Spider-Man: Brand New Day chegou aos cinemas no final de julho e é, sem dúvida, um dos filmes mais antecipados do ano.
O quarto filme na franquia segue o Peter, depois do final chocante de No Way Home, a tentar navegar um mundo que esqueceu que Peter Parker existe, enquanto continua a cuidar de Nova Iorque como o friendly neighbourhood Spider-Man.

Enquanto que ver o Peter a trabalhar por si, tanto a construir o seu fato e tecnologia, desde que perdeu o financiamento de Stark Tech, tanto como Homem Aranha,foi definidamente um ponto alto, assim como os cameos variados, a minha parte favorita foi a forma como o Peter foi escrito.
Um foco principal do filme é o isolamento, ansiedade e o stress que o Peter está a passar, impulsionado pela dor que sente em relação à morte da sua tia May que motiva as suas ações nos últimos quatro anos.
A forma como o Peter lida com a sua situação, e os seus efeitos secundários, é algo que ressoa bastante com fãs neurodivergentes.
O Peter reprime constantemente o seu trauma, ignorando o stress que está claramente a afetá-lo, manifestando-se maioritariamente como dores de cabeça e fadiga, uma situação comum em pessoas com PHDA ou autismo.

Isto é algo que a E.V, a sua nova IA, e a detetive DeWolff trazem à atenção. Quanto mais ele ignora, e quanto mais se isola, pior os seus sintomas. Mas o Peter, preso no que ele acha ser correto, continua a ignorar. Isto não é sem consequências, pois vemos o Peter a desmaiar no primeiro ato do filme, e devido à sua impulsividade, ele magoa severamente um polícia e o vilão Scorpion (que estava, na verdade, a ser controlado pela Jean Grey).
O facto de o Peter ignorar o Ned e a MJ (presentemente) e não lhes contar quem é, sendo a conexão emocional é algo que a detetive DeWolff também encoraja, pode ser visto como uma alegoria para como Disfória Sensível à Rejeição, uma reação emocional desproporcional à rejeição ou crítica. Pode ser debatido que qualquer pessoa, neurodivergente ou neurotípica, lidaria com rejeição da mesma forma, mas a dimensão do seu evitamento pode ser considerado desproporcional.
Vemos os mesmos sintomas a piorar, os seus sentidos a serem sobrecarregados constantemente (com coisas simples como uma gota de água a cair a incapacitarem o Peter) as dores de cabeça a ficarem piores, e os seus poderes fogem do seu controle.

Tudo isto é apresentado por meio da manifestação do lado “aranha” do Peter, com o mesmo a dominar o nosso herói e apenas quando o Peter (e a Jean) lida com o seu stress e trauma, é que ele recupera controle da seus poderes.
Mesmo não sendo propositado, a metáfora é algo conecta com a audiência neurodivergente, e mostra perfeitamente o quão sobrecarregante o mundo pode ser para pessoas não neurotípicas.