Muitos artistas e escritores já exploraram a ideia de o Super-Homem não ter caído nos estados unidos, como “Superman Red Son” por exemplo, em que o mesmo cai na união soviética. Mas nunca houve algo tão fundamentalmente diferente como o que se esta a passar em “Absolute Superman“.

Este Super-Homem não cresceu numa quinta, nos Estados Unidos da América, mas sim num ambiente de opressão politica e guerra entre classes. Nesta historia, Kal-El não é filho dos dois cientistas mais inteligentes de Krypton, mas sim de dois trabalhadores, sobreviventes da injustiça do seu mundo.
Sabem aquelas imagens que nós temos de Krypton? Nos filmes e séries, em que é tudo brilhante, limpo e cristalino? Então esqueçam. Este Krypton é brutal e injusto. Cheio de burocracia. Até os agricultores tem de pagar, para terem chuva para as suas colheitas.

Krypton funciona com um sistema de classes, em que a Science League são os elites que controlam tudo, e o resto, estão no Labor Guild, as pessoas que utilizam um “S” na roupa, não de esperança, não da casa de El, mas sim, o símbolo da classe trabalhadora.

Os pais de Kal, Jor-El e Lara eram considerados génios, com grande potencial e com futura na Science League, mas como ambos, em diferentes alturas das suas vidas respetivas, criticaram publicamente o regime de Krypton, foram forçados a trabalhar na classe trabalhadora.
Esta foi a grande surpresa desta banda desenhada. Nesta historia, Kal-El não veio para a Terra como um bebé. Ele é velho o suficiente para se lembrar dos seus pais e do regime opressivo do seu planeta. Ele não é um Alien adotado e amado por humanos, mas sim uma pessoa que nunca se esqueceu do que Krypton fez a sua população. E porque é que isto é importante?

Porque quando o vemos na terra, Kal-El trabalha numa mina de diamantes no Brasil com outros trabalhadores explorados. Ele trabalha com eles, sangra com eles, come com eles e protesta as suas condições com eles. E quando a corporação responsável pela mina destaca soldados para silenciar o protesto, Kal não aguenta, e demonstra o seu poder. Este Super-Homem é uma pessoa que se encontra com o poder de parar o mesmo tipo de opressão que não conseguiu no passado.

Esta não é uma daquelas historias reconfortantes, onde te podes sentar a ler um chá quentinho (ou talvez uma limonada fresquinha já que estamos no Verão). Este é um livro que te faz pensar. Uma desconstrução do mito do Super-Homem. Embora ele possa continuar a ser visto como um símbolo se esperança, penso que nesta continuidade ele seja mais um símbolo de resistência.
Não é reconfortante… mas é uma historia necessária.
Leiam Absolute Superman #1!