A cultura geek e o cinema no Estado Novo

O dia 25 de abril tem um significado importantíssimo para a democracia portuguesa, celebrando-se o fim de uma ditadura de mais de 40 anos. Mas será que sabemos que livros e filmes eram proibidos nessa altura? Vamos ver.
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Durante o Estado Novo (1933-1974), todas as obras de arte e peças jornalísticas eram controladas pela censura prévia, que decidia se deviam ou não ser publicadas. Diversos trabalhos eram proibidos por questões de morais, inclusive bandas desenhadas, livros e filmes.

O caso das bandas desenhadas

Durante a década de 1950, a Comissão Especial para a Literatura Infantil e Juvenil (CELIJ) e a Comissão para a Literatura e Espetáculos para Menores (CLEM) controlavam o conteúdo exposto na literatura juvenil, incluindo a banda desenhada. Havia uma grande preocupação em esconder dos mais jovens cenas de violência, erotismo ou que fossem contra as tradições portuguesas.

Personagens como o Superman, Batman, Capitão Marvel e o Tarzan eram censurados pelo Estado Novo. Outras eram sujeitas a uma mudança de nome, numa tentativa de torná-los mais “portugueses”. O Flash Gordon mudou de nome para Capitão Relâmpago, o Big Ben Bolt para Luís Euripo, Cisco Kid para Luís Ciclone e Rip Kirby para Rúben Quirino.

No caso das bandas desenhadas portuguesas, os próprios autores e editoras adotaram um processo de autocensura para não correrem o risco de serem censurados. Algumas das mais conhecidas eram o “Mundo de Aventuras”, “Cavaleiro Andante”, “O Mosquito” e “O Diabrete”.

A partir dos anos 60, a censura às bandas desenhadas suavizou, contudo, com a popularização da televisão e do cinema, esta arte saiu de moda.

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O caso do cinema

O caso do cinema não obteve muito mais sucesso. Os filmes eram censurados pelas mesma razões que as bandas desenhadas, e, alguns sofriam alterações dramáticas no final, como o caso do “This Land is Mine”, de Jean Renoir. Outros passaram por mudanças nas legendas, como o “Sleeper”, de Woody Allen.

Os filmes “Lolita”, “Laranja Mecânica” (Stanley Kubrick), “Drácula, Príncipe das Trevas” (Terence Fisher), e “A Flauta Mágica” (Jacques Demy) foram completamente censurados. “Lolita”, filme de 1962, acabou por ser estreado em Portugal ainda durante a ditadura, em 1972, com diversas alterações. O resto dos filmes mencionados apenas estrearam depois do 25 de abril de 1974, seja pela existência de vampiros ou por cenas contra a Igreja.

Um dos primeiros filmes a estrear depois do 25 de abril de 1974 foi o “O Último Tango em Paris”, a 8 de agosto. Vários portugueses e espanhóis (que ainda viviam em ditadura) dirigiram-se ao cinema de São Jorge, fazendo filas à porta.

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Outros casos geek

A série “Star Trek”, tão conhecida no mundo geek, apenas chegou a Portugal em 1978, apesar de ter estreado nos Estados Unidos em 1966. No entanto, a série conseguiu fama no nosso país no final da década de 80, com a versão “Star Trek: The Next Generation”.

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No caso dos livros de J. R. R. Tolkien, o “Hobbit” foi, pela primeira vez, publicado em Portugal em 1962, com o título “Gnomo”, 25 anos depois da publicação original. Já os livros do “Senhor do Anéis”, chegaram apenas a Portugal na década de 80, quase 30 anos depois da sua criação.

Os “animes” ainda conseguiram chegar a Portugal, na década de 70, com a “Heidi” e o “Marco”. Nos anos 90, com a estreia do “Dragon Ball”, o gosto pelas animações japonesas popularizou-se no nosso país.

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Diana Carvalho
Uma nerd viciada em café e em dramas históricos. Sou uma grande apreciadora de cinema, literatura e noites a ver séries. Uma escritora de poesia, contos e análises críticas. Atualmente viciada em Animal Crossing.

Colaboraram neste artigo

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