Joguei SAW: Genesis com a equipa da Bloober Team

Jogámos SAW: Genesis, o novo multijogador assimétrico 3v1 da Bloober Team, e descobrimos um Juiz vulnerável, mapas gerados proceduralmente e escolhas que pesam mesmo.

A minha reunião com a equipa da Bloober Team na gamescom para jogar uma demo de SAW: Genesis é praticamente uma sessão de jogo com amigos. Oferecem-me uma bebida quando chego. A sala é pequena, mas acolhedora, e com meia dúzia de computadores ligados em rede. Um dos devs joga como Juiz, o “assassino”, digamos assim. E nós, os três membros da imprensa convidados para esta demo, jogamos como acusados.

Esta partida em conjunto torna-se tão divertida, apesar do terror, que a meio da sessão quase me esqueço que estou aqui em trabalho e para levar daqui as minhas primeiras impressões deste novo jogo na franquia SAW.

Talvez seja mesmo o objectivo do estúdio polaco.

créditos da imagem: Bloober Team/SAW: Genesis

“I want to play a game”

SAW: Genesis é um jogo de terror multijogador assimétrico 3v1 desenvolvido pela Broken Mirror Games e Anshar Studios, e publicado pela Bloober Team. Todos os estúdios envolvidos sabem bem que este jogo corre riscos num género que pode já estar saturado, por isso este traz algumas mecânicas que procuram diferenciá-lo.

Três jogadores assumem o papel de Acusados e têm de trabalhar em conjunto para escapar a um labirinto cheio de armadilhas e outros perigos. Do outro lado está o Juiz, um jogador que observa os movimentos dos restantes e controla a experiência a partir das sombras. A acção decorre cerca de um século antes dos acontecimentos dos filmes de SAW, no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, numa altura em que Jigsaw ainda não existe. O Juiz é, essencialmente, um precursor da filosofia que mais tarde viria a estar associada a ele.

E é precisamente essa ideia que torna a experiência interessante.

Mal começamos a partida, rapidamente percebemos que não estamos perante um jogo em que basta correr para o objectivo enquanto alguém nos persegue. O labirinto é um espaço para explorar, mas também um enorme puzzle. Temos de procurar objectos, decifrar pistas, perceber como funcionam determinadas máquinas e, sobretudo, comunicar uns com os outros.

É aqui que o jogo começa a ficar divertido. Ou assustador. Depende da quantidade de vezes que os nossos colegas nos deixam para trás e de quantas vezes precisarmos de gritar por ajuda.

A primeira sensação é de alguma desorientação. Não sabemos exactamente do que estamos à procura nem onde vamos encontrar a solução para o problema que temos à nossa frente. E o relógio não está propriamente do nosso lado. SAW: Genesis foi desenhado para partidas relativamente curtas, normalmente na ordem dos 10 a 15 minutos, o que significa que não há muito tempo para ficar a admirar a arquitectura do cenário.

Temos de avançar depressa.

créditos da imagem: Bloober Team/SAW: Genesis

“Live or die”

O problema é que o Juiz também está a jogar. E neste caso o Juiz era um dos devs que trabalha no jogo, sabendo perfeitamente todos os segredos deste mapa, o que não facilitou nada a nossa vida.

Enquanto nós exploramos o mapa, ele observa-nos e interfere com o nosso progresso. Pode preparar armadilhas, utilizar diferentes ferramentas e escolher a forma como quer dificultar a nossa vida. E há aqui uma particularidade interessante: o Juiz não é simplesmente um monstro invencível que anda atrás dos jogadores. Também ele está vulnerável e precisa de jogar com inteligência para controlar a situação. É que ele também pode ser atacado por nós.

Durante a nossa partida, esta dinâmica cria uma sensação bastante diferente daquela que encontramos habitualmente neste género.

Nunca sabemos se aquilo que estamos a fazer está a ser observado.

Estamos os três numa sala a tentar perceber um puzzle e, de repente, alguém começa a desconfiar que o Juiz está a preparar qualquer coisa. Outro jogador quer avançar. O terceiro quer explorar mais um pouco. E de repente somos apanhados e tudo muda. No meu caso, nesta demo, foram algumas as vezes em que fui apanhado pelo Juiz, o que resultou em alguns picos de adrenalina. Numa das vezes consegui escapar antes de ser levado até à sala do julgamento e colocado numa armadilha grotesca mesmo à SAW, o que foi muito satisfatório.

créditos da imagem: Bloober Team/SAW: Genesis

“Make your choice”

SAW: Genesis depende bastante da comunicação entre os jogadores. Não basta cada um preocupar-se consigo próprio. Há situações em que temos de cooperar para ultrapassar determinados obstáculos e outras em que temos de decidir se vale a pena arriscar para ajudar um companheiro. A confiança passa, por isso, a ser uma parte importante do jogo.

E, naturalmente, o conceito de sacrifício está sempre presente. Numa das vezes em que fui colocado numa armadilha, tive que escolher entre sacrificar três dedos, “comprando” assim mais tempo à equipa (o Juiz estendeu mesmo o tempo disponível para completar o desafio) ou em manter os dedos e não lhes dar mais tempo. Como disse: sacrifício. Muito na linha dos filmes.

E isto acontece porque jogo procura transportar para o multiplayer algumas das ideias que tornaram a série conhecida: não apenas as armadilhas, mas também as escolhas difíceis que colocam os jogadores perante situações em que sobreviver pode ter um preço. Os Acusados precisam de cooperar, mas a sua sobrevivência não está necessariamente garantida para todos.

E há ainda outra característica que pode fazer uma diferença considerável quando o jogo chegar às mãos dos jogadores: os mapas são gerados proceduralmente. Ou seja, cada partida pode apresentar uma configuração diferente, o que deverá impedir que a experiência se torne demasiado previsível depois de algumas horas.

Depois da primeira partida, ficamos com vontade de experimentar outra vez e, como tínhamos ainda algum tempo de sobra, repetimos mais umas sessões de jogo.

Depois de jogar a demo, ainda é cedo para saber se SAW: Genesis vai conseguir encontrar o seu espaço num género que já está bastante povoado. Mas há aqui uma diferença importante: em vez de simplesmente transformar SAW num jogo multiplayer, a Bloober Team e os estúdios envolvidos parecem ter percebido que a essência da série pode funcionar particularmente bem quando são jogadores reais a tomar as decisões.

Ainda sem uma data de lançamento anunciada, SAW: Genesis terá agora de 17 a 20 de Setembro mais uma alpha playtest fechada a alguns jogadores. Os mais corajosos podem inscrever-se aqui.

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Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

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