MotelX – As escolhas da Tixa

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Depois de mais um Motelx, confesso que preciso sempre de um período de luto e de pausa. Há algo triste em deixar de ver as bandeiras do Festival de Cinema de Terror a esvoaçar da varanda do Cinema São Jorge, mas por outro lado há sempre a promessa de que no próximo ano irá regressar.

Nesta 19ª edição, consegui ir a 13 sessões, entre longas e curtas metragens e deixo-vos o meu top 5, em nenhuma ordem em particular:

The Long Walk de Francis Lawrence

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Numa América arruinada pela “Grande Guerra”, a única esperança de sair da miséria é participar na “Longa Caminhada” e esperar ser o último a cair, para ganhar um prémio monetário exorbitante e a possibilidade de realizar um único desejo. Esta longa-metragem de Francis Lawrence, é uma adaptação do romance homónimo de Stephen King e traz-nos a jornada de 50 jovens, que tentam salvar as suas famílias, a si mesmos ou ao futuro da humanidade.

A maneira orgânica como vamos conhecendo as personagens, as suas histórias e o que as motivou é um dos pontos fortes deste filme, que acaba por lhes conferir uma dimensão real, e que nos faz criar uma certa relação com as personagens e o universo.

É um filme supreendentemente dinâmico e que carrega uma tensão que prende a atenção e não nos deixa ficar demasiado confortável e cumpre o seu propósito de maneira competente.

Alliens de James Cameron

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Cerca de 50 anos depois dos acontecimentos traumáticos do filme anterior, Ellen Ripley (Sigourney Weaver) acorda após ser resgatada por membro da Companhia e descobre que já nada resta da vida que deixou para trás. No entanto, e como a ganância humana é o único recurso natural que parece não se esgotar, a tragédia acontece e Ripley vê-se obrigada a enfrentar um exército de incansáveis aliens e a sua matriarca.

Sendo um filme bastante longo, é inevitável ter algumas quebras no ritmo, com algumas cenas mais lentas. No entanto as cenas de ação explosivas e de perseguição frenéticas, fazem com que o filme recupere o ritmo rapidamente. O que aliado a uma cinematografia única e efeitos especiais que conseguem passar o teste do tempo e que garantem uma experiência cinematográfica única.

Este filme de James Cameron deixou o seu marco no cinema e é um dos filmes a não perder para os fãs de cinema de terror e Ripley continua a ser uma das icónicas heroínas do cinema de terror, uma mulher forte e inteligente, que luta até ao fim com unhas, dentes e lança-chamas.

Her Will Be Done (Que ma Volonté soit faite) de Julia Kowalski

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Este filme é passado numa comunidade rural, isolada, e apresenta-nos Nawojka (Maria Wróbel) uma rapariga estranha e desajustada e que se sente presa. Quando Sandra (Roxane Mesquida) regressa à vila, Nawojka desperta da sua dormência, assim como para a herança sobrenatural da sua mãe.

É um filme, de certa maneira muito cru e em que alguns momentos chega até a ser desconfortável, com cenas bastante gráficas, feitas intencionalmente para causar reações viscerais e que não nos deixa ficar demasiado à vontade nas nossas cadeiras.

A própria realizadora refere que praticou bruxaria na sua adolescência, numa tentativa de se emancipar e se conhecer melhor a si mesma como mulher, o que dá uma dimensão muito pessoal ao filme e a maneira como olhamos o feminino, no imaginário popular e no imaginário da bruxaria, assim como à própria solidão feminina.

Alma Viva de Cristelle Alves Meira

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Inspirado nas histórias da juventude da própria realizadora, a pequena Salomé (Lua Michel) passa as suas férias de Verão na aldeia natal da família, que são tragicamente interrompidas pela morte súbita da sua avó, conhecida como a bruxa da aldeia.

É um filme muito português e que oscila entre a superstição mesquinha das pequenas aldeias e a atmosfera sinistra e pesada do imaginário sobrenatural popular do interior do pais, e ainda os territórios pantanosos das relações familiares e o vazio que fica durante o luto.

É um filme que de forma cinematográfica é muito interessante e fascinante, que tem como pano de fundo as as montanhas de Trás-os-Montes e que a mistura de atores profissionais com não-atores, acaba por lhe conferir uma mística única e uma dimensão bastante real e de certa forma, documental.

O Compositor, de Afonso Lucas e Rodrigo Motty

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Um jantar íntimo entre Álvaro Norte (Filipe Vargas), compositor, maestro e violoncelista de renome e o seu protegido, Mauro (Vicente Gil) toma um rumo angustiante, quando o jovem manifesta a intenção de seguir o seu próprio caminho.

Esta curta, realizada por Afonso Lucas e Rodrigo Motty, que foi a vencedora do prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa, ilustra-nos maneira de maneira quase poética como o aroma inebriante da ambição e ego, nos condena ao abandono da nossa própria humanidade em prol da sensação de poder, sob a forma de subjugação e controlo.

Esta curta prende-nos, não só pela sua fotografia maravilhosa, atuações brilhantes e em que a banda sonora e o uso do “Cavalleria Rusticana” de Mascagni, contribui para o aumento da tensão e a chegada ao clímax da narrativa.

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Patrícia Guerreiro
Do Baixo Alentejo para Lisboa, cresci rodeada de literatura fantásta, filmes de terror e uma obsessão nada saúdavel por Naruto. Atualmente casada com a minha outra metade geek e a limpar caixas de areia, continuo a navegar esta vida de classe operária, entre crises de ansiedade e a minha paixão por filmes de terror.

Colaboraram neste artigo

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