Tower of God: Uma nova forma de anime

De certo que diferentes pessoas descobriram o que era anime em diferentes etapas da sua vida, bem como em diferentes ocasiões. Anime é uma forma de arte, que é susceptível a várias categorias, como filmes ou séries. Enquanto que, para o Japão o termo consiste nas várias animações que existem pelo mundo fora, a população do ocidente afirma que a definição de anime é oriunda só do Japão. É um bocado irónico saber que eu próprio também utilizo a expressão para descrever uma animação japonesa, não querendo ser ignorante mas é o termo que aprendi e que uso para distinguir do resto. Existe uma linha que separa animes de séries, isto é, pode existir o mesmo conceito de episódios e temporadas, mas o planeamento, a produção e resultado final são diferentes. Isto para concluir que quase toda a gente tem noção de que, quando falamos de anime, estamos a referir a uma animação feita no Japão.

Como existe anime, também existem outras formas de entretenimento estrangeiras, isto é, que foram fundadas fora do nosso país. Eu lembro-me que a minha infância, foi toda ela exposta a vários programas que passavam na televisão, vendo Oliver e Benji ou Martim Manhã na RTP2, vasculhando pelos canais da TVcabo e descobrindo a SIC Radical onde vi pela primeira vez Naruto (primeiro anime que completei, já no PC), DragonBall, ou ver Doraemon no Canal Panda, mas como também assistir a diferentes filmes de super-heróis, de Hollywood . Falo aqui não só de animes, mas também de cartoons e filmes para fundamentar que, a não ser que vivemos na Idade da Pedra, fomos adquirindo diferentes gostos e opiniões ao longo do tempo com estes diferentes tipos de arte.

Normalmente a empresa que expõe e vende anime é a Crunchyroll, empresa americana que distribui e publica para a comunidade online internacional, excluindo a Ásia. É normalmente esta entidade que desenvolve a mais importante Anime Awards e para quem é mesmo fanático pela cultura oriental, é o sítio para pagar por uma inscrição premium. Atualmente também existem outras plataformas onde dá para ver anime, como a Netflix. Com isto, é perceptível que nos dias de hoje, anime tem muito mais facilidade de ser consumido por qualquer individuo, de qualquer lugar do mundo.

Agora falemos na prática de criar anime. Primeiramente, quando ouvimos falar de anime, é preciso ter noção que, o seu conceito advém de um produto final, isto é, consiste em uma adaptação de um outro produto, podendo ele ser manga, light novel ou até de um jogo. É menos frequente que um anime seja produzido sendo um original. Uma empresa, no ramo de animação, primeiramente precisa de ter uma confirmação de sucesso, ou seja, precisa de números satisfatórios na venda prévia da historia em questão. Tal como, se formos comparar o sucesso monetário entre a compra dos volumes de um manga e uma subscrição premium mensal da Crunchyroll, é claro que a leitura de quadradinhos sai por cima. Mas o que apresenta mais impacto nos media e nas pessoas é a animação em si. Quando falamos sobre tal cena ou frase de uma história, referimos quase sempre à sua adaptação e não ao manga ou light novel de onde surgiu a narrativa.

Qualquer um pode criar uma obra, uma história que tenha sucesso. É natural que sejam os japoneses os principais criadores, quando falamos de anime, mas nem eles, e nem nós podemos ser estranhos ao facto de que existem narrativas, de igual qualidade, que não são oriundas do Japão. E para colmatar todo este discurso, trago uma adaptação diferente, que provem de um pais diferente, neste caso da Coreia. Mais recentemente, os coreanos tem vindo a popularizar os manhwa, que são iguais aos Mangas, mas estes livros encontram-se num formato diferente, webcomics que estão disponíveis num site denominado WebToon. Neste sítio existe um mundo completamente novo de contos e aventuras, igualmente boas, que por não serem proveniente do Japão, muito provavelmente não iriam ter as suas adaptações e ficariam só no formato exemplar.

Até que o estúdio Telecom Animation Film, criadores de Lupin III e Orange, decidiu adaptar uma dessas WebComics para o formato anime. Falo então de Tower of God, que nesta temporada de primavera, toda ela marcado pela pandemia mundial, foi aquele anime que mais ganhou destaque, não só pela sua qualidade, mas também pela sua origem. Muito brevemente, existe uma torre que convoca pessoas escolhidas chamadas “Regulares” com a promessa de conceder os seus maiores desejos àqueles que alcançam o topo. À primeira vista o anime mostrou ter um conceito sólido e a sua arte, o seu desenho mostrou ter muita qualidade e empenho. Por qual motivo arriscarias a tua vida para subir a torre?

Já tendo visto a obra inteira, venho dizer que esta adaptação mostrou-se sólida, isto é, não foi nada de extraordinário, mas sim algo que desfrutei de ver. Noto algumas falhas nas interacções das personagens e o ambiente em si podia ser melhor trabalhado, podendo haver uma maior variedade de paisagens e cenários. O anime começa com bastante combate e cenas impactantes, mas vai perdendo esse brilho, aquela sensação de luta das personagens pela sua sobrevivência, o que me deixou a questionar qual o verdadeiro propósito de eles subirem a torre. A obra termina dando uma amostra que irá haver uma segunda temporada, então espero que aquelas falhas e perguntas que surgiram na minha cabeça sejam respondidas.

Em geral foi uma agradável surpresa uma historia não japonesa ser adaptada para anime, direcionando os olhares para as webcomics. Acho que esta possível rivalidade vai fazer com que a qualidade vá subir em ambas as regiões e também abrir os horizontes para as possibilidades que existem na produção de anime. Para a temporada do verão já está agendado o The God of Highschool, sendo uma narrativa mais focada nas artes marciais.

Capa
6
Tower of God
Satisfatório
Ano 2020 Tipo serie Episódios 13
Distribuição por
  • Adaptação sólida
  • Começa com bastante combate e cenas impressionantes
  • Algumas falhas nas interacções das personagens
  • Ambiente podia ser melhor trabalhado
Rui Brandão
Escrito por: Rui Brandão

Nascido no norte, mais precisamente no Porto. Desde novo que sempre gostei de jogar videojogos, principalmente de computador. Frequento a universidade, mas não deixo de me alimentar com entretenimento. Gosto muito de ver animes, mas também acompanho séries e filmes.