O Diabo Veste Prada 2 – Uma reflexão sobre a devoção inabalável (a nós próprios)

Vinte anos depois, O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas com Anne Hathaway e Meryl Streep. Uma sequela que mistura nostalgia, comédia sarcástica e grandes lições sobre a resiliência no mundo profissional.
blank

** ATENÇÃO POSSÍVEIS SPOILERS **

20 anos volvidos do lançamento do primeiro filme “O diabo veste Prada”, em 2006, chega-nos agora a sequela, e ao contrário da minha dualidade existencial entre reservas/expectativas, à data de 30 de abril de 2026, esta continuação é de uma essência tão gémea que nem duas décadas dissiparam o mesmo nível de graciosidade para esta comédia dramática.

Pessoalmente, não era crente do meu tempo para estes novos 119 minutos no grande ecrã; era antes mais um filme para um qualquer domingo à tarde, aquando disponível numa possível plataforma de streaming. No entanto, a nostalgia do primeiro enredo e a brilhante atuação de Meryl Streep, que lhe valeu um Globo de Ouro como melhor atriz em filme de comédia ou musical, moldaram o meu discernimento e o desejo que me colocou, então, numa sala de cinema.

Igualmente realizado pelo cineasta norte-americano David Frankel, de títulos tão aclamados como Beleza Colateral ou Marley & Eu, esta sequela vem, nestes vinte anos, marcar de forma ovacionada – por aquilo que talvez fosse algo de pouca probabilidade – o reencontro dos elementos fulcrais do elenco original do primeiro filme; neste novo script, bem acolhido tanto por aqueles que seguidores de exímias representações e carreiras de nomes como Anne Hathaway ou Emily Blunt como pela própria trama que atende a temáticas tão vitais como a forma de encarar a vida, e o que desperta em nós, quando somos o extremo entre personalidade e profissional.

blank

Mas, em primeiro, atalhar pela comédia deste segundo filme. Não, não nos inspira a gargalhadas ruidosas com as pipocas ainda por mastigar. Antes mais breves nuances de sorrisos – efetivamente sentidos, sim – de uma elegância de piadas de uma subtileza sarcástica ou inocente, mas em especial a comédia por detrás do “choque” de gerações e a forma, como cada vez mais, temos a graça incrédula entre o que antigamente era passível, natural e sem a malícia concordante das palavras utilizadas com a atualidade e em como tudo é interpretado na espreita de um processo.

Visualmente – claro, é um filme sobre moda – o cenário, ou seja, o clímax paisagístico e que complementa o enredo, permanece fiel e brilhante nesta sequela, fazendo jus à Paris Fashion Week do primeiro filme, com aprazíveis imagens da bela cidade francesa e enaltecidas pelo tema “City of Blinding Lights”, dos U2; nesta continuação, o Runway Gala é tido em Milão, enriquecido pela atuação de Lady Gaga.

Mas o que é realmente interessante, aquilo que nos deixa em introspeção quando um filme termina, é verdadeiramente a mensagem notória nestes dois enredos, num real significado sobre aquilo que entregamos, o que perdemos, a necessidade e a ambição, tudo num reflexo do nosso ser profissional. Mais ainda, quando temos neste “O diabo veste Prada 2” uma empatia maior e pessoal, mas também motivacional, ao percebermos a paixão de Andy Sachs em relação aos artigos que escreve com a entrega por aquilo que também aqui transparecemos no Café Mais Geek.

Para rematar, por aquilo que me apraz referir, que é a mensagem e a moral, e sem aprofundar muito quanto a paralelismos em relação à linha principal da história nesta sequela ou denunciar o quão surpreendente e inesperado foi o “plot twist”, que confesso ter sido engenhosamente bem conseguido e com isso abordar outras questões existenciais e de valores; aqui, vemos algo que contrasta com o efeito “Burnout” do primeiro filme, onde em algumas ocasiões tivemos a personagem principal incapaz de reação; porém, nesta continuação é-nos dado o oposto: a resiliência e os resultados em duas medidas divergentes.

blank

Assim, nestas duas faces da mesma moeda, cunhada pelo valor do empenho e dedicação, percebemos vitórias e derrotas no custo da mesma tenacidade. Pela forma de batalharmos e de nos mantermos fiéis às nossas próprias convicções é que o peso dessa carteira a que chamamos de felicidade poderá ser alcançado.

Andrea Sachs, interpretada por Anne Hathaway, tem no começo desta sequela um percalço que a muitos aflige: a baixa valorização ainda que em plena devoção do seu eu profissional. Mas não quero, no entanto, denunciar contornos mais definidos quanto ao sucedido, e que dá abertura a este filme, mas enaltecer esta nova versão resiliente da personagem principal, onde graças também a uma oportunidade conveniente, que nada mais é do que um eco da sua entrega no primeiro script, e que perdurou durante vinte anos, vemos o culminar de uma nova oportunidade para a sua carreira e realização pessoal. Claro que, e dentro dos seus floreados para o espectador, isto é um real manifesto de persistência, força, aspiração a um legado e com isso a tal moeda volteada em reconhecimento e prestigio.

Admirável é, sem dúvida, a atuação de Meryl Streep, no papel de Miranda Priestly, e o entrechocar do que antes víamos como um abuso de poder e estatuto desta personagem perante aquilo que os anos modernos lhe trouxeram, forçados e calibrados pelo apoio de uma nova figura neste enredo que os ajusta, para este estranho respeito, num desconfortável travo a vassalagem, para com a orgânica empresarial; algo necessário, que acaba por nos apresentar um crescimento humilde, humano e nos valores que formam uma equipa sem os tomar como garantias certas.

“O diabo veste Prada 2” é tão mais do que um filme sobre moda. É uma reflexão profunda perante aquilo a que nos propomos, seja no trabalho ou na vida, e a forma como nos fortalecemos nas imprevisibilidades para alcançarmos a tão gratificante “moeda” das nossas vitórias.

Picture of Helder Martins
Helder Martins
Como autor do Fantástico com as "Crónicas de Tellargya", revejo numa paixão paralela ao mundo Gaming, aos filmes e séries a moral por detrás de variadas histórias com a quais nos podemos motivar e delas retirar forças e foco para a vida. É com essa inspiração que podemos ser mais e como escritor repassar uma mensagem.

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE