difícil perceber um inspiração no trabalho de Martin Scorsese e é ainda mais impressionante quando colocamos esta obra ao lado de Taxi Driver por exemplo. Como fã acérrimo do trabalho realizado até hoje por Scorsese fico extremamente agradado por um ambiente digno de qualquer um dos seus filmes ser transportado para um vilão da banda desenhada e principalmente quando isso encaixa que nem peças de Lego.

A dança, a caracterização, os momentos protagonizados por Phoenix são… o que dizer? É difícil descrever trabalhos tão bons. Mais facilmente conseguiria apresentar argumentos se isto fosse um mau filme ou uma má interpretação, mas Phoenix esteve realmente muito bem. Sem entrar na total loucura do caos que já nos foi apresentada anteriormente aqui encontramos um homem perturbado com a sociedade que se eleva a um nível de psicótico incrível. Foram tantos os momentos que me apanharam de surpresa. Aliás posso afirmar que este ano foi apenas a segunda vez que entrei numa sala de cinema sem pensar em nada, onde apenas me deixei absorver por aquela maravilha da sétima arte. Não houve aqueles momentos: "vi logo que isto ia acontecer" ou "aí que erro crasso que eles aqui cometeram". Nada. Princípio ao fim desfrutei da sua narrativa, do seu personagem central e de toda aquela magnífica realização.

Joker é um grande filme e destaca este vilão como nunca tinha sido feito. Pode ser a abertura de muitas portas, com os estúdios a apostar também no outro lado das histórias, desde que para isso o trabalho seja bem feito e não como foi em Suicide Squad. O futuro o dirá. Por enquanto este é o filme obrigatório de 2019 e parece-me que vá ser o filme do ano, a não ser que apareça algo por aí que surpreenda ainda mais. Nesta gama de banda desenhada, Vingadores-Endgame tem um espaço nos destaques, mas Joker ganha a milhas pelas suas ideias e aspeto único. Se ainda não tiveram oportunidade de ver, não esperem mais tempo. Procurem a sala de cinema mais próxima e observem esta obra. Amantes ou não da essência do cinema, vão ter muito por onde apreciar e o trabalho aqui feito está realmente incrível!
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

1 comentário:

  1. Já estava curiosa, mas agora fiquei super impaciente para assistir a este filme.
    O Joker é aquele tipo de personagem que, apesar de ser um vilão, cativa-nos pela sua loucura e coragem. Concordo contigo Eduardo, cada uma das versões de Joker, pelo menos as duas que já assisti, foram muito bem conseguidas.
    Mundo da Fantasia

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