Mutant Blast - tripas e gargalhadas!


Imaginem que é o fim dos tempos, o apocalipse, o armagedom, mas… desta vez, para variar um pouco a coisa, tudo começa em Portugal! Uma célula secreta militar de armas nucleares tem o seu recinto de experiências científicas completamente fora de controlo. Conseguem com sucesso criar um super soldado de força sobre-humana, destemido e uma verdadeira máquina de guerra: TS-347 (Joaquim Guerreiro), porém todas as cobaias humanas andam agora à solta e algo de muito estranho se passa com a forma como se comportam… Olhar vazio, dentes afiados e esganados por carne e cérebros humanos… Serão zombies?! Maria (Maria Leite), membro de um grupo da resistência consegue entrar no recinto para capturar TS-347, pelo caminho encontra Pedro (Pedro Barão Dias), um tipo ainda a curar da ressaca da festa dos seus 40 anos que foi interrompida por zomb…. quero dizer, experiências científicas. 

Quando finalmente conseguem escapar, explode uma bomba nuclear e os efeitos secundários cedo surgem sob a forma das mais hilariantes mutações. Desde braços, orelhas, cornos ou olhos que nascem dos sítios mais estranhos, a uma lagosta do tamanho de um homem (que filosofa em francês) ou uma ratazana gigante de apetite voraz... Mas como não poderia deixar de ser, a história não acaba aqui. O General da célula (Clemente Santos), o mesmo que lançou a bomba nuclear por acidente, não descansará até recuperar TS-347 e liberta um monstro sanguinário no seu encalço: TS-504 (também interpretado por Joaquim Guerreiro).

Como só seria de esperar da mente de Fernando Alle, realizador e argumentista que já nos tinha presenteado com duas curtas deliciosas Papa Wrestling (2009) e Banana Mutherfucker (2011), este filme é sobretudo hilariante e a palavra soa a pouco. O exagero de gore, o humor aleatório e ridículo são uma lufada de ar fresco. Perdi a conta das vezes em que uma cabeça de zombie é esmagada por uma bota, ou uma faca é espetada diretamente em vários cérebros. Ri-me histericamente com os diálogos deliberadamente idióticos e até me comovi com o discurso do homem lagosta que cisma (em francês claro) sobre o mal que os humanos fizeram ao seu mar, quando tudo o que ele quer é voltar para a sua amada Claudine. 

Mutant Blast é co-produzido pela Troma Entertainment que é já um dinossauro na indústria do cinema independente e cinema trash. Em colaboração com o mesmíssimo LLoyd Kaufman (co-fundador da Troma), chega-nos um filme português que já vai acumulando alguns prémios e méritos, mais concretamente com a excelente interpretação dos atores principais, nos festivais de MOTELx 2018 e Fantaspoa 2019. Fica recomendadíssimo a qualquer um que tenha estômago para constantes tripas e aprecie o humor no ridículo, no embaraçoso. Este filme ao fim e ao cabo ensina-nos a apenas rir, relaxar e não levar a vida demasiado a sério.

Estreia (finalmente!) nas salas portuguesas a dia 17 de Outubro. Façam o favor de ir apoiar o bom cinema português!
Catarina Loureiro
Escrito por:

Autora. Artista. Cismadora.

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