Tribeca Lisboa 2025 – uma festa do cinema?

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“O cinema é de quem o faz, de quem o vê e de quem o critica”

Esta foi a frase que Giancarlo Esposito escolheu proferir à minha frente, ainda sobre o tapete azul que inaugurava a festa do cinema que prometia voltar a atravessar o Atlântico, mais precisamente até ao Beato e trazer estreias inéditas, podcasts ao vivo e conversas despretensiosas com estrelas nacionais e internacionais. Mas, após uma primeira edição detentora de críticas não tão positivas e de um prejuízo considerável, será que alguém pediu por esta segunda edição? E será que a frase do famoso antagonista de Breaking Bad não seria apenas um refúgio para abrigar a SIC e Carlos Moedas da sua tentativa de aumentar a síndrome do país periférico deslumbrado por meia dúzia de grandes nomes de Hollywood, vestindo-o com o nome de um conceituado festival de cinema?

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Seria injusto da minha parte não começar por aqui: o Tribeca representa algo positivo, do ponto de vista comercial, para o nosso país. Não no que toca à parte financeira, pois como afirmei, a primeira edição apresentou prejuízo, mas querendo ou não, ter festivais internacionais em Portugal é algo que todos ambicionamos. E isto não tem de ser levado como um bajular aos ingleses ou aos americanos porque “tudo o que se faz lá fora é que é bom”. Não, pelo contrário. Em teoria, o Tribeca, ou todos estes “Tribecas” espalhados pelo mundo têm capacidade de exportar o nosso e dar a conhecer a quem se quiser juntar uma verdadeira salad bowl cinematográfica. Agora, isso não significa que concorde com a abordagem utilizada na primeira edição, com preços completamente alheios à realidade do país, algo que foi de certa forma moderado nesta segunda, e com os nomes pomposos que se davam às talks onde se falava dos mais variados temas, exceto… cinema.

A verdade é que a primeira edição passou longe de ser perfeita, mas conseguiu uma proeza que não tenho a certeza que se voltou a conseguir este ano: saber adaptar o festival à nossa realidade. A primeira edição, toda ela montada dentro do Beato Innovation District, conseguiu criar um clima de proximidade entre os locutores e os ouvintes de forma a potencializar os velhos edifícios do espaço ao máximo, promovendo a simples conversa. Consegui falar com as mentes por detrás dos screenings e dos painéis que vi, por vezes apenas para os gratificar, mas não foram raras as vezes que consegui ter uma pequena conversa.  Aí sim, indo ao encontro da frase que abriu este artigo: viver o cinema com quem o faz, para quem é feito e ao lado daqueles que o criticam. Se houveram claros problemas de logística? Claro. Mas creio que o principal objetivo foi atingido.

O mesmo não posso dizer da mais recente edição. Numa tentativa de se aproximarem dos grandes festivais como Cannes, por exemplo, o Tribeca expandiu-se até ao teatro Ibérico, de um lado, e até ao Convento do Beato, do outro. Uma distância que ainda representa um quilómetro e, mesmo havendo um sistema de transporte, o mesmo não era uma garantia e ao contrário da primeira edição, onde a chuva como que por milagre não interferiu com o festival, este ano decidiu abençoar o mesmo, piorando tudo. Na sexta feira, por exemplo, dirigi-me ao Tribeca com a ideia de almoçar no local, uma vez que na quinta feira, toda a área gastronómica (completamente ao ar livre) funcionara perfeitamente. Qual não foi o meu espanto quando, ao chegar, me deparo com uma chuva que teimava em não parar e todas as bancas de comida retiradas justamente devido ao mau tempo.

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Os screenings continuam, na minha opinião, a ser poucos para a dimensão que o festival quer passar, no entanto, mentiria se afirmasse que estes não foram interessantes. O que realmente me aborreceu, voltando de novo ao tema que abriu o artigo, foi que, com esta “Canneszação” do Tribeca Lisboa, perdeu-se também a proximidade que o ano passado tanto me conquistou. Os Q&A com os realizadores e atores após os screenings eram rápidas, com duas ou três perguntas do público, feitas em palcos (contrastando com os cenários simples da edição anterior) por alguns hosts bastante desinteressantes e sempre a despachar na tentativa de cumprir com os horários.

Não escrevo este artigo com o intuito manchar a reputação do festival. Escrevo-o pensando na fatídica sexta feira, onde dei por mim a comer um croissant barato, abrigado no alpendre de um dos edifícios usados na edição passada, este ano fechado, e a pensar que o caminho que eu gostaria que tais festivais seguissem era exatamente o oposto do que o Tribeca Lisboa decidiu seguir: a aproximação, o remar contra a elitização do cinema e o saber adaptar à nossa realidade… Aí sim, para um dia podemos afirmar que o cinema é feito para ser discutido por quem o faz e por quem o consome. Enquanto não for assim, iremos continuar a falar de prejuízos pesados para o país, de condições precárias num festival caro e de todo o tipo de assuntos menos de cinema, tal e qual como alguns painéis do Tribeca.

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Tomás Sena
Todos me chamam Tommy, “Tomás Sena” é só para parecer mais profissional. Apaixonado por cinema desde que me conheço por gente, gosto de escrever e dar a conhecer aos outros o que a sétima arte me dá a conhecer a mim. O rapaz que pegou num livro, com 9 anos, na biblioteca da escola, devido ao simples facto da sua capa ser apelativa, e esse simples gesto mudou para sempre a sua vida. O livro, o terceiro da, ainda hoje minha favorita, saga Harry Potter, moldou o rapaz, tornando-o num verdadeiro geek, que hoje escreve do seu quarto cheio de Pop Figures como testemunhas. Sempre pronto para o próximo livro, filme, série… para a próxima história que me fará mergulhar num novo universo e sempre decidido a defender a tese de que Pulp Fiction é o melhor filme já feito.

Colaboraram neste artigo

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