Aqui vamos nós outra vez!

“Os videojogos tornam as pessoas violentas.” A frase regressa ao debate público, agora pelas palavras de Emmanuel Macron. Entre PEGI, excessos e benefícios cognitivos, analisamos o que está realmente em causa.
blank

“Os videojogos tornam as pessoas violentas”. Esta é uma frase que tem vindo a ser repetida várias vezes ao longo da história dos videojogos, com Grand Theft Auto a ser, normalmente, o jogo escolhido por parte de políticos para demonstrar a sua tese. O mais recente destes políticos, o Presidente da França, Emmanuel Macron

A França já tem uma larga história relacionada com videojogos, sendo a casa de grandes estúdios como a UbisoftArkaneDONTNOD, entre muitos outros. Mais recentemente, voltou a provar o sabor do reconhecimento como há muito não se via, quando um pequeno estúdio virou, em 2025, o mundo do gaming do avesso com Clair Obscur: Expedition 33. O jogo acabou por arrecadar 9 prémios na edição dos The Game Awards, prémios estes que têm muito que se diga, mas a verdade é que muitos acabam por lhes dar uma grande importância, até mesmo o próprio presidente francês, que condecorou os membros da Sandfall Interactive por este feito. 

No entanto, o reconhecimento nos The Game Awards não se ficou apenas pela Sandfall. Em 2025, houve também outros nomeados franceses, como AbsolumShinobi: Art of Vengeance e Rematch. Tudo isto acaba por evidenciar uma clara aposta do país numa indústria que continua a crescer de forma consistente. 

blank

Na realidade, Macron não afirmou que os videojogos tornam as pessoas violentas ou que devem ser proibidos, como já aconteceu no passado. Defendeu, sim, que podem ter efeitos negativos e que esses efeitos devem ser estudados, sobretudo no que diz respeito aos mais jovens, dando como exemplo o consumo de conteúdos classificados como PEGI 18 em jovens de tenra idade. 

Neste assunto, eu digo que concordo com Macron. O Sistema de Classificação Etária, como é o caso do PEGI, tende a ser abordado com leviandade por parte das pessoas, mais concretamente alguns pais, muitos destes sem terem uma total compreensão do produto que estão a comprar para os seus filhos – “é só um jogo! Tem bonecos, que mal pode fazer?”. 

A atribuição de certas classificações é de extrema importância para que crianças não sejam expostas a conteúdo de tal intensidade que as possam traumatizar ou até mesmo dessensibilizar, mesmo sabendo que já são expostas a muito hoje em dia com as redes sociais e até dos noticiários.

Outro tema abordado por Macron, foi o próprio uso excessivo de tal entretenimento, e falando contra mim, que passei muitos serões a jogar, recordando até alturas em que tentava passar um jogo seguido por não ter um Cartão de memória (sinto-me velho!), eu concordo plenamente com esta afirmação. Mas há que dizer que isto não é apenas com videojogos, todos os vícios ou atividades em excesso são nocivas para nós, quer estas sejam a jogar videojogos, quer seja a praticar desporto, que em excesso pode levar a graves lesões (vejam o caso atual dos jogadores de futebol, que mesmo com os melhores preparadores físicos do mundo têm vindo a ter cada vez mais lesões graves devido ao incremento de jogos no calendário). Como dizia um certo mestre chinês “Quem se modera, raramente se perde”. 

Com isto, o texto quase dá a entender que os videojogos só fazem mal, mas isso está longe de ser verdade e um dos melhores exemplos que se pode dar é mesmo o período que vivemos durante a pandemia. Enquanto uns ligavam o Instagram para se questionarem de “Como é que o Bicho Mexe?”, outros ligavam o Discord e passavam serões a jogar online com amigos de forma a não se sentirem sozinhos e desconectados do mundo. Já para não falar do enorme sucesso que foi Animal Crossing: New Horizons quando este saiu em março desse ano, dando-nos um pequeno escape de todo o terror que vinha dos noticiários. 

blank

Não só os videojogos foram um grande amigo durante tempos difíceis, como também podem contribuir para o desenvolvimento das nossas capacidades cognitivas. Um exemplo disso é o estudo de 2024 “Video Gaming in Older People: What Are the Implications for Cognitive Functions?”, que se propôs a estudar de que forma os videojogos poderiam impactar os idosos na luta contra a demência. O estudo acabou por comprovar que estes trazem enormes benefícios para a saúde, tendo “reduzido os níveis de depressão e ansiedade, melhorado a memória e atenção, e consequentemente trazendo efeitos favoráveis para as atividades diárias”. 

Macron traz para cima da mesa um debate interessante relativo aos videojogos. Como acontece com quase todas as atividades, estes podem trazer consequências tanto nocivas como benéficas. Por isso, para responder à pergunta “É necessário fazer-se mais estudos sobre videojogos e os seus impactos nas pessoas?”, a minha resposta é For Sure! 

blank
Picture of Francisco Santos
Francisco Santos
Apaixonado por jogos e cinema. Tento partilhar essa paixão com as outras pessoas.

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE