Elle Woods apareceu pela primeira vez no grande ecrã há 25 anos, uma lufada de ar fresco em estereótipos recorrentes e uma personagem que inspirou diversas raparigas a seguir Direito. O filme tornou-se num clássico, com uma sequência, um espetáculo de Broadway e uma série prequela, que estreou no início do mês de julho.
A história de Elle Woods
Elle era uma finalista da universidade da Califórnia, à espera de um pedido de casamento do seu namorado, Warner. Mas quando Warner acaba com ela por não ser a “esposa indicada para um congressista”, Elle decide entrar em Harvard, em Direito, para o reconquistar. O que ela não sabia é que ia apaixonar-se por Direito.
Elle Woods à primeira vista parece uma rapariga fútil, por causa das roupas cor-de-rosa, personalidade alegre e a aparência impecavelmente cuidada. Porém, desde o início do filme que observamos que esta descrição é completamente errada: Elle é uma amiga leal, uma líder organizada na sororidade em que participa e uma pessoa extremamente inteligente que consegue um 179 nos LSAT de acesso a Harvard ( o máximo é 180).

No fundo, o filme tem como objetivo quebrar estereótipos. Reese Witherspoon contou que visitou diversas sororidades na preparação para o papel, e, chegou à conclusão que as raparigas dessas casas eram altamente desvalorizadas e que eram muito mais inteligentes do que se pensava. Raparigas mais femininas, preocupadas com a beleza exterior ou moda, são usualmente descritas como fúteis e “vazias”, quando, na verdade, podem ser tão capazes e inteligentes como qualquer pessoa. E a Elle Woods mostra exatamente isso.
Ao contrário de outras rom-coms, o foco de Legally Blonde não é o romance. Sim, Elle encontra, em Harvard, o amor da sua vida, Emmett, um homem que nunca duvidou das suas capacidades e que sempre a apoiou. Contudo, o filme mostra, principalmente, a capacidade de Elle em atingir os seus objetivos e descobrir a paixão pelo conhecimento e pelo Direito. Elle mantém as amizades que tinha na Califórnia, e, ainda faz amizade com uma esteticista mais velha, Paulette (a icónica Jennifer Coolidge), e com a antiga rival, Vivian (Selma Blair).
Consequências positivas da saga
Além de quebrar estereótipos, Elle Woods também criou uma geração de “heroínas”. Atualmente, diversas mulheres nas redes sociais demonstram que o seu percurso pela advocacia foi influenciado por Elle Woods.
Uma das contas mais famosas é a “Attorney Martinez”, uma advogada norte-americana que trabalha, sobretudo, na legalização de imigrantes e com vítimas do Ice (o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira, conhecidos pelas operações extremamente violentas que resultam na morte de diversas pessoas).
Além de lutar pela justiça, como Elle Woods, a “Attorney Martinez” veste sobretudo rosa e publica vídeos a maquilhar-se e a cuidar da sua aparência, enquanto organiza um podcast onde fala da sua feminilidade e do seu trabalho como advogada. Este caso mostra como o filme revolucionou uma geração de mulheres e advogadas.

A prequela que divide fãs
Com Reese Witherspoon como produtora executiva, “Elle” estreou a 1 de julho no Prime Vídeo. A série conta a história de Elle na adolescência, quando os pais decidem mudar-se para Seattle, o berço do movimento grunge. Nesta cidade, Elle (interpretada por Lexi Minetree) vai tentar conviver com pessoas completamente opostas à sua pessoa e fazer amizades.
Muitas das críticas de alguns fãs envolvem o facto de a série estar a repetir o plot do filme original e a confusão da linha do tempo entre a série e do filme. No entanto, a prequela conquistou a maioria do público aficionado pela saga, com elogios marcantes à atuação de Lexi, que captou perfeitamente os gestos e expressões da personagem, e a representação positiva de histórias queer.
Os fãs gostaram tanto da série, que decidiram ignorar as lacunas entre a série e a história original, decidindo, assim, aproveitar as duas produções de forma diferente, e, ao mesmo tempo igual. A série também é marcada por apresentar um Bruiser (o famoso chihuahua da personagem) bebé.
