O mais recente episódio do Take trouxe à mesa Cold Storage, um filme que chegou recentemente aos cinemas portugueses e que não passou despercebido. Não por ser brilhante, nem por ser desastroso, mas porque existe algures naquele território estranho onde as ideias são melhores do que a execução.
Um filme que sabe exatamente quando não quer ser levado a sério
Cold Storage parte de uma premissa pandémica que rapidamente deixa claro que não está interessado em realismo. O vírus, a forma como se propaga e o próprio tom do filme apontam mais para o exagero do que para a contenção.
No episódio, essa escolha foi vista tanto como uma libertação como como uma limitação. Há criatividade, há identidade, mas também há momentos em que a lógica fica pelo caminho. E essa tensão entre intenção e resultado acabou por ser um dos eixos centrais da conversa.
O mês certo para o filme certo
Uma das ideias mais consensuais do episódio passa pela forma como Cold Storage encaixa perfeitamente em janeiro. Não como grande evento cinematográfico, mas como aquele filme que funciona melhor num mês mais frio, mais calmo e com menos pressão de expectativas.
Não é um filme para multidões entusiasmadas. É um filme para salas mais vazias, para sessões tardias e para quem entra já preparado para aceitar o estranho.
Liam Neeson, o telefone e um cliché assumido
Falar de Cold Storage sem falar de Liam Neeson seria impossível. Não tanto pela ação física, que aqui é reduzida, mas por algo que se tornou quase uma assinatura involuntária da sua carreira.
O telefone.
A forma como o ator é utilizado no filme levou inevitavelmente a uma reflexão mais ampla sobre os papéis que tem assumido nos últimos anos, entre o conforto do cliché e a repetição consciente. No Take, essa conversa foi feita sem nostalgia cega nem cinismo gratuito, apenas com humor e alguma honestidade desconfortável.
Quando os bastidores também entram na conversa
Outro dos momentos curiosos do episódio surgiu quando Cold Storage abriu caminho para falar de Zathura: Aventura no Espaço, graças a uma ligação direta de bastidores. Não como desvio gratuito, mas como exemplo de como certos percursos criativos acabam por ser mais interessantes do que o resultado final de um filme em específico.
É nesses detalhes que a conversa ganha textura e foge ao óbvio.
Um filme imperfeito que cumpre um papel
No final, Cold Storage não é visto como um filme marcante, nem como um falhanço total. É um objeto estranho, com boas ideias, decisões discutíveis e um tom que divide.
Mas é precisamente por isso que funciona tão bem como ponto de partida para conversa. E o Take vive disso. De filmes que não são consensuais, de escolhas que dão que falar e de sessões que acabam por ser mais interessantes depois do filme acabar.
O episódio completo já está disponível e aprofunda todos estes temas com o registo habitual do Take: crítico, descontraído e sem filtros.
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