Parasyte

Chegamos então à época mais sombria do ano, o Halloween. E para não estragar esse ambiente, decidi trazer um anime que na minha ótica, foge um bocado dos parâmetros normais, contendo terror e coisas assustadoras. Kiseijuu: Sei no Kakuritsu (no japonês), mais conhecido por Parasyte, sempre foi muito bem falado na comunidade e a sua média de pontuação é das melhores, sendo inserida nesta categoria direcionada para um público mais velho. Apesar de ter conteúdo difícil de ver, com muito sangue e imagens violentas, acho que o anime passa uma mensagem interessante, tendo uma arquitetura de pensamento boa e que enquadra os problemas principais do ser humano e para tudo o que o rodeia. Parasyte foi exibido no outono de 2014 e produzido pelos estúdios da Madhouse.

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Existem várias vertentes em que quero falar, que na minha cabeça, pairam sobre este anime. Sendo uma obra muito falada e premiada, já tinha uma ideia de como iria funcionar a história, mas não deixei de ficar surpreendido pelo que vi. Começa com a chegada de um organismo misterioso e a sua missão, inicial, é capturar o cérebro de um humano. Isto para possuírem o total controle do corpo, havendo liberdade para fazerem o que quiserem. Shinichi Izumi, rapaz de 16 anos, é também ele vitima do ataque destes parasitas, sendo que, o parasita falha em ter o controle do seu cérebro e passa a ser, unicamente, o braço direito dele. Shinichi e Migi (que em português significa “direito”), passam a ser possuidores do mesmo corpo, sendo obrigados a viverem juntos. Mais tarde, começa a surgir assassinatos por parte dos parasitas, fazendo com que, a dupla, trabalhe em equipa para os matar.
Sempre gostei de ver sangue em animes, não quero parecer estranho, mas às vezes sinto que existem certos títulos que perdem um bocado de credibilidade quando tentam censurar certas cenas, sinto que tiram o impacto que precisavam. Mas lá está, estamos a falar de uma animação, e muitas vezes os estúdios podem perder a monetização graças a essas cenas chocantes, que não se encaixam nos vários públicos. Isto para dizer que fiquei satisfeito, que saciei a “minha fome”. Brincadeira. Desde o primeiro episódio, que fiquei surpreendido com a agilidade que a ação representa. Muitas vezes tinha que parar para digerir tudo o que tinha visto em dois episódios, sendo eles repletos de muita ação, drama, sentimentos, mortes, paixões, sendo difícil acompanhar tudo o que se passava. As mudanças que existem, que são elas muitas, também é um ponto forte que o anime tem, mostrando um estilo selvagem e feroz, característico do ambiente envolvente que a obra traz.
O facto de haver sempre um parasita à espreita, rodeado por um ambiente de escola normal, faz com que haja sempre um mau olhado na felicidade que envolvia as personagens. Há quem diga que aquele que esteja habituado à tristeza, torna-se mais forte emocionalmente, que racionaliza mais rápido os seus sentimentos. Migi sempre teve um discurso pragmático em relação à vida de Shinichi, sendo ele, e outros semelhantes, organismos sem a compreensão dos sentimentos, não entendiam o que era bem a empatia, o amor, a solidão. Naturalmente, os humanos viam os parasitas como um ser a ser aniquilado, mas estes se intitulavam salvadores da terra. Vão  haver episódios onde se enfatiza esta ideologia de que é necessário que algo ponha um travão na atividade humana, e pensando bem, nunca houve outro animal, neste caso racional, que se opôs ao ser humano.
Na nossa história, o confronto de ideologias, de pensamentos é normalmente sinónimo de guerra e não se para para pensar nas consequências que isso traz para o planeta Terra. Achei interessante a forma como abordam isso, fazendo com que a raça humana seja alvo de um julgamento pelas as suas ações. Mas também, esse pensamento extremista é confrontado, pois não se resolve mortes com mais mortes. Shinichi sofre várias mudanças ao longo do anime, indo de uma personalidade normal para uma mais próxima dos parasitas, mais fria e pragmática, mostrando que amadureceu. Quando existe estas mudanças, também senti que era uma pessoa à beira de colapsar, de que não era natural, e não foi. Acho interessante, que as duas personalidades que alojam o mesmo corpo, sofram uma metamorfose um com o outro, inventando, assim, uma relação de amizade e companheirismo não expectável. Migi vai vendo a forma como Shinichi vê e sente o mundo, adquirindo pensamentos diferentes que o fazem ter decisões diferentes. E o mesmo acontece com o personagem principal. Concluo que existe uma dualidade de ideologias, em que ambas não estão totalmente certas ou erradas, depende da visão de cada um, mas uma coisa é certa, e isto está presente nesta animação, que o ser humano vai sempre descobrir uma forma de sair por cima.
Dito isto, fico com uma ideia de que passa uma mensagem interessante, mas também acho que o final deixou um bocado a desejar. Para mim não finalizaram bem, pois sendo uma história rodeada de incertezas e tristezas, sinto que acabou de uma maneira demasiado feliz. E existem várias coisas que não encaixam bem na história, mas fora isso, acho que o anime tem o seu valor. Gostei muito das animações da Migi e dos outros parasitas e as formas estranhas que criavam. A música tem os seus altos e baixos, pois senti que em algumas partes não se encaixavam e noutras sim, e também o facto de existir uma música Dubstep genérica, mais no início, que me irritava às vezes.
Deixo a minha recomendação e encorajo qualquer um a ver, não se vão desiludir. Também podem o fazer para entrar no estilo de Halloween, já que vão assistir a muuuuiiitooooo sangue.
Este artigo pertence ao especial
Capa
8
Parasyte
Muito Bom
Ano 2014 Tipo serie Episódios 24
Distribuição por
Estúdio
Rui Brandão
Escrito por: Rui Brandão

Nascido no norte, mais precisamente no Porto. Desde novo que sempre gostei de jogar videojogos, principalmente de computador. Frequento a universidade, mas não deixo de me alimentar com entretenimento. Gosto muito de ver animes, mas também acompanho séries e filmes.