Sinners – A Relação Entre o Horror e a Academia

Com 16 nomeações na 98ª edição dos Óscares, Sinners torna-se o filme mais nomeado da história da Academia e marca um momento decisivo para o reconhecimento do género de terror.
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Neste momento, estamos em contagem decrescente para a gala de prémios mais mediática da 7ºArte.

Na 98º edição, vamos ter Sinners, Weapons, The Ugly Stepsister e Frankenstein. Nunca o terror esteve tão representado em tantas categorias diferentes, com filmes de orçamentos e produções bastante distintas.

A grande particularidade deste ano, com surpresa para alguns, foi ter Sinners ( Pecadores) como maior nomeado, não só do ano, mas de todas as edições dos quase 100 anos da Academia.

A Obra de Ryan Coogler, cuja estreia nos cinemas portugueses foi em abril do ano passado, pode ter passado despercebido por muitos.

Porém, quase um ano depois, vemos que não só continua relevante – muito devido a uma campanha forte e consistente – como extravasa as barreiras do que acreditávamos ser possível para uma longa metragem assumidamente do género de horror.

Com 16 nomeações, nas mais variadas categorias – mesmo algumas sendo questionáveis – bate o recorde anteriormente detido por alguns filmes como Titanic e La la land. Não é apenas um enorme feito como cineasta para Coogler, como para toda a história do género de Terror, que durante tantos anos e por imensas ocasiões foi menosprezado e colocado numa segunda linha neste tipo de premiações.

Se refletirmos nas razões pelas quais Sinners está a ter este destaque temos que ter em conta alguns fatores :

  • A herança do terror na história das premiações.
  • A onda visionária de novos diretores.
  • O clima social atual.

A herança

Claro que já tivemos exceções, Psico (1960), O Exorcista (1973), Jaws ( 1975), ou mais recentemente Get Out (2017) e The Substance (2024), são grandes exemplos de obras cujo impacto cultural foi tremendo.

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Psico – Alfred Hitchcock
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O Exorcista – William Friedkin
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Tubarão – Steven Spielberg

No entanto, não só pecam por escassos, como na altura de serem galardoados, raramente passam das categorias de som, maquilhagem, ou figurino. Não se tratando de desvalorizar o trabalho incrível e importantíssimo -especialmente para o Terror- destas categorias, a verdade centra-se no facto da valoração das obras deste género, não conseguir equiparar-se às demais categorias, quando entramos no território de Melhor Diretor, Melhor Filme, ou até Melhor Ator.

Daí ter sempre havido um estigma e alguma contenção em dar a devida notoriedade e valor a muitas obras que se encaixavam neste circulo, independentemente da sua qualidade e irreverencia indiscutíveis.

A onda visionária de novos diretores.

Nos últimos 10 anos o paradigma tem mudado. Jordan Peele, Coralie Fargeat, Robert Eggers, os irmãos Philippou, Guilhermo Del Toro, entre outros diretores, tem produzido trabalhos a um nível tão elevado conseguindo entregar histórias aterradoras, originais e atuais, que conseguem desafiar o espetador e critico que ainda via o Terror como apenas um espetáculo de sustos e sangue.

No sentido desta corrente, Sinners consegue criar um comentário social, algo que sempre esteve presente neste género usando metaforicamente, de maneira brilhante, os Vampiros como sugadores culturais. Isso aliado à história e à própria atualidade americana, teve uma projeção e um poder devastador.

À semelhança de Jordan Peele conseguiu criar uma história rica, emocionante, culturalmente impactante e com um grande valor de entretenimento.

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Cinematografia de Autumn Durald Arkapaw poderá vir a ser uma grande surpresa nesta edição.

O clima social atual.

Claro que estas premiações vão sempre depender das campanhas, da publicidade, do burburinho hollywoodiano que nós, espetadores, adoramos alimentar- basta ver a campanha de Marty Supreme. E esta quantidade de nomeações não garante algum galardão.

Mas transmite uma mensagem. Por um lado ,uma obra que não pretende silenciar ,nem olvidar a história do seu país, por outro lado, eleva o patamar do estatuto para este género.

Num momento em que a atualidade americana está caótica, o cinema, a arte, serve como catalisador de protesto. Como meio de lidar com as ansiedades reais.

Independentemente de ser premiado ou não, Sinners deixa a porta aberta para o horror bater de frente contra os ditos “Oscar bait movies” e cria um sentimento de surpresa e curiosidade, que pode ajudar a renovar a imagem de uma cerimónia, que ao longo dos anos tem perdido um pouco de brilho e emoção.

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André Pereira
Os meus gostos vão de filmes e séries, até aos board games e animes. Tenho uma paixão grande pelo Cinema, tendo que dar destaque ao género de terror e ao humor nonsense. Defenderei até à morte que o Babylon é uma obra prima.

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