“Superman (2025)” Não é o problema. O cansaço é vosso.

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“O Super-homem é aborrecido” é uma das frases que oiço mais das pessoas que não leem banda desenhada, e que provavelmente nunca tocaram numa do Super-homem. Dizem que ele não tem graça porque é forte demais, não tem conflito. Mas ele não é o problema. Nós é que nos habituamos a ver os nossos heróis quebrados e cínicos, embrulhados em traumas. E começámos a ver sofrimento e brutalidade como reflecções da nossa realidade. E é exatamente por isso, que precisávamos deste filme.

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O filme do Super Homem não tenta transformar a personagem em algo que ele não é, como “Man of Steel” fez. Ele mantém a personalidade da personagem e os seus objetivos tal e qual a banda desenhada. Um rapaz do campo, um cromo genuíno, educado por agricultores em Smallville, que no início da sua carreira confiava demais nas pessoas , porque nunca deixou de acreditar no bem. E sim, um cromo, mas um cromo com princípios.

O mito de que ele é “demasiado forte”

Um dos argumentos mais repetidos por quem descarta o Super Homem é o facto de ele ser demasiado forte. Que não há tensão, porque é obvio que ele vai ganhar. Que não há conflitos internos.

Mas o Super Homem não é interessante apesar do seu poder, mas sim por causa da maneira de como escolhe usá-lo. Todos os dias, ele tem o poder para dominar, vingar, controlar. mas não o faz. Aliás, nem posso dizer que ele escolhe controlar-se porque não é verdade, simplesmente nem pensa em segurar-se. Ele é bom, porque o mundo não é, e isso é muito mais difícil do que esmagar um vilão com um murro na cara.

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Ele nem sequer é o ser mais poderoso do universo DC. Um universo cheio de deuses, demónios, entidades cósmicas que existem fora do tempo, com poderes de remodelar realidades inteiras. O Super Homem é poderoso, mas está longe de ser invencível. Só por ele ter poder, não quer dizer que invulnerável. Ele sente, sofre e perde. Já foi derrotado. Já foi manipulado. Já morreu. A sua força é impressionante, mas não é absoluta. A sua dor não é feita de ossos partidos, é feita de culpa, impotência emocional, e o peso de tentar ser um exemplo num mundo que nem sempre quer ser salvo.

Raramente é o melhor

Superforça, visão raio-x, sopro congelante, supervelocidade, voo, audição sobre-humana, visão de calor… e por aí fora. Sim, ele tem isso tudo. Mas não o torna o mais forte em tudo:

-Ele não é o mais rápido. Esse lugar pertence ao Flash, nomeadamente o Wally West.

-Não é o mais inteligente. Heróis como Mr. Terrific, Batman e Brainiac 5 são frequentemente retratados com intelectos superiores.

-Não é o melhor lutador. Wonder Woman e Batman e até superam-no em termos técnicos no combate corpo-a-corpo.

-Não é o mais poderoso em termos cósmicos. Doctor Fate, Spectre, ou os Green Lantern operam a níveis que ele não alcança.

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O Super Homem é simplesmente o mais confiável. E isso é o que faz dele o centro moral da DC.

Trabalhador e homem de família

Talvez o que mais distingue o Super-homem de tantos outros heróis não é só o que ele consegue fazer, mas quem ele é quando não está a salvar o mundo.

Clark Kent não é uma fachada. Não é um disfarce como o de Bruce Wayne ou o de tantos outros heróis. Ele é genuinamente aquele jornalista desajeitado, educado, que anda pela redação do Daily Planet a tentar cumprir prazos, a ouvir os colegas, a escrever sobre injustiças sociais e a ser subestimado. Ele trabalha. Tem contas para pagar. Vai buscar café para a Lois.

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E depois há o lado familiar. Lois Lane não é apenas um interesse romântico, mas sim a parceira de vida. E agora que têm um filho (Jonathan Kent), vemos o Super Homem como pai. Como alguém que tenta educar e proteger. Ele é um super-herói, sim, mas também é um marido que cozinha, um pai que conta histórias antes de dormir, um amigo que aparece quando se precisa dele.

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O Super-Homem ainda importa

Clark Kent é um alien que podia dominar o mundo, mas que escolhe ser humano. Ama profundamente o seu planeta adotivo, luta pelo seu povo, protege a sua família e os seus amigos com o mesmo fervor com que salva cidades inteiras. Ele é um símbolo de esperança.

E talvez seja por isso que o novo filme do Super Homem funciona tão bem. Porque, por entre a ação e os voos, ele volta a mostrar aquilo que sempre o tornou especial: um coração gigante, que nunca para de acreditar que podemos ser melhores.

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Desculpa se preferes os teus heróis emocionalmente indisponíveis. Este só quer salvar o mundo e jantar com a sua família.

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Sara Repolho
Uma apaixonada por jogos retro, banda desenhada e tudo o que faz parte da Cultura Geek. Tenho um interesse especial em animação, e vejo a mesma como um meio para contar mais histórias, e não só como um género de filme. E digo sem medo: a DC é muito melhor que a Marvel!

Colaboraram neste artigo

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