Hyrule Warriors: Age of Imprisonment e a liberdade criativa que a Nintendo demorou a aceitar

Durante décadas, a Nintendo protegeu ferozmente as suas licenças. Hyrule Warriors: Age of Imprisonment prova que abrir as portas a parcerias externas pode não só respeitar o legado, como expandi-lo de forma inesperada e emocional.
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A Proteção das IP’s da Nintendo

Hyrule Warriors fez parte da estratégia para impulsionar as vendas da Wii U. Como utilizador da consola, não foi o jogo que mais me chamou a atenção, mas foi, sem dúvida, um dos títulos que deixou marca, principalmente devido à permissão pouco comum de utilização de licenças Nintendo por empresas externas.

A história dos videojogos apresenta alguns casos caricatos, e um dos mais notórios envolveu a Nintendo e a Philips. Embora tenham colaborado num projeto que nunca viu a luz do dia, dessa parceria resultaram jogos baseados em licenças Nintendo, produzidos pela Philips para a sua consola CDi. Não é preciso dizer que foram tão mal recebidos que continuam a ser ignorados até aos dias de hoje.

O impacto negativo deixado por jogos como Hotel Mario, Link: The Faces of Evil, Zelda: The Wand of Gamelon e Zelda’s Adventure no legado da Nintendo, levou a uma proteção ainda mais restrita das suas IP’s. Isto aconteceu numa altura em que também assistimos ao primeiro filme baseado em Super Mario, que igualmente foi um desastre. No entanto, é curioso como, apesar de todos os problemas com estes jogos da CDi, algumas potencialidades foram mais tarde exploradas pela própria Nintendo, como, por exemplo, a Zelda como protagonista.

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A Mudança de Estratégia: Parcerias Externas

Durante muitos anos, as licenças Nintendo foram praticamente intocáveis, ou pelo menos sujeitas a um controlo rigoroso por parte da empresa. Isto não significa que não tenham existido jogos desenvolvidos externamente, como F-Zero GX, criado por uma subsidiária da Sega. No entanto, desde os anos 90, a Nintendo não tinha cedido as suas personagens a empresas externas para o desenvolvimento de jogos, até à chegada da Wii U.

Com vários sucessos consecutivos, surgiram outros projetos, como Mario + Rabbids, desenvolvido e distribuído pela Ubisoft. A relação entre a Nintendo e a Ubisoft é longa e duradoura, pelo que parecia ser apenas uma questão de tempo até que algo acontecesse.

A primeira grande parceria nestes moldes foi anunciada com a Koei Tecmo, onde a Omega Force, conhecida pelo universo Dynasty Warriors, nos presentearia com o primeiro Hyrule Warriors na Wii U. Esta parceria provou ser um grande sucesso, com vários jogos a integrarem os catálogos das consolas seguintes. O universo Fire Emblem recebeu igualmente este tratamento “musou” na Switch, seguido de Hyrule Warriors: Age of Calamity e, agora, em exclusivo na nova consola da Nintendo, Hyrule Warriors: Age of Imprisonment.

O Melhor Jogo de 2025 (para mim)

Pode parecer exagerado para muitos, ou até mesmo uma ideia absurda, mas a verdade é que Hyrule Warriors: Age of Imprisonment foi, para mim, o melhor jogo de 2025. Não sinto necessidade de explorar muito esta ideia para justificar o resto da minha análise, mas é uma surpresa genuína que um jogo do género “musou” me tenha conquistado neste ano.

O jogo do ano para mim não tem de ser o jogo do ano para ti ou para o teu amigo. Quando olhamos para o nosso ano como jogadores e percebemos qual foi realmente o jogo que mais se destacou nas nossas aventuras virtuais, sem olhar para prémios ou listas pré-feitas, podemos chegar a conclusões surpreendentes. Hyrule Warriors: Age of Imprisonment está no topo do meu top 3 do ano. Tecnicamente, será o jogo mais perfeito de 2025? Não posso garantir, mas, pessoalmente, cumpriu tudo o que dele esperava. E o mais impressionante foi ter sido um “musou” a cumprir tão bem estes requisitos.

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A Minha Relação com o Género “Musou”

Se analisar a minha coleção de jogos, vou encontrar uma grande percentagem de aventuras, jogos de ação, corridas, desporto, luta e estratégia. No entanto, o género “musou” é provavelmente o menos comum. De momento, só me ocorrem dois jogos: Dynasty Warriors Strikeforce e Warriors Orochi 3 Hyper. A minha ligação a este género, e em particular ao universo da Omega Force, vem de um amigo que é um fã incondicional da saga principal.

Ao longo destes três jogos, a Omega Force conseguiu descobrir a melhor forma de cativar os fãs de The Legend of Zelda. Acho que foi neste terceiro título que alcançaram o equilíbrio perfeito: desenvolver algo que permite explorar a aventura com uma panóplia de personagens do universo de Hyrule, enquanto a história se transforma numa prequela e as ações deste jogo têm um impacto real no futuro, mais precisamente em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom.

Este equilíbrio transforma este terceiro capítulo num jogo especial e obrigatório para os fãs da franquia da Nintendo. Foi aqui que o jogo realmente me cativou. Poder explorar esta versão de Hyrule, inspirada nos jogos mais recentes, mas com uma abordagem mais próxima do modelo clássico de Zelda, foi uma experiência deliciosa que não podia ignorar. Claro que as mecânicas de um “musou” nada têm a ver com o estilo clássico de Zelda, mas é aquele mundo mais linear e direto aos objetivos, sem um mapa gigante para explorar sem saber muito bem para onde ir. Não me interpretem mal: acho que a saga principal funciona muito bem nesses moldes.

Aliás, julgo que a Nintendo, com estes dois últimos lançamentos, conseguiu finalmente oferecer uma experiência semelhante à do jogo original da NES, e isso é de grande valor. Mas, por vezes, sinto falta daquele sentimento que Twilight Princess me ofereceu durante horas a fio. É diferente, e, mesmo com mecânicas e estrutura bem distintas, este terceiro Hyrule Warriors fez-me viajar muitas vezes ao passado.

Ação, Aventura e Emoções

A intensidade de um jogo “musou” pode assustar algumas pessoas ao primeiro contacto. A estrutura é simples, mas torna-se rapidamente complexa. Ação constante, combates intensos, hordas de inimigos e a possibilidade de trocar de personagem são elementos centrais. Rapidamente percebemos que o jogo não se resume a carregar repetidamente num botão, mesmo que isso aconteça com frequência. A estratégia inerente a este género é diferente, mas, no fim de contas, gratificante.

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Explorei todas as possibilidades de me envolver com a aventura, e todas elas foram altamente gratificantes. A progressão apresentada ao jogador é suave e natural, sem nunca nos sentirmos sobrecarregados. A sensação de conquista é tão interessante que me deixou perplexo. No início, temos 10, 20 ou 30 inimigos à frente do nosso herói. Quando damos por nós, já temos mais dez horas de jogo e batalhamos contra hordas de centenas de inimigos.

O jogo dá-nos tudo para termos a melhor experiência possível. Nunca me senti perdido ou frustrado para compreender como proceder. Como disse antes, é muito natural a forma como nos são apresentados cada momento, quer narrativo, quer mecânico. Mesmo próximo do final, ainda aprendemos coisas que nos serão úteis nas últimas horas. E, após o fim, não precisamos de ir embora, pois não faltam locais para explorar e divertirmo-nos a lançar inimigos pelo ar enquanto desbloqueamos mais um pedaço do mapa.

Uma Aposta Ganha

É por estes e outros motivos que se comprova que foi uma aposta ganha a Nintendo ceder os direitos dos seus personagens, mesmo dos mais queridos da indústria, a estúdios como a Omega Force. Estúdios que têm a capacidade de crescer com cada oportunidade e tornar esta licença num ponto fulcral nos catálogos mais recentes das consolas Nintendo. É impressionante como Hyrule Warriors já saltou três gerações de consolas e aumentou a imaginação dos jogadores de formas tão inesperadas. A capacidade de expandir a narrativa dos jogos mais recentes da linha temporal principal, criando ideias nos jogadores que farão parte do imaginário oficial do universo The Legend of Zelda, deixa-me ainda mais pensativo sobre as possibilidades que podem vir a ser apresentadas no futuro da gigante nipónica.

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A Omega Force não criou um jogo perfeito, apresentando até algumas das fragilidades típicas do género, mas conseguiu captar a minha atenção do início ao fim. Cada minuto foi vivido com intensidade e fez-me saltar para o sofá sempre que possível, para jogar mais duas ou três missões. Numa altura em que o tempo é escasso e todos os momentos são mágicos, experiências como estas têm um valor diferente. Mesmo sem perfeição técnica, Hyrule Warriors: Age of Imprisonment tornou-se rapidamente num destaque imprescindível num ano em que a concorrência era feroz.

Hyrule Warriors: Age of Imprisonment prova que a Nintendo pode e deve continuar a explorar parcerias externas para expandir os seus universos. A Omega Force demonstrou que, com criatividade e respeito pelo material original, é possível criar experiências únicas que enriquecem o legado da Nintendo. Num futuro em que a concorrência é cada vez mais acirrada, esta abertura a colaborações pode ser a chave para manter a marca relevante e surpreendente. E, enquanto jogador, só me resta esperar que a Nintendo continue a surpreender-nos com mais ousadia e inovação.

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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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