Bylina é paixão indie total

blank

Bylina, o jogo de ação RPG a ser publicado pelo Far Far Games, mostra bem as más condições a que muitos estúdios indie estão sujeitos na gamescom (ou na industría em geral). Quando chego para a nossa reunião, à hora marcada, a sala está ocupada, temos de passar para a apresentação numa mesa improvisada ao lado do bar deste stand e depois jogo a demo num PC portátil que não é o ideal para a experiência. Mas se vos disser que saí de lá ansioso para jogar mais, será que acreditam?

Todas estas dificuldades contrastam com a paixão mostrada pela equipa. Aleksei Iliukhin, CEO e diretor criativo do estúdio, fala-me de Bylina como quem fala de um tesouro. E dá gosto ouvir este entusiasmo.

blank
imagem: Far Far Games/Bylina.

Folclore eslavo e comparações

Neste RPG de ação, os jogadores embarcam na jornada épica de Falconet, um jovem bogatyr (herói) que nasceu sem os poderes de um verdadeiro herói. Durante uma missão aparentemente simples, ele morre no misterioso mundo do Far Far Kingdom, apenas para ser revivido por um espírito misterioso com quem agora deve compartilhar o seu corpo. É aqui que começo a minha demo, enquanto Aleksei me guia e dá explicações sobre os controlos. Bylina é claramente um trabalho ainda em execução, mas as lutas já aquecem e dão algum desafio. “Algumas pessoas compararam o nosso jogo a No Rest For The Wicked, mas nunca o tínhamos jogado antes de pensar em criar este mundo”, confessa.

Enquanto percorro a demo e vou perdendo algumas lutas, Aleksei explica-me que o nosso herói, Falconet, terá de dominar técnicas únicas, expandir o seu arsenal com armas e poderes mágicos, e enfrentar criaturas lendárias para evoluir. Por isso mesmo, aconselha-me a voltar atrás e explorar mais alguns cantos antes de avançar. Os cenários são vibrantes, inspirados nos mitos e lendas eslavos, e têm nuances muito interessantes (como mostram estas imagens). “O herói não vai só enfrentar apenas inimigos poderosos, mas também emoções e conflitos que definem a alma humana“, diz-me a equipa sem revelar muito mais sobre a história deste jogo.

blank
imagem: Far Far Games/Bylina.

Combate desafiador

Embora o sistema de combate ainda não esteja finalizado, percebo cedo que cada erro pode ser fatal. Isto é algo aliás bastante comum em jogos do género, por isso não me me surpreende. É preciso dominar técnicas únicas e uma variedade de armas, desde espadas e escudos até arcos e poderes místicos. Aprendam a usar bem o escudo. É o conselho que vos deixo. E matem os arqueiros primeiro, se for possível.

Seguindo o caminho que jogos semelhantes abriram antes dele, Bylina traz também progressão de personagem. Poderemos evoluir a força do nosso herói, criar novos itens e experimentar armaduras raras para superar desafios.

blank
imagem: Far Far Games/Bylina.

Narrativa profunda

Por mais do que uma vez, Aleksei fala-me do quanto estão a investir na narrativa: “É uma história rica que mergulha no folclore eslavo, explorando temas de redenção e a complexa luta entre a luz e a escuridão”.

Infelizmente, numa demo de apenas 30 minutos, não dá para termos uma ideia mais completa sobre a narrativa, mas a minha curiosidade ficou aguçada.

Antes mesmo de me despedir da equipa do Far Far Games, Aleksei entrega-me um comic book de Bylina, que serve como um género de introdução ao jogo. Ilustrado à mão e sendo um esforço conjunto de vários membros do estúdio, o livro é um trabalho impressionante e traz uma nota escrita que diz: “este jogo significa tudo para nós” (“this game means the world to us”).

Mais uma vez, a paixão desta equipa pela obra que estão a criar é contagiante. Mesmo sem as condições ideias para a apresentação, esta é uma das que mais recordo nesta gamescom 2025. Os estúdios indie existem mesmo para nos mostrar a quanta criatividade obriga a falta de recursos. Do encontro com Bylina levo uma vontade enorme de jogar o produto final e uma das maiores lições desta edição: “É possível fazer muito com tão pouco”.

Bylina está marcado para chegar ainda em 2025 à PS5, Xbox Series X|S e PC.

Picture of Filipe Branco
Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE