Há histórias construídas sobre uma ferida, e há um momento em que essa ferida começa a mudar de forma. Este novo volume de Oshi No Ko, com argumento de Aka Akasaka e ilustração de Mengo Yokoyari, parece chegar precisamente a esse ponto de viragem, onde a certeza que sustentava tudo começa, finalmente, a vacilar.
À primeira vista, é mais um capítulo dentro de uma série já conhecida pelo seu olhar cínico sobre o mundo do espetáculo. Mas o sexto ato, dedicado à vida privada das personagens, promete algo mais delicado: o início de uma fractura na motivação que, até aqui, movia o protagonista.
Uma vingança que perde força
No centro deste volume está Aqua Hoshino, personagem cuja existência sempre pareceu organizada à volta de um objetivo único: fazer pagar o mundo do entretenimento pela morte da mãe. É essa obsessão que dá à série grande parte da sua tensão e do seu peso emocional.



Neste volume, ao aprofundar o que sabe sobre o pai, essa vontade de vingança começa a perder força. Não se trata de uma reviravolta fácil, mas de algo mais subtil: a descoberta de que a verdade, quando finalmente se revela, raramente confirma aquilo que imaginávamos. Para uma personagem construída sobre certezas, esse enfraquecimento é talvez o momento mais perturbador de toda a sua jornada. É também aqui que a série se permite momentos de maior intimidade e ambiguidade entre as personagens, aproximando-as de um plano mais pessoal do que profissional.
Um regresso a Takachiho, cidade dos mitos
Entretanto, Ruby Hoshino e os restantes colegas das novas B-Komachi decidem gravar um videoclipe para tentar aumentar o número de inscritos no canal de YouTube do grupo, um fio narrativo que mantém viva a dimensão mais luminosa da série.
Já a viagem da companhia de teatro traz o momento mais carregado de simbolismo: Aqua, Akane e os restantes deslocam-se a Takachiho, cidade associada aos mitos japoneses, e também o local onde, em vidas passadas, Aqua e Ruby morreram. O regresso a esse lugar promete cruzar o presente da trama com ecos de um passado que a série nunca deixou de sombrear.


Primeiro olhar: o momento em que tudo pode mudar
Com 192 páginas a preto e branco, capa mole e formato 12,6 x 19 cm, este volume 8 já está em pré-venda, com chegada às lojas prevista para 30 de julho.
Neste primeiro contacto, o que mais chama a atenção é a promessa de um ponto de viragem genuíno, não um simples adiamento do conflito, mas uma erosão real daquilo que sustentava o protagonista até aqui. Entre um regresso a Takachiho carregado de memórias antigas e uma vingança que começa a esvair-se, este parece ser o volume em que Oshi No Ko decide, finalmente, olhar para dentro.