JoJo’s Bizarre Adventure: Phantom Blood

JoJo’s Bizarre Adventure é um anime produzido pela David Production baseado na manga com o mesmo nome escrita e ilustrada por Hirohiko Araki. A manga foi inicialmente publicada na Weekly Shonen Jump em 1987, mas o anime só foi para o ar no Japão no fim de 2012 e levou quase 4 anos para atravessar o Pacífico e passar no Cartoon Network.
Com histórias estranhas, personagens em poses desafiantes e o estilo bastante particular de Araki, ao longo dos anos JoJo’s Bizarre Adventure inspirou memes, cosplayers e até talvez algumas personagens do popular jogo Street Fighter. Não faço ideia de como nunca ouvi falar disto antes, mas como um anime não atinge este estatuto do nada, decidi ver por mim.

A primeira temporada, se lhe quiserem chamar assim, é composta por 26 episódios, que adaptam as duas primeiras partes da manga. A temporada completa está disponível na Netflix sob o título “Season 1”, mas como ambas as partes diferem tanto em termos de história, estilo e tom, achei melhor dedicar um artigo a cada e, assim, este irá debruçar-se sobre a primeira, chamada Phantom Blood (caso não fosse óbvio pelo título).
Phantom Blood segue a história da família Joestar, numa Inglaterra em meados do século 19. Quando o pai de Jonathan Joestar (“JoJo”) decide pagar uma velha dívida e acolher o jovem Dio Brando na sua casa, a sua esperança é que os dois rapazes se dêem bem, aprendam um com o outro e se tornem cidadãos exemplares. O que o homem não contou foi que Dio fosse manhoso e assim um bocado maroto… mauzinho, vá… mau… malvado… enfim, o rapaz é pura besta maligna e decide que vai ficar com a herança da família toda para si. Vá-se lá perceber. Algumas pessoas nascem assim, suponho. Por outro lado, Jonathan é o menino bem comportado e ligeiramente ingénuo que leva o seu tempo a compreender a malvadez do irmão adoptivo. Esta dupla cria assim uma espécie de yin e yang, extremos opostos, que torna esta história num clássico “bem contra o mal”.

Mas este não é o vosso drama comum. Nada disso. Notaram a palavra “bizarre” no título? Pois é, no pano de fundo, algo negro está à escuta, à espera de fazer a sua entrada. Algo que irá dar um pontapé nesta história e enviá-la numa espiral sobrenatural que nos levará numa aventura bastante bizarra (hey-oh!). Ora, quando a alminha ambiciosa do Dio se depara com a possibilidade de obter poderes extraordinários, a herançazinha da família Joestar parece muito pequena em comparação e o outrora jovem que só merecia um par de chapadas ou três mete-se numa demanda para se tornar algo mais poderoso.

Por outro lado, quando a velha técnica da murraça já não chega para parar Dio, Jonathan vê em Zeppeli uma espécie de Tartaruga Genial com um sentido de moda questionável e um bigode à Dali. A diferença é que em vez de lhe ensinar o Kamehameha, Zeppeli ensina JoJo a… respirar? Não, é mais que isso. A técnica chama-se Ripple na versão inglesa e Hamon na original (não sei porquê, esta série deu-me uma fome de presunto que nem imaginam) e consiste numa técnica de respiração que permite ao utilizador executar feitos extraordinários.
Ou seja, entre zombies, vampiros, máscaras sedentas de sangue e super-poderes que vêm apenas de técnicas ancestrais de respiração, os fãs do esquisito estão perante a introdução a um dos animes mais estranhamente captivantes que já vi.
A minha expectativa inicial, pela fama que a série tem vindo a construir, era que este seria um anime bastante leve, tolo e, acima de tudo, estapafúrdio (e estava sinceramente ansioso por isso e não completamente errado). No entanto, a verdade é que por detrás das roupas mirabolantes e poses que desafiam as leis da física, há pequenos grandes significados. Neste caso em particular, Phantom Blood mostra-nos a dualidade de duas personagens que, apesar de numa altura das suas vidas terem tido exactamente as mesmas oportunidades, optaram por seguir vias diametralmente opostas.
Phantom Blood (e todo o resto da série JoJo’s Bizarre Adventure, já agora) entrega-nos doses constantes de perda, mas, mais que isso, mostra-nos como as personagens lidam com ela. Nesse aspecto, há pouco a criticar. As personagens principais crescem e evoluem de forma satisfatória com o passar do tempo e dos episódios. O Jonathan que conhecemos no início não é o mesmo que encontramos no fim e o mesmo é verdade sobre Dio.
O anime completo também está disponível no site Crunchyroll, mas fiquem com a nota que, segundo a Netflix, esta é uma série para maiores de 16, o que é completamente compreensível dadas as amostras de violência, sangue e abdominais tonificados.
Capa
JoJo's Bizarre Adventure: Phantom Blood
Ano 2012 Tipo serie Episódios 9
Distribuição por ,
  • É diferente... talvez até de forma bizarra.
  • Uma aventura com um ritmo excelente.
  • Por esta altura, os desenhos e a animação já têm um ar um pouco antiquado
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Escrito por: Pedro Cruz

"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...