Our Flag Means Death – Uma Comédia Pirata Inclusiva
Publicado a 18 Abr, 2022

Criada por David Jenkins e exibida na HBO Max, Our Flag Means Death é uma série de piratas e comédia que demorou a ter o reconhecimento que merece. Apesar dos atores conhecidos e experientes, com personagens hilariantes e uma mensagem muito positiva e progressiva sobre nos descobrirmos a nós mesmos, os primeiros episódios da série não lhe deram o sucesso que merecia.

Mas com a mensagem da série a ficar cada vez mais clara, os personagens mais desenvolvidos e com a base de fãs a aumentar através do mouth-to-mouth que as redes sociais permite, Our Flag Means Death rapidamente se tornou uma das séries do momento, especialmente dentro da comunidade LGBTAQ+.

“Mas como é que uma série de piratas pode ser assim tão inovadora?”. Vou explicar-vos como, com poucos spoilers para aproveitarem a série, mesmo depois de lerem este artigo.

Um estilo de humor britânico

No seu core, Our Flag Means Death baseia-se na história verídica de Stede Bonnet (Rhys Darby), um aristocrata inglês, que em 1717 decide deixar a sua vida de alta sociedade que considera “aborrecida” e que da qual está farto, para se tornar um pirata. Mas rapidamente a série torna-se muito mais que isso.

Começando por se focar nos óbvios e hilários problemas que um aristocrata iria sentir ao se tornar um pirata, como pagar salários aos seus tripulantes para não terem de pilhar outros navios (o contrário do que é ser um pirata), contar história para dormir à sua tripulação ou ter uma inteira biblioteca a bordo do seu navio. A série segue um estilo de humor muito britânico, onde a comédia vem dos personagens em si e das situações em que se vão encontrando e não de piadas a serem bombardeadas através de diálogos forçados, ao clássico estilo americano.

E é através desse foco nos personagens e nas suas histórias pessoais que Our Flag Means Death entrega o seu charme, carisma e inclusão. Para além de Stede Bonnet, à medida que a série evoluiu, ficamos a conhecer mais sobre cada um dos seus tripulantes e das suas histórias que os levaram a ser piratas, com os personagens a descobrirem-se ao mesmo tempo que nós os descobrimos a eles.

Uma descoberta de nós próprios

Pois no final é sobre isso que Our Flag Means Death é. Descobrimos quem nós somos, ao nos livrarmos das amarras das expectativas e normas que nos são forçadas pela sociedade e procurarmos ser quem somos, com uma vida que na verdade nos deixa feliz.

Com a pirataria como a excelente metáfora para a libertação das algemas sociais e expectativas familiares que muitos de nós sentimos, Our Flag means Death consegue explorar temas como a transição de género, a exploração/aceitação da nossa identidade sexual e a procura de um significado para nós próprios, com uma mensagem positiva que muito poucas séries conseguem.

E a adição de uma versão LGBT de Black Beard (Taika Waititi), que está farto da pressão de ter de manter uma imagem de poder e controlo a toda a hora, em contraste com Stede Bonnet, que é o símbolo da libertação das amarras sociais, torna o duo e a relação entre ambos o ponto mais forte da série.

Our Flag Means Death não é para todos. Se não gostas de um tipo de humor mais subtil e focado nas personagens ou de uma série com uma mensagem clara que não tem medo de se mostrar, Our Flag Means Death pode não ser o teu estilo. Mas a série com certeza consegue atingir o que pretende. Trazer a uma comunidade que muitas vezes é pouco e mal representada uma história, uma mensagem e grupo de personagens com o qual se podem identificar sem terem de lidar com os lados mais negativos que muitas vezes são o foco deste tipo de séries.

Uma série que recomendo para qualquer pessoa que esteja aberta a um novo estilo de história, que trata de tópicos já muito falados em séries e filmes, mas de uma forma completamente inovadora que te vai deixar a desejar por uma vida de liberdade e aventura no mar.

No final de cada episódio, Our Flag Means Death vai conseguir divertir-te e com um sentimento positivo e quente dentro de ti, fazendo-te pensar sobre se esta versão de ti é na verdade quem tu queres ser ou quem a sociedade te está a forçar a ser.

Por isso, agarra no meu melhor chapéu pirata e junta-te à tripulação de “The Revenge” nesta aventura de pirataria de alta sociedade!

Escrito por:
Diogo Gomes
Milenial com mestrado em Psicologia Clínica com especialização em Sexologia apaixonado por Artes, Videojogos e Tatuagens. Auto-intitulado Rogue que constantemente se perde na sua própria imaginação.