Legends of Runeterra e Magic Arena

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Recentemente estava à procura de jogos e tive duas ótimas sugestões: Magic Arena e Legends of Runeterra. Se por um lado já conhecia Magic: The Gathering (no qual Magic Arena é baseado), por outro League of Legends e outras propriedades da Riot Games eram um mistério que reconhecia apenas através do mundo do cosplay e vídeos de putos irritados a atirarem teclados à parede.

Tanto o Magic Arena (da Wizards of the Coast) como Legends of Runeterra (da Riot Games) são jogos de cartas e construção de baralhos em formato digital. Ambos têm relevância na cultura geek actual e, como seria de esperar, ambos permitem jogar com outros jogadores à distância, o que é porreiro, dadas as circunstâncias atuais. Quero também notar que ambos podem ser jogados de forma completamente gratuita.

Curiosamente, estes jogos têm muito mais semelhanças do que estava à espera, de tal forma que é quase impossível não os comparar, daí ter decidido escrever sobre os dois no mesmo artigo, lembrando que o objetivo não é determinar qual é superior. Ambos têm pontos fortes e fracos e ambos irão agradar pessoas diferentes. Apesar de idênticos nalguns aspetos, há diferenças, como é óbvio, e a primeira tem um impacto bastante grande.

‘Bora lá instalar isto…

Começando pelo início (como deveria ser sempre), ambos estão disponíveis para PC, mas Legends of Runeterra também está para Android e iOS. À data da escrita deste artigo, há uma versão de Magic Arena em desenvolvimento para Android, mas os requisitos mínimos incluem 4GB de RAM, o que garante que tão cedo não irei levar a magia para a casa-de-b… ahem, em viagem.

Molhar o pézinho

De seguida, a primeira coisa que salta aos olhos ao abrir as aplicações é o estilo gráfico e devo dizer que achei os menus e fundos mais atrativos e intuitivos no Runeterra. Não estou a falar da arte das cartas, apenas dos menus e aspeto geral das aplicações. A minha opinião é que aquilo que a Riot Games faz melhor é marketing e este jogo grita “imagem de marca”. Enquanto isso, o Magic Arena parece menos polido. A arte das cartas nem é questão, visto que continua o padrão de sempre, com imagens dignas de fundos de ecrã e os artistas sempre creditados no cantinho das cartas. Como artista (mais ou menos, vá), isso faz-me sentir mais quentinho por dentro, apesar de, sendo sincero, tudo isto ser mais uma questão de gosto que de outra coisa.

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O menu principal. À esquerda, Magic Arena. À direita, Legends of Runeterra.

Mas saltando para o que interessa, o tutorial introdutório do Runeterra simplesmente não foi suficiente para mim. Ou não prestei atenção suficiente ou a estrutura de turnos e velocidade dos feitiços não teve o foco necessário e só aprendi como funcionavam mais tarde, ao jogar contra o computador.

No Magic, esta introdução acaba por ser mais longa. Não diria que é ideal para quem quer saltar para a ação, mas um jogador com 0% de experiência provavelmente irá beneficiar mais desse método.

A chicha

E assim entramos no jogo de cartas em si. Este será para mim um dos tópicos mais importantes, porque, enfim… esta é a espinha dorsal destes jogos. Tanto num como noutro, os jogadores entram em duelos à base de turnos onde jogam cartas de criaturas e feitiços para controlar o curso do jogo e levar o oponente aos zero pontos de vida.

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A mesa de jogo. À esquerda. Magic Arena. À direita, Legends of Runeterra.

Para lançarem as suas cartitas, os duelistas precisam de “mana”, a fonte de energia. No Runeterra, o sistema é mais simples. A mana é incrementada a cada turno para ambos os jogadores de forma igual. Já no Magic, cada jogador têm que administrar a sua mana, algo que influencia o jogo desde a construção dos baralhos ao duelo em si.

A vantagem do primeiro método é que leva menos jogadores a puxarem os cabelos quando a sorte não brilha e torna o jogo mais leve e fácil de absorver. No entanto, traz uma desvantagem para o Runeterra, que passarei a explicar mais à frente.

Construção de baralhos

Em primeiro lugar, quando saltei de um jogo para o outro tive uma paradinha do género “espera, mas eu não mudei de jogo?”. É verdade, a ferramenta de construção de baralhos é quase igual.

Saltando esses pormenores e voltando ao jogo em si, a questão é que no Magic as cartas têm cores que ditam até certo ponto o estilo de jogo (exemplificando e simplificando muito, “azul” foca-se mais em feitiços, “verde” mais em criaturas, “vermelho” em dano direto e por aí fora). Para jogarmos cartas de uma cor é necessário ter mana dessa cor, mas podemos usar as cartas que quisermos desde que arranjemos maneira de ter mana para as tornar jogáveis. No limite, podemos ter um baralho com todas as cinco cores.

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A ferramenta de contrução de baralhos. À esquerda, Magic Arena. À direita, Legends of Runeterra.

No Runeterra, o equivalente são “regiões”, sendo que cada carta pertence a uma “região”, que tem o seu estilo e mecânicas próprias. No entanto, no modo mais comum de jogo, um baralho está limitado a duas regiões, isto é, apenas pode ter cartas de até duas regiões diferentes. O propósito dessa limitação é claro: como a mana é única, seria demasiado fácil criar combinações abusadas e o jogo perderia a piada. No fim de contas, apesar da mecânica da mana do Runeterra tornar o jogo mais fluído, a limitação das regiões faz com que a criatividade dos jogadores esteja limitada.

O que te vai prender ao jogo…

E agora dizem: “Ah, então claramente o teu preferido é o Magic, seu malandro!”. Calma, porque Runeterra tem trunfos na manga e esses trunfos são os modos de jogo. Pois é, este jogo tem um menu chamado “Lab”, com uma espécie de mini-jogos que acabaram por me prender. Enfim, acabei por me divertir mais a jogar contra o computador nestes mini-jogos que contra outros jogadores. Adicionalmente, Runeterra também tem um sistema de objetivos mais elaborado que sem dúvida alguma irá contribuir para que muita malta fique agarrada ao jogo mais umas horas por dia e que dá razões para voltarem no dia seguinte.

Magic, por outro lado, tem um par de modos de jogo diferentes e um ou outro objetivo diário, mas nada que nos agarre realmente se o jogo de cartas começar a aborrecer. O foco principal é trazer ao mundo digital o jogo que jogávamos na esplanada com amigos (ou inimigos…) e acaba por oferecer uma experiência de jogador-contra-jogador mais agradável, com a vantagem de ser muito mais agradável também para a carteira que o formato em papel, mas isso resume aquilo que Magic Arena tem para dar.

Então e guito? Pilim? Carcanhol? É preciso?

Como referi anteriormente, ambos podem ser jogados gratuitamente com a opção de investir dinheiro real. Ambos oferecem itens decorativos, se bem que claramente os do Runeterra são mais interessantes, fofos e/ou fazem mais sentido dado o contexto. No que toca a investir nas cartas em si, no Runeterra é possível comprar “wildcards”, que podem ser trocadas pelas cartas que queremos e ajudam a completar a coleção mais rapidamente.

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A loja do jogo. À esquerda, Magic Arena. À direita, Legends of Runeterra.

O sistema do Magic acaba por imitar mais o formato em papel. É possível comprar “booster packs” para obter cartas e podemos usar dinheiro real ou do jogo para pagar a entrada em torneios. Também existem wildcards, mas são obtidas através dos boosters. Francamente, o modelo do Runeterra torna a criação de baralhos mais rápida e fácil para quem investe dinheiro no jogo, mas nenhum dos dois modelos chega a ser pay-to-win (“pagar-para-ganhar”), porque tudo é acessível através da moeda (gratuita) do jogo.

Conclusão

Agora, a pergunta da praxe: Para quem são estes jogos?

Dado o estilo visual mais “abonecado”, as pitadas de humor e as personagens que nele figuram, acho claro que Legends of Runeterra é direcionado para um grupo familiarizado com League of Legends. Tive a minha diversão, mas não duvido que quem já é fã vá ter muito mais. E claro, é um bom jogo para entrar no mundo da construção de baralhos, especialmente dado o facto de estar disponível para dispositivos móveis e ser um pouco mais leve de absorver e jogar.

Magic Arena, por outro lado, apesar de ser mais monótono em termos de modos de jogo e fazer menos por nos prender à aplicação (o que não é necessariamente negativo), o jogo de cartas em si é mais complexo, puxa mais pela criatividade e acaba por ser mais cativante na construção dos baralhos.

Ou seja, resumindo e concluindo, Runeterra funciona melhor como aplicação, como jogo de entrada no mundo da construção de baralhos ou como passatempo para momentos mortos. Magic Arena funciona melhor como jogo de cartas.

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Pedro Cruz
"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...

Colaboraram neste artigo

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