SpiderVerse: O filme que mudou a animação para sempre

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Um dos filmes mais originais e talvez mais influenciais que saiu em 2018, “Spider-man: Into the Spiderverse“. Em termos de história, pode ser considerado o mais “comic booky” que há, especialmente no ano em que saiu. Versões alternativas de super-heróis, dimensões alternarias, um enredo complexo mas divertido. Um dos melhores filmes de super heróis que alguma vez foi feito.

Mas não é disso que eu quero falar. Eu quero falar da animação deste filme e como a mesma foi capaz de mudar uma industria.

A animação que mudou tudo

Os criadores deste filme criam uma animação parecida com o interior de uma banda desenhada estilizada, mistura animação digital com elementos tradicionais, e elementos de Banda desenhada, como texto no ecrã e gradientes, para criar um um estilo como nunca antes visto.

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Um curiosidade que algumas pessoas repararam ao ver o filme foi a velocidade do framerate das personagens. Não era igual para todos!

Por exemplo, o Miles, no inicio do filme é animado a 12 fps, enquanto que Peter está a 24 fps, o que mostra a experiência de Peter como Spider-Man comparado com Miles. Ou seja, este filme imitou a estética das bandas desenhadas, com cores vibrantes, paletas exageradas legendas caixas de textos e onomatopeias. Até criaram programas específicos para misturar animação digital com tradicional! Mexeram na velocidade de fotogramas das personagens para mostrar personalidade e experiencia. Até quando conhecemos outras personagens doutros univeros, elas são animadas noutros estilos:

  • Peni Parker: estilo anime e mecha japonês;
  • Spider-Ham: estilo Looney Tunes;
  • Spider-Man Noir: preto e branco com grão cinematográfico e sombras fortes;
  • Gwen Stacy: visual inspirado em aguarela, com um fundo que reage às suas emoções.
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Onde é que eu quero ir com isto tudo?

Spider-Verse não provou que era possível romper com a fórmula e continuar a conquistar o público. O seu sucesso mostrou à indústria que a animação podia ser criativa, ousada e autoral. E a partir desse momento, algo mudou. Estúdios começaram a arriscar mais, a experimentar com estilos híbridos e a libertar-se do molde Disney/Pixar/DreamWorks que dominava há décadas.

Gostaria de vós mostrar alguns exemplos de animações que eu acho simplesmente espetaculares, não só nas suas histórias, mas especialmente, na sua arte!

KLAUS

Klaus é um dos meus filmes de conforto. Uma obra que aquece o coração. Fala sobre amor, família, Natal… e talvez, o mais importante de tudo, mágoas e rancores que se arrastam no tempo. Estreou-se na Netflix em 2019 e surpreendeu toda a gente. Num mundo dominado por animação 3D realista, Klaus trouxe de volta a magia do 2D, com um estilo visual pintado à mão que parecia saído de um conto de fadas. Sim, eu disse 2D. Este filme parece 3D, mas simplesmente foi pintado de forma a parecer 3D.

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SPA Studios utilizaram um estilo pintado à mão com iluminação volumétrica, que normalmente é reservado a animação 3D. Revolucionou a animação 2D moderna.

The Mitchells vs. The Machines

Um filme inesperado, que me surpreendeu muito com a sua história. Uma família disfuncional, onde o pai é considerado “old school” e não percebe nada de tecnologia, e uma filha criativa que sonha ser produtora e sente que não se identifica com ele. Quando Rick tenta aproveitar os últimos momentos com a filha antes de ela ir para a faculdade dos seus sonhos, um apocalipse tecnológico acontece, e esta família, que se considera esquisita, acaba por ser a última esperança para salvar o mundo.

Este filme parece que foi desenhado a mão, o que parece dar às personagens e aos seus ambiente um “feel” mais orgânico. Claro que, tal como spider-verse, usaram software e técnicas de animação 3D para simular este efeito de “desenhado a mão”.

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Puss in Boots: The Last Wish

Agora este era algo que não estava nada á espera. Já existiam dois filmes do gato das botas, com animação standard habitual, típico estilo da DreamWorks, mas depois aparece este. Inspirados pelo filme do Spider-verse, quiseram fazer que o filme parecesse mais com ilustrações de livros de histórias.

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KPop Demon Hunters

O último filme que saiu dentro deste estilo foi “KPop Demon Hunters“, que saiu no dia 20 de Junho de 2025, e rapidamente se tornou um sucesso mundial, ficando com o “number one spot” na Netflix em vários países!

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Este filme tem uma premissa muito engraçada. Segue um grupo feminino de K-pop que leva uma vida dupla como caçadoras de demónios e acabam por enfrentar uma boy band rival, os Saja Boys, cujos membros são secretamente demónios.

Está nova onda de animação é algo que me faz feliz. Animação já não se encontra estagnada e com “Disney/Pixar face”. Não que o estilo da Disney seja mau! Mas o facto de, há poucos anos atrás, não existir muita variedade, em termos de estilo, numa área criativa sempre foi algo que questionei.

Já ouvi muitas coisas boas sobre este último filme e, com cada ano que passa, sinto-me cada vez mais entusiasmada com o mundo da animação. Há ainda muitos outros filmes que não mencionei e que se enquadram neste estilo. E nem sequer abordei nenhuma série animada! Uma área onde a animação também tem evoluído bastante (uma área que, em termos de animação e estilo, sempre foi um pouco mais corajosa na minha opinião.

Estamos, sem dúvida, numa excelente altura para se ser fã de animação!

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Sara Repolho
Uma apaixonada por jogos retro, banda desenhada e tudo o que faz parte da Cultura Geek. Tenho um interesse especial em animação, e vejo a mesma como um meio para contar mais histórias, e não só como um género de filme. E digo sem medo: a DC é muito melhor que a Marvel!

Colaboraram neste artigo

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