Preview: Os meus heróis foram sempre drogados


Argumento de ED BRUBAKER e arte de SEAN PHILLIPS

Na Comic Con Portugal, a G Floy Portugal lançou este romance gráfico da magnífica dupla Ed Brubaker e Sean Philips, no seu original chamada de My Heroes Have Always Been Junkies.

Da dupla criadora de The FADE OUT: Crepúsculo em Hollywood, vencedor do prémio Eisner para Melhor Série Limitada (2016) e do Galardão BD do Comic Con Portugal para Melhor Álbum Estrangeiro editado em Portugal (2019), e de CRIMINAL, a série policial noir que já valeu a Ed Brubaker o Eisner para Melhor Escritor três vezes, e que venceu os Eisners para Melhor Nova Série e Melhor Série Limitada, OS MEUS HERÓIS venceu em 2019 o prémio Eisner para Melhor Romance Gráfico Original.

Ellie sempre teve ideias muito românticas sobre os toxicodependentes. As almas trágicas de artistas atraídos por agulhas e comprimidos têm sido a obsessão dela desde a morte da sua mãe, também ela uma drogada. Mas quando Ellie acaba numa clínica de reabilitação para a alta sociedade, nem tudo é o que parece, e ela vai acabar por encontrar outro tipo de romance... muito mais perigoso. Pelas mãos da dupla Brubaker e Phillips, um conto alimentado a drogas e a cultura pop, de uma jovem rapariga em busca das trevas... e do que ela lá encontra.

Este novela gráfica ambientada no universo implacável e terrível de Criminal, mete em cena dois jovens a tentar recuperar das suas dependências a substâncias aditivas numa clínica de reabilitação de luxo... dois jovens que se envolvem, e acabam por fazer sobressair um no outro os seus piores traços e hábitos. Obviamente, nem tudo é o que parece, neste conto sobre pessoas que tomam consistentemente as piores decisões possíveis, magoando tudo e todos à sua volta, e a si próprios.

Os Meus Heróis talvez seja uma das histórias mais pessoais que Ed Brubaker já contou em banda desenhada: muitos dos acontecimentos e da caracterização das personagens são baseados nas lembranças e memórias que o escritor tem da sua juventude.

A minha mãe era dependente, e eu cresci a ir com ela a reuniões dos alcoólicos anónimos, dos meus oito anos em diante, ia com ela pelo menos uma vez por semana. Tinha de ficar lá, calado, a ouvir pessoas a contarem as suas histórias, a chorarem e agradecerem uns aos outros pelo apoio, numa sala cheia de fumo, que cheirava a tabaco, mofo e café. Foi uma das experiências formativas das minha vida como escritor, e algo com que me tenho debatido. Desde muito novo que sabia tudo sobre agarrados e bêbados, e dava comigo a romantizar as dependências, como se fossem uma maldição de família que me ia apanhar. E creio que sempre quis escrever sobre isso. Sobre como podemos crescer a admirar pessoas ‘fracturadas’, e como, no fundo, todos estamos fracturados.
 Ed Brubaker

Desenhado por Sean Phillips num dos seus momentos mais depurados e visualmente impressionantes, Os Meus Heróis conta também com as cores impressionantes de Jacob Phillips, que enche as suas páginas com cores variadas e surpreendentes - azuis, pastéis, amarelos pálidos... Em vez de cores planas, são dispersas, manchadas, inquietas, criando um efeito dinâmico e transbordando de vida, longe dos tons escuros e quentes que marcam as páginas da série principal de Criminal

Cristiana Ramos
Escrito por:

Dividida entre o mundo da Ciência e o mundo Geek. Viciada em livros e viagens. Espectadora assídua no cinema, especialmente se aparecer um certo Deus com cabelos loiros. Adora filmes de terror. Louca por cães, mas eles são tão fofos! Romântica incurável (apesar de não admitir). Fã de Friends e Big Bang Theory.

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