!!!ATENÇÃO A POSSÍVES SPOILERS!!!
Um bom e verdadeiro filme de animação, capaz de ressoar numa vibrante boa energia para o espirito de quem assiste, e independentemente da indústria que o assina, tem imperativamente – na minha ótica, e enquanto fã deste género de filmes ou séries – de emocionar.
Claro que o efeito “UAU” varia de espectador para espectador, mas creio que a receita para uma opinião para lá das receitas de bilheteira é tão singela quanto fazer rir e inspirar.
Para mim, humilde apreciador de animação, são os momentos altruístas. O olharmos para um bem maior do que o nosso.
Talvez o fosse pela expectativa elevada que carregava comigo, ou o quanto ansiava por ver em ação a minha figura favorita do universo Super Mario, na forma de um pequeno dinossauro verde e carapaça vermelha, mas Super Mario Galaxy – O Filme deixou-me no palato um estranho e desapontante amargor. Felizmente, não tão ácido ao ponto de cerrar o olhar e afunilar os lábios, pela graça que foi a aparição de um pequeno Yoshi, dentro e fora do ecrã, através de um extravagante, mas necessário colecionável com pipocas.

Mas recuemos um pouco mais, até 2023, de maneira a enquadrarmos, dentro da mesma franquia, o tal fator “UAU”.
Volvemos, assim, a 5 de abril desse mesmo ano, para a estreia deste primeiro filme produzido por Shigeru Miyamoto em parceria com Chris Meledandri, ou seja, Nintendo e Illumination. Algo que vinha consolidar os diversos êxitos do mundo gaming Super Mário, como o foi Super Mario Wonder lançado mais tarde nesse ano, mas também para redenção daquela aspiração a filme baseado nessa mesma franquia, com a apresentação do Super Mario Bros. em 1993.
E os resultados – antes de sintetizar o plot que contou, e ainda conta, com as vozes de Chris Pratt, Jack Black ou Anya Taylor-Joy – foram assombrosos, destronando alguns bons êxitos de MARVEL, e alcançando um feito ao galgar a marca dos mil milhões de dólares.
Mas os recordes de bilheteira são as pessoas; e as pessoas são um reflexo emotivo e promotor daquilo que as impressione.
E esse primeiro filme, Super Mario – O Filme, detinha, para além do fator expectativa/surpresa, os três valores base para uma sólida história: principio, meio e fim.
Desde uma madura apresentação das personagens principais, e dos seus valores e dúvidas existenciais, até à trama e ao objetivo principal, que o é salvar Luigi; mas também pela forma como se interliga com outros propósitos em paralelo, como a recusa de Peach em casar-se com Bowser e a necessidade desta em formar um exército com os Kongs.
Tudo habilmente, e claro que muito sumariamente resumido, trabalhado numa história que vai guiando o canalizador Mário através destes desafios, e com isso evoluindo-o como personagem que conhece os mesmos estágios humanos daqueles que o assistem sentados em cadeiras de cinema, que são as dúvidas e as certezas.
Mas claro que Super Mario – O Filme, não o seria só grandioso por uma demanda habilmente estruturada; ele suscita emoções pela forma como adorna toda a história com uma comédia em gargalhadas iguais de pessoas diferentes. Recordo, por exemplo, a peripécia destes dois irmãos canalizadores a procurar vingar na profissão, mas no seu infortúnio incapazes de reparar uma simples fuga e a par disso lidar com um cão molhado e raivoso. (Só o lembrar retira-me um sorriso genuíno do rosto).
A par disto, temos um remate final com o tal fator “UAU”. Mario, sozinho, intervém para proteger Donkey Kong e no último instante, antes das chamas de Bowser o tocarem, Luigi interpõe-se para salvar o irmão.
Tudo isto é arrepiante pela forma como em meros minutos conseguimos perceber virtudes, como coragem, sacrifício, superação e a força entre dois irmãos, maior do que qualquer “POWER-UP”, mas ainda assim enfatizada pela “Estrela” que lhes dá o poder para vencer o mal.
No entanto, não me cabe neste artigo – e no que traz a minha humilde opinião – falar sobre este, outrora, e ainda, magnífico filme, que abriu novas portas para o universo cinematográfico Super Mario.
Quero, sim, espelhar o fosso abismal entre a qualidade e estrutura de um primeiro filme e a sua sequela; fazendo jus ao que muitas vezes nos retira a fé e assusta que é a possibilidade de uma continuação de uma franquia superar o seu antecessor.
E, pessoalmente, é uma “maldição” que cada vez mais merece ser compreendida e eliminada. Por forma a não deitarmos por terra as conquistas alcançadas e que foram sonantes para os seus espectadores.
Temos, então, SUPER MARIO GALAXY, O FILME.
Estreado a 2 de abril de 2026, numa sequência com 98 minutos, conta com os meus criadores: NINTENDO E ILLUMINATION. Miyamoto e Meledandri.
Nesta continuação, que não retira as verbas que já amealhou, e continuará a amealhar, por aquilo que é a indústria nos seus alicerces, mas sobretudo pela inabalável crença dos fãs, Super Mario Galaxy apresenta-nos novos pilares nesta narrativa parcamente estruturada: Yoshi, Rosalina e Bowser Jr.
Não irei aprofundar muito o enredo desta sequela, tanto para não adensar esta minha escrita com spoilers excessivos; e porque apesar de tudo, mantém-se um filme que justifica ser visto.
Mas a realidade é que é todo um guião confuso, em que tanto vemos os heróis a procurar vingar na demanda em curso como, de um momento para o outro, os vemos perseguidos pelos próprios objetivos que pretendiam atingir.
Como espectador, senti-me desprovido e desorientado de um rumo, que é o que nos cativa e relaciona para com a crescente evolução das personagens, dada a azáfama de pormenores aleatórios e sem pretexto ou pelas personagens secundárias atiradas aos magotes para a história, como Birdo ou Wart. Convenhamos, o roubo da mochila do Toad, e que leva a essa interação, não foi propriamente relevante ou impulsionador na intriga.
Ou seja, senti-me tão perdido neste script sobrecarregado de conteúdo, como se tivesse a jogar efetivamente Super Mario Galaxy para a Nintendo Switch.
Adiantando-me a estas explosões de acontecimentos frenéticos e atabalhoados, acrescenta-se o fator de uma comédia forçada e desconexa. Toda uma tentativa de procurar a piada, em especial numa caricatura que procura o romance entre Mario e Peach.

Por fim, e o que atrai uma audiência de fãs ou simpatizantes, que reconhecem nestes filmes lembranças das suas infâncias, é o desvendar os EasterEggs. Ora, Super Mario Galaxy, O Filme, concede-nos isso de forma tão gratuita como se o Wally estivesse já assinalado a vermelho e em ponto grande nos seus livros.
Mesmo naquilo que são cenas representativas do mundo dos videojogos, como MarioKart ou SuperSmash Brothers, nesta sequela sinto que ficou aquém do desejado; sendo que no primeiro filme era tão mais sumarenta a alternância entre a narrativa e a pista de arco-íris ou a exímia arte que na reta final do filme nos conferia uma reminiscência em 2D.
Questiono-me, na tática aplicada nesta continuação, sobre a ausência de desafio, que nos retira o brilho do olhar e o nariz que aponta para aquilo que recordamos. Porém – e em conclusão – gosto, ainda que na desilusão, de atender ao bom que possa existir.
E em Super Mário Galaxy, o Filme, existem para mim duas valências que merecem critério.
Yoshi e Fox McCloud.
Efetivamente, numa parte do filme onde já exasperava, a aparição cómica e presunçosa daquela raposa do espaço, a comando da Arwing e com mestria para “Barrel Rolls”, vem refrescar toda a trama da qual já pouco esperava.
E, sim, aquele pequeno dinossauro era a graça que me impeliu desde o início; e naquilo onde esperava mais neste segundo filme, olhar de perto a inocência de Yoshi, a deambular pelas ruas de Nova Iorque, ou a forma como tanto esboçava traços como lealdade, amizade e valentia amenizou o meu descrédito pelo resultado final desta sequela, onde sinto que esta personagem poderia – e merecia – direito a cenas tão grandiosas quanto o branco das suas asas no modo Mellow, em Yoshi’s Woolly World.
Um terceiro Super Mario, O Filme?
Sempre. Mas que o seja refinado, e não esquecido, do sentimento que sempre conquistou gerações a este Universo.