70 anos de 101 Dálmatas: a “Glennergy” da saga

Uma saga adaptada pela Disney, com diversas adaptações, os 101 Dálmatas marcaram gerações e reivindicaram a Cruella de Vil de uma das vilãs mais icónicas do cinema para uma anti-heroína punk.
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Esta saga faz 70 anos desde a publicação do livro de Dodie Smith, seguidos por diversas adaptações da Disney. Mas o livro não é único a fazer anos: 65 anos do filme da Disney, 30 anos desde o primeiro live-action, com o papel icónico de Gleen Close, e 5 anos do filme de Cruella, com a Emma Stone no papel principal.

O livro de Dodie Smith

Em 1956, a escritora britânica Dodie Smith publicou o livro infantil “101 Dálmatas”. Uma amante de cães, a própria autora manteve diversos dálmatas de estimação, sendo que o primeiro tinha o nome de…Pongo, o nome que inspirou a personagem famosa e adorada pelo público.

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O livro, apesar de muito parecido com os filmes da Disney, possui algumas diferenças. Perdita, a famosa parceira de Pongo nos filmes, era uma personagem completamente diferente no livro, uma cadela escolhida para ajudar a alimentar as crias de Missis, essa sim, a parceira romântica de Pongo no livro. Roger e Anita, os famosos donos dos dálmatas, são denominados de Mr e Mrs Dearly na obra literária, e, Cruella, é esposa de um famoso criador de casacos de pelo. Em vez de uma doméstica, o casal emprega duas. De resto, a história é idêntica.

Reza a lenda que Dodie teve uma grande inspiração para o filme, quando um amigo mencionou que os dálmatas da escritora dariam um bom casaco de pelo. A parte do livro sobre o “renascimento” de uma cria também foi inspirada num acontecimento real, quando o marido da escritora conseguiu salvar um filho do Pongo.

Existe, também , o rumor que o termo Cruella De Vil foi inspirado no Rolls Royce “Sedanca de Ville”, onde passeava frequentemente com Pongo. O nome pode igualmente ser adaptado do “Drácula”, de Bram Stoker, onde “Count De Ville” era um cognome utilizado pela personagem principal.

O filme da Disney

Em 1961, Walt Disney adaptou o livro para o cinema, com a a autoria de Bill Peet, o mestre de diversos filmes de animação da época. Neste filme, Pongo e Roger são dois solteirões que, num passeio no Regent´s Park, encontram ambos o amor em Perdita e Anita (numa situação um tanto atribulada).

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Roger é um pianista em busca de um êxito, e, encontra a tal música esperada em ninguém mais que Cruella De Vil, com o tema “Cruella De Vil”, da autoria de Bill Lee. A vilã, nesta adaptação, é uma antiga colega de escola de Anita, uma mulher com metade do cabelo preto, metade branco, e com uma obsessão pelos 15 filhotes de Pongo e Perdita. Com a frase tão conhecida: “Anita, darling!”

A obsessão da vilã, interpretada por Betty Lou Gerson (a narradora de Cinderela), é tanta ao ponto de mandar, aos ladrões Jasper e Horace, raptar as crias dos dálmatas, levando-as para Suffolk, para a casa de Cruella De Vil ” Hell Hall”. O plano da vilã era tornar os dálmatas num casaco de pelo, raptando ao todo 99 cães.

O filme, ao dar voz e personalidade aos animais, torna a experiência emotiva e sincera, com nenhuma parte aborrecida ou descartável. A doméstica e babysitter dos dálmatas é uma personagem essencial para dar uma sensação de afeto.

O live-action com vibes de Sozinho em Casa e o brilho de Glenn Close

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No ano de 1996, estreou o live-action da obra (ainda antes dos live-actions estarem na moda), com a autoria de John Hughes, .produtor de Sozinho em Casa (1990). Com o sucesso do filme natalício, John Hughes decidiu pegar no mesmo formato e fazer uma versão parecida com cães. Contudo, ao dar tanto realismo ao filme, errou ao não dar voz aos animais, o que faz com que o espetador fique 30 minutos só a olhar para animais em ação.

Mas toda a gente sabe que a estrela do filme é a icónica Gleen Close, dando Glennergy (termo utilizado em no filme de 2022,”Do Revenge”, para descrever Glenn Close em “Atração Fatal”) ao filme, e, possivelmente toda a saga. Nesta adaptação, Cruella é uma estilista de renome, dona da House of de Vil. Anita (Joely Richardson), por sua vez, é uma empregada de Cruella, uma estilista talentosa, e, o Roger é criador de jogos.

O filme tenta colocar as duas mulheres no extremo de um espetro desnecessário: a Anita, uma mulher doce e capaz de desistir da carreira por casamento, e a Cruella, uma mulher ambiciosa e poderosa, solteira, e, rancorosa e cruel. Sim, Disney, as mulheres podem ser ambiciosas, doces e ter uma família, se o quiserem. Tudo ao mesmo tempo!

No entanto, a Cruella de Glenn Close deixou-nos com frases icónicas que não conseguimos esquecer. E, claro, não nos podemos esquecer do Jasper (Hugh Laurie) e o Horace (Mark Williams) desta adaptação, versões dos vilões de Sozinho em Casa, e os seus momentos engraçados.

A situação melhora quando descobrimos que a Glenn Close ficou com todos os figurinos da Cruella, todos utilizados no filme.

Cruella: a nossa anti-heroína favorita

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A partir de 2013, a Disney começou a planear um live-action da Cruella, com a ajuda de Glenn Close, produtora executiva da obra. O filme estreou em 2021, com Emma Stone no papel principal, conquistando o coração do público.

Nesta obra, Cruella não é uma simples vilã. Pelo contrário. É uma personagem complexa, com diversas camadas, mas com bondade e paixão. Num dos melhores live-actions da Disney, a Cruella é a perfeita anti-heroína, uma pessoa imperfeita, mas que continuamos a defender e a gostar apesar de tudo.

Ambientado na década de 70, no surgimento do movimento punk, em Londres, a história segue Estella, uma rapariga sem-abrigo e órfã, com um talento incrível para a moda. Com a ajuda dos amigos Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser), Stella (mais tarde Cruella) consegue seguir os seus sonhos e…vingar-se.

A vilã da obra é interpretada pela icónica Emma Thompson, a Anita, que é uma jornalista nesta versão, pela Kirby Howell-Baptiste, e, o Roger, advogado e pianista, por Kayvan Novak.

E, claro, o filme ainda conta com uma ótima banda sonora, músicas da década de 70 e um hino de Florence and The Machine só para o filme “Call me Cruella”.

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Diana Carvalho
Uma nerd viciada em café e em dramas históricos. Sou uma grande apreciadora de cinema, literatura e noites a ver séries. Uma escritora de poesia, contos e análises críticas. Atualmente viciada em Animal Crossing.

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