The Shining


Em mais uma aventura desta segunda edição do Ciclo dos Horrores aproveitei uma das mais recentes aquisições em Blu-ray para rever o filme The Shining. Já lá vão uns anos que comecei a ver e apreciar o trabalho de Kubrick, mas este foi um daqueles que foi ficando pendente de uma revisão mais atual. Achei que não pode haver melhor altura para rever esta obra de Kubrick que agora, tendo em conta a época em que nos encontramos e claro, o lançamento da sequela com Doctor Sleep a chegar aos cinemas nacionais a 31 de outubro. The Shining conta com Jack Nicholson e um conjunto de outros artistas que nunca mais ninguém ouviu falar. A verdade é que para alguns a jornada de criar este filme foi demasiado traumática e para outros o cenário de Hollywood pode muitas vezes ser demasiado excessiva. 

Dentro de todas as particularidades únicas desta produção fica talvez para a história tudo o que envolve a atriz Shelley Duvall, que ficou psicologicamente e fisicamente afetada com toda a produção deste filme, levando a situações de stress extremo onde até o cabelo começou a cair. Jack Nicholson também teve a sua dose de problemas, com várias alterações no guião a levarem o ator a uma viagem de improvisos e conhecimento das falas apenas alguns minutos antes das filmagens. Uma jornada de loucos com muita culpa do próprio Kubrick e de toda a sua metódica postura nas suas produções. O seu nível de perfeição visual é realmente incrível e as suas produções ficam para a história a vários níveis criativos.

O desenvolvimento desta história de Stephen King não foi bem recebida pelo autor, mas para mim a estranheza e loucura inerente às obras deste escritor foram incrivelmente bem desenhadas para o grande ecrã por Kubrick. Talvez pela sua forma de criar cinema tão diferente do que estamos habituados e com um ritmo completamente aparte dos concorrentes tenha sido um ponto extra para esta produção extremamente sinistra. Esta não é uma história de encantar, é sim um ambiente pesado e psicologicamente fora do comum, com ideias altamente aterradoras. O ritmo desacelerado que é dado a este filme ajuda o espectador a entranhar todos os acontecimentos e é capaz de deixar qualquer um… no mínimo com alguns pensamentos perturbadores.

Com certeza que The Shining não é o filme que vá agradar a todo o público, bem pelo contrário, é um título extremamente particular. Detalhes incríveis e planos tão distintos fazem deste uma das grandes obras do terror psicológico. Kubrick aproveitou muito bem a tecnologia da altura, com a utilização de um novo tipo de estabilizador de imagem que permitiu criar momentos principalmente exclusivos a este título. Quem não conhece aquela viagem de Danny com o seu triciclo pelo hotel? Ou o estranho momento da mulher do quarto verde? Ou até mesmo a onda de sangue que salta do elevador. Tudo cenas incríveis e com planos excelentes que agregados a uma banda sonora perfeita criam um filme excelente. 

As questões deixadas e as dúvidas de cada momento deste filme, dão ainda mais asas para toda a estranheza desta história. Sinistro é a palavra chave para deixar aqui e por isso um grande título para ver ou rever neste Halloween. Dentro de todo um universo de filmes de terror este é talvez um dos grandes destaques para as noites desta tão assustadora época e em 2019 ganha especial atenção graças ao regresso de Danny e das suas capacidades únicas. Se ainda não têm filme para este dia 31 de outubro porque não uma aventura pelo Overlook Hotel? De uma forma ou de outra.. Heeeeeeree’s Johnny!!!!
Eduardo Rodrigues
Escrito por:

Nascido em Coimbra, a residir bem perto e a estudar cá. Considero-me um geek, um devorador de filmes e adoro ler um bom Comic. Gosto de videojogos e adoro o mundo Nintendo. Tenho uma pequena coleção que vai desde a Mega Drive até à Wii U. Adepto quase fanático da Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Sem comentários:

Enviar um comentário